Gasolina, cerveja Polar, bolachas Club Social e vassouras de plástico. A rotina do contrabando apreendido pela Inspetoria da Receita Federal em Pacaraima (RR) não autoriza ninguém a bocejar nem a invejar a tranquilidade dos dois auditores-fiscais lotados na unidade.
"No ano passado, pegamos dois carregamentos de heroína, cada um com 7,5 quilos da droga", conta o inspetor. Mas, apesar de trabalharem no extremo-norte do Brasil, na fronteira com a Venezuela, os dois auditores têm mais histórias de cordialidade do que de hostilidade e isolamento.
Um deles chegou há três anos, aprovado no concurso de 1998. Quarenta e nove anos, recém-divorciado, filhos na Universidade. "Já que estava virando a página de minha vida, resolvi virar logo o livro todo de cabeça para baixo".
Um deles chegou há três anos, aprovado no concurso de 1998. Quarenta e nove anos, recém-divorciado, filhos na Universidade. "Já que estava virando a página de minha vida, resolvi virar logo o livro todo de cabeça para baixo".
Queria um lugar tranqüilo. Tinha trabalhado mais de dez anos como técnico da Receita em São Paulo, e um auditor que passara por Pacaraima recomendou-lhe o lugar, onde hoje está plenamente adaptado e sem vontade de sair.
"A gente só fica desconfortável se a cidade não é o que a gente queria". Casou-se com uma roraimense que mora em Boa Vista, a duas horas de viagem, e a quem encontra nos finais de semana. Descreve sua rotina como tranqüila. "Medo eu tinha em São Paulo. Não é porque o lugar é fronteira que tem que ser perigoso".



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