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30 janeiro 2019

Viajar no Carnaval - destinos para escapar da folia

Praia do Cabo Branco em João Pessoa

João Pessoa: Carnaval com praia e pouca muvuca


Faz tempo que a folia de Momo, pra mim, virou sinônimo de folga. Um intervalo que rima com viagem, não com folia. Decidir onde passar o Carnaval, porém, exige algumas estratégias para driblar os preços altos e a lotação esgotada de alguns destinos.

Se a ideia é mesmo fugir do Carnaval, é preciso escolher um lugar fácil de chegar — ninguém quer passar metade dos feriados em deslocamentos, né? — e que não seja muito afetado pela movimentação da festa.

Ilhas do Rosário na Colômbia
Playa del Este em Cuba
Punta Cana na República Dominicana
Carnaval no Caribe sempre deu muito certo pra mim. No alto, as Ilhas do Rosário, do ladinho de Cartagena, na Colômbia. No centro, Playa del Este, em Havana, Cuba. Acima, Punta Cana, na República Dominicana

Comprar passagem com antecedência, adequar a escolha do destino ao tempo total da folga — só tem os quatros dias ou vai dar para emendar a semana toda? — e escolher um lugar que caiba no orçamento são elementos essenciais para montar uma boa viagem de Carnaval.

Veja neste post as minhas estratégias para organizar uma escapada e definir onde passar o Carnaval: 

10 março 2003

Roteiro em Cuba: uma semana em Havana e Santiago

Cuba: Catedral de Havana e Quartel de Moncada
A Catedral de Havana e o Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba

Meu roteiro em Cuba

1º dia: Guarulhos – Havana

Voo noturno da Cubana de Aviación (8 horas de viagem). Uma viagem turbulenta, mas divertidíssima. Veja como foi: Voando para Cuba

2º dia: Chegada a Havana e viagem para Santiago de Cuba

Pousei em Havana às 4h da manhã. Meu voo pra Santiago estava marcado para as 8h, mas o Aeroporto José Martí foi fechado, por volta das 7h, devido ao mau tempo. 

Morta de sono, mofei em um café da área de embarque doméstico até o meio-dia, quando finalmente embarquei em um Tupolev movido a hélice. A viagem durou cerca de 1 hora.

Depois de deixar a bagagem no Hotel San Juan em Santiago, tratei de aproveitar o resto da tarde na cidade mais africana de Cuba, com fortes laços de parentesco com Salvador. 

Tentei visitar o Castillo (castelo) del Morro, que estava fechado — mas ver o pôr do sol lá no alto valeu a viagem – e terminei o dia no terraço do Hotel Casa Granda, ouvindo boa música cubana. Encerrei a noite no Patio de los Abuelos, uma casa de trovas com mais música ao vivo e dança.

Veja como foi o primeiro dia dessa viagem a Cuba - um estranho caminho até Santiago

Castelo do Morro, Santiago de Cuba
Entrada da Baía de Santiago vista do Castillo del Morro

3º dia – Santiago de Cuba

Contratei Joel, o motorista de táxi que me levou do Castillo del Morro ao Centro da cidade, na véspera, para fazer um passeio pela cidade. Finalmente, consegui visitar o castelo (imperdível) e circulei pela “vida real” da cidade.

Incrível que eu vim de tão longe pra encontrar minha cidade: Santiago de Cuba é uma irmã quase-gêmea de Salvador. Tantos "reencontros" e "reconhecimentos" me deixaram encantada, intrigada e curiosa.

Mas ainda teve tempo para um banho de mar. Fui dar um mergulho em uma prainha singela, chamada Los Aguaderos, onde um amigo de Joel mantém um paladar (restaurante) “informal” (clandestino). Adorei o mergulho e o almoço.

No final da tarde, fui me refugiar do calor na piscina do hotel e dei uma passadinha na Casa de Trovas, à noite, para dançar.

Santiago de Cuba, a irmã de Salvador


4º dia – Santiago de Cuba

Hoje foi o dia de fazer turismo pra valer, visitando os principais pontos de interesse de Santiago: o Quartel de Moncada, o bairro de Tivoli, Museu da Clandestinidade e o Museu Casa Natal Antonio Maceo.

Voltei ao paladar “informal” de Negro, que tinha prometido (e cumpriu) me servir uma autêntica lagosta cubana. Show de bola, essa refeição.

O que fazer em Santiago de Cuba
Gastronomia de Santiago de Cuba - lagosta clandestina


À noite, contratei um Chrysler Imperial 1957 (eu jamais iria a Cuba sem dar um passeio em uma de suas relíquias automotivas) para fazer um passeio pela cidade. 

Wilkins, o motorista, ainda me deu uma dica espetacular de lugar para dançar, a Casa de La Tradición, onde me diverti imensamente.

Artistas de rua na Plaza de Armas de Havana, Cuba
Apresentação de artistas circenses na Plaza de Armas de Havana

5º dia - de Santiago de Cuba a Havana

Chegou a hora de me despedir de Santiago, uma cidade que realmente conquistou meu coração, e rumar para Havana. 

Cheguei à capital pouco depois do meio dia e me hospedei no Hotel Saint John's, no bairro de Vedado, uma área com muitos hotéis e hospedagens alternativas.

Depois do checkin, fiz um longo passeio pelo Malecón de Havana (a avenida à beira-mar) até Habana Vieja, o centro histórico da capital cubana. Tentei entrar no célebre bar La Bodeguita, mas a lotação estava pra lá de esgotada. 

Visitei o Museu da Cidade e fiz um passeio de charrete pelo bairro. Depois voltei a Vedado para experimentar a legendária Sorveteria Coppelia.

O que fazer em Havana

Fortaleza de San Carlos de la Cabaña, Havana, Cuba
Fortaleza de San Carlos de La Cabaña, em Havana

6º dia - Havana

Dia cheio, este! De manhã logo cedo, fui visitar a Fortaleza de San Carlos de La Cabaña, na entrada da Baía de Havana, uma das maiores construções militares feita pelos colonizadores espanhóis nas Américas. Além do interesse histórico, o lugar tem uma vista inacreditável para Havana.

Depois disso, praia, que ninguém é de ferro: peguei um táxi e fui dar um mergulho no azul caribenho das Playas del Este, frequentadas (e muito) pelos cubanos e desprezadas pelos turistas. Banho de mar cinco estrelas.

Para encerrar o roteiro turístico, fui visitar o célebre Museu da Revolução, onde estão as principais recordações dos heróis cubanos, como Fidel, Che e Camilo Cienfuegos, além do iate Granma, que trouxe os guerrilheiros à ilha para deflagarem a luta contra o ditador Batista e a tomada do poder.

À noite, jantei no legendário restaurante La Floridita, onde Ernest Hemingway inventou o daiquirí. O escritor fez uma "aparição" especial pra mim — quase morri engasgada com o meu drinque, tal o susto.

Veja como foi essa história:
La Floridita em Havana - cara a cara com Hemingway


7º dia - Havana

Na minha despedida de Cuba, comecei o dia garimpando (muitos) livros no ótimo centro cultural Casa de las Américas. Em seguida, almocei em um paladar de Vedado, fiz mais um passeio pelo Malecón e voltei a Habana Vieja, onde fiz ótimas compras na feirinha de artesanato

Terminei o dia em um bar da Plaza de Armas, afogando a saudade que eu sabia que iria sentir de Cuba em um belo mojito.

8º dia - a volta pra casa
Hasta pronto, Cuba. Um dia eu volto!!

Todas as dicas de Havana
Todas as dicas de Santiago de Cuba

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06 março 2003

La Floridita em Havana - cara a cara com Hemingway

La Floridita em Havana, Cuba
La Floridita, o templo do Papa Hemingway, em Havana

Sou fã da Revolução Cubana, de Che, Camilo e Fidel. Mas em Havana, o rastro que segui mais de perto foi o de um filho de Tio Sam: Ernest Hemingway, um dos meus maiores heróis literários, era apaixonado por Cuba, onde viveu e farreou, principalmente no mitológico bar La Floridita, onde dizem que inventou o daiquiri.

De tanto evocar o homem, morto no ano em que eu nasci (1961), Hemingway acabou aparecendo pra mim. E justo na Floridita. Foi um susto e uma alegria, até eu entender o que estava acontecendo.

O que fazer em Havana


Coco-táxi no Malecón de Havana em Cuba
Os coquitos, ou coco-táxis, são bem populares entre os turistas. As tarifas são bem mais baratas que as dos táxis oficiais e tem a graça de oferecer passeios quase ao ar livre

Atualizado em julho de 2016

Havana está entre as duas ou três cidades coloniais mais lindas que já vi nessas Américas —  e olha que eu já acumulei certa "milhagem" nesse quesito, pois sou apaixonada pelo tema e pela arquitetura.

A capital de Cuba é uma cidade de contradições e de contrastes. É preciso entender o abismo profundo que separa a pobreza da miséria — exercício dificultado pelos privilégios de quem é classe média em diante — para compreender o prodígio alcançado por aquele povo tão parecido com os baianos.

La Bodeguita del Médio em Havana
La Bodeguita del Medio, legendário bar de Havana Velha frequentado por Ernest Hemingway e outros famosos. O Lugar vive lotado, mas é imperdível
La Bodeguita del Médio em Havana
La Bodeguita del Médio em Havana
Comprei esta miniatura em cerâmica da Bodeguita em uma feira de artesanato bem legal, que funciona na Plaza 13 de Marzo, perto do Museu da Revolução

Você vai ver muita pobreza em Havana, mas não verá crianças nas ruas (só voltando da escola), pedintes e outras mazelas.

Para além das simpatias políticas — e as minhas estão francamente do lado cubano — a capital de Cuba é uma cidade apaixonante.

Listei neste post algumas atrações de Havana que, aposto, você também vai adorar:

02 março 2003

Viagem a Cuba - um estranho caminho até Santiago

Parque Céspedes e Catedral de Santiago de Cuba
O Parque Céspedes é a principal praça do Centro de Santiago de Cuba, onde fica a Catedral (ao fundo) e o tradicional Hotel Casa Granda, de cuja varanda eu fiz este clique. Repare nos coquitos amarelinhos, táxis alternativos adorados pelos turistas

Cinco da manhã, Havana, finalmente. Na imigração, o militar dentro de um aquário pede que eu tire os óculos. Quer conferir se sou eu mesma na foto do passaporte. 

Dá vontade de dizer: "Moço, não são os óculos. Eu fico mesmo com essa cara, quando estou sem dormir". Passei uma noite infernal durante o voo São Paulo-Havana. Mas, felizmente, parece que minha versão Mrs. Hide parece comigo e fui formalmente admitida na República de Cuba.

Menos de cinco minutos e já estou num táxi (contratado pela agência de viagem), uma espécie de Land Rover amarelo, rumo ao setor doméstico do Aeroporto Internacional José Marti, de onde sai meu voo para Santiago de Cuba.

01 março 2003

Viagem a Cuba

Monumento a Antonio Maceo na Praça da Revolução em Santiago de Cuba
Monumento a Antonio Maceo na Praça da Revolução em Santiago de Cuba

Um sujeito que parecia a réplica em tamanho natural de Teófilo Stevenson sentou-se ao meu lado, na poltrona do meio da estreita fileira do avião. O cara certamente estava muito mais espremido que eu, que só tenho um metro e sessenta de altura. 

Mas ele não se apertou: repousou tranquilamente o cotovelo esquerdo sobre o meu rim direito, enquanto eu me virava para olhar a chuva pela janelinha do avião.

Passagem para Cuba
Minha passagem pra Cuba. Com Varig, Cubana e tudo, acabei chegando à Ilha em um avião da Gol

- "Moço, meu rim tá lhe incomodando?", perguntei, com cara de anjo. "Né por nada, não, mas se o senhor amassar, pode estragar. Vou precisar dele, mais tarde". 

Bem vinda a Cuba, ou melhor, bem vinda a uma viagem cheia de turbulências à Ilha idílica, que eu sonhei conhecer a vida inteira.