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13 agosto 2002

Pacaraima, a fronteira cordial

Pacaraima, Roraima
(foto de Paulo Tasso)

Gasolina, cerveja Polar, bolachas Club Social e vassouras de plástico. A rotina do contrabando apreendido pela Inspetoria da Receita Federal em Pacaraima (RR) não autoriza ninguém a bocejar nem a invejar a tranquilidade dos dois auditores-fiscais lotados na unidade. 

"No ano passado, pegamos dois carregamentos de heroína, cada um com 7,5 quilos da droga", conta o inspetor. Mas, apesar de trabalharem no extremo-norte do Brasil, na fronteira com a Venezuela, os dois auditores têm mais histórias de cordialidade do que de hostilidade e isolamento.

Um deles chegou há três anos, aprovado no concurso de 1998. Quarenta e nove anos, recém-divorciado, filhos na Universidade. "Já que estava virando a página de minha vida, resolvi virar logo o livro todo de cabeça para baixo". 

Queria um lugar tranqüilo. Tinha trabalhado mais de dez anos como técnico da Receita em São Paulo, e um auditor que passara por Pacaraima recomendou-lhe o lugar, onde hoje está plenamente adaptado e sem vontade de sair. 

"A gente só fica desconfortável se a cidade não é o que a gente queria". Casou-se com uma roraimense que mora em Boa Vista, a duas horas de viagem, e a quem encontra nos finais de semana. Descreve sua rotina como tranqüila. "Medo eu tinha em São Paulo. Não é porque o lugar é fronteira que tem que ser perigoso".

24 junho 2002

Puerto Iguazú: um free shop na mata

Free Shop de Puerto Iguazu na Argentina
O Free Shop de Puerto Iguazu fica a 14 km do Centro de Foz

O trânsito, a confusão urbana e as multidões de Ciudad del Este, no Paraguai, são tiro e queda para me provocar ataques de claustrofobia. Já atravessei a Ponte da Amizade uma boa meia dúzia de vezes, mas sempre para alguma reportagem.

Quem vai a Foz do Iguaçu fazer compras mas, como eu, fica tonto com o tumulto da vizinha paraguaia, pode experimentar o Free Shop de Puerto Iguazu, na Argentina. Claro que os preços não serão os mesmos dos badulaques em oferta no Paraguai, mas o ambiente climatizado, a organização e a garantia de procedência das mercadorias compensam.

Do outro lado da Ponte Tancredo Neves, que liga o Brasil à Argentina, o free shop está cercado pelo verde. O complexo tem uma arquitetura arrojada, praça de alimentação muito simpática e um estoque de vinhos espetacular.

Dá para contratar um táxi, que espera do lado de cá da fronteira. Só não esqueça de levar a Cédula de Identidade (tem que ser RG mesmo) ou o pasasporte, porque você vai atravessar um controle de imigração.

Informações
Free Shop Puerto Iguazu:
Ruta Nacional 12 (Argentina) Km 1645. Logo depois da Ponte Tancredo Neves, na BR 469 (que assume os nomes de Avenida das Cataratas e Avenida Mercosur).

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Novas confusões em Foz

Fila de caminhões na Estação Aduaneira de Foz do Iguaçu
Fila de caminhões na Estação Aduaneira de Foz do Iguaçu

No final da tarde do dia 20 de junho de 2002, cerca de mil caminhoneiros cercaram a Estação Aduaneira de Interior (Eadi) de Foz do Iguaçu (PR). Eles tentavam forçar a liberação das cargas retidas pela operação padrão que vinha sendo realizada pelos auditores da Receita. 

A partir daí, cercos, invasão, ameaças, servidores mantidos em cárcere privado, buzinaços, desrespeito à fila de caminhões e transtornos ao trabalho de despacho de cargas tornaram-se cena corriqueira na Eadi.

16 maio 2002

Fronteira Brasil-Bolívia em Cáceres - a "cancela alfandegada"

Posto de fronteira em Fortuna no Mato Grosso

Aduana de Fortuna (MT), na fronteira Brasil-Bolívia


Duzentos e cinquenta quilômetros –133 deles sem asfalto –, 15 precárias pontes de madeira, buracos, trechos de mata fechada. Esse é o percurso cotidiano dos quatro auditores-fiscais lotados na Inspetoria da Receita Federal em Cáceres (MT), 1ª Região Fiscal, para realizar o trabalho de desembaraço de importações e exportações feitas através de Fortuna, na fronteira com a Bolívia.

A estrada deserta margeia a linha divisória com o país vizinho e chega ao "recinto alfandegado" – na verdade, apenas uma cancela a 800 metros de uma das fronteiras mais violentas do país. Por aqui circulam mensalmente US$ 28 milhões em mercadorias, segundo estimativas do Sindicato de Transportes de Carga no Mato Grosso (Sindimat).

Ao lado do Destacamento Militar de Fortuna, do 2º Batalhão de Fronteira, o "recinto alfandegado" conta apenas com um orelhão de funcionamento esporádico e uma árvore como "estrutura". As demais dependências – uma guarita com um sanitário sujo e um pequeno escritório – pertencem ao Exército e não são utilizadas pela Receita Federal.

20 dezembro 2001

Foz do Iguaçu: beco sem saída

Cataratas do Iguaçu em Foz do Iguaçu
As cataratas são o grande encanto de Foz do Iguaçu

Faz muito tempo que o futuro passou por Foz do Iguaçu. Quem procura os restos do Eldorado prometido pelas obras da usina hidrelétrica de Itaipu, iniciadas em 1974, vai encontrá-los em lugares como o Rincão São Francisco, bairro periférico de onde os antigos barrageiros partem para o exercício do ofício que lhes resta: a travessia de bugigangas compradas no Paraguai, pela Ponte da Amizade.

Foz do Iguaçu é uma esquina. De países, de rios, de culturas. É uma encruzilhada social e econômica. Para os milhares que aqui chegaram querendo construir a barragem, ganhar dinheiro e voltar para casa, Foz virou o beco sem saída da vida de sacoleiro.

19 dezembro 2001

Foz do Iguaçu: o avesso do paraíso

Cataratas do Iguaçu em Foz do Iguaçu
A magia das Cataratas do Iguaçu

A primeira vez em Foz do Iguaçu a gente não esquece. Especialmente se der de cara com 43 graus de temperatura logo na saída do avião e em pleno caos de uma quase véspera de Natal, quando todos os sacoleiros do planeta  parecem ter corrido para cá, para "importar" bugigangas do Paraguai.

Meu interesse na azáfama pré-natalina é profissional: vim fazer uma reportagem sobre a “Operação Fim de Ano” da Receita Federal, e as conseqüências do arrocho do Estado sobre os sacoleiros que fazem a Ponte da Amizade parecer a Praça Castro Alves dos velhos tempos, numa terça-feira de carnaval. Com um pouco de sorte, tive uma folga para visitar as Cataratas do Iguaçu, mas o principal do meu roteiro trístico foi no avesso do paraíso.

A reportagem, publicada originalmente na revista Conexão Unifisco Sindical, está neste link:
Foz do Iguaçu: beco sem saída