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15 junho 2012

O que fazer em Mariana

Igrejas de São Francisco e do Carmo em Mariana Minas Gerais

As igrejas de São Francisco (à esquerda) e do Carmo, na Praça Minas Gerais, em Mariana


Mais de 30 anos depois da primeira visita, basta um olhar sobre Mariana, Minas Gerais, para confirmar a lembrança que carreguei dela a vida toda. Tarde de sábado, sol meio aperreado e lá estava a mesma cidade quietinha, como a aquelas caçulas tímidas, que observam os visitantes meio escondidas no vão das portas.

Tão próxima de Ouro Preto, Mariana parece ofuscada pela exuberância da vizinha mais famosa, ganhando no máximo um par de horas de atenção dos turistas que lotam a velha Vila Rica.

Casa de Câmara e Cadeia de Mariana em Minas Gerais

Pose para a foto no balcão da Casa de Câmara e Cadeia de Mariana


Talvez venha daí esse arzinho meio retraído da cidade. Uma coisa é certa: mesmo sofrendo a pressão da expansão urbana e das construções desordenadas, Mariana continua tão encantadora quanto eu me lembrava, com um jeitinho que é só dela.

Quando Ouro Preto começava a engatinhar, nos primeiros anos do Século 18, Mariana já era a capital da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, sede da primeira casa legislativa da região e do primeiro bispado. De caçula, portanto, a cidade não tem nada.

O passar dos séculos, porém, foi deslocando Mariana do centro das atenções.

Casa de Câmara e Cadeia de Mariana

A Casa de Câmara e Cadeia de Mariana é um dos mais antigos edifícios legislativos do Brasil ainda em funcionamento


Da pequena Ribeirão do Carmo, fundada por bandeirantes, à pujante Mariana (rebatizada em homenagem à rainha de Portugal na época), a cidade teve um generoso Século 18, que lhe legou belíssimos exemplares da arquitetura barroca.

Um exemplo são as três construções que fazem da Praça Minas Gerais, no Centro Histórico de Mariana, um dos mais encantadores cenários setecentistas que já vi.

Mariana em Minas Gerais

A receita da Praça Minas Gerias parece simples: o piso de pedras irregulares, o pelourinho e edifícios de uma beleza rara: a Igreja de São Francisco de Assis, a Igreja do Carmo e pela Casa de Câmara e Cadeia.

Bem no centro da praça, uma lembrança nada romântica: o pelourinho de Mariana ainda está lá, para recordar que o belo conjunto arquitetônico também se prestou como cenário de suplícios. Encimado pelo símbolo da Coroa Portuguesa, ele lembra uma engenhoca do Professor Pardal, com seus bracinhos humanos que empunham a espada do castigo e a balança da justiça.

Pelourinho de Mariana em Minas Gerais
Pelourinho de Mariana em Minas Gerais
O pelourinho de Mariana ainda está no centro da praça

Só depois de admirar a harmonia e a beleza dessas três construções, a moldura das montanhas e o sossego de Mariana  é que a gente começa a perceber a sofisticação dos detalhes, a delicadeza dos entalhes em pedra sabão e as diferenças de estilos dos três edifícios, que se encontram e sem completam.

Vale a pena ir a Mariana só para contemplar a Praça Minas Gerais ao cair da tarde. Mas tem muito mais atrações na irmãzinha menos famosa de Ouro Preto. Veja as dicas:

03 maio 2012

Roteiro pelas cidades históricas de Minas Gerais

Igreja do Carmo de Mariana em Minas Gerais
A cidade de Mariana é um dos grandes encantos de qualquer roteiro pelas cidades históricas de Minas Gerais. Na foto, a Igreja do Carmo, do Século 18

Quando eu criança, achava que Minas era um lugar azul, envolto numa bruma suave e meio dourada. Não adiantava passar por lá todos os janeiros, descendo a Rio-Bahia com a família, a caminho das férias em Amparo (SP), na fazenda dos meus tios. O mistério nunca de desmanchava.

Naquelas viagens sem pressa, nós aproveitávamos pra cumprir um roteiro pelas cidades históricas de Minas Gerais, sempre muito aguardado.

Santuário do Caraça em Minas Gerais
Santuário do Caraça em Minas Gerais
O Santuário do Caraça é um antigo colégio interno aninhado entre as montanhas de Minas Gerais

Cara a cara, o casario colonial cercado por montanhas das cidades históricas de Minas tinha tanto encanto quanto a visão mágica que se tinha do terreiro da Fazenda Campineiro: quando o sol começava a cair, a gente podia esticar a vista e a imaginação e enxergar um contorno de serra. Era quando alguém dizia: “Lá longe é Minas Gerais”.

Eu revivi esse encantamento repetindo o roteiro pelas cidades históricas de Minas Gerais que costumava fazer com a família, nas férias da infância. E voltei com a alma flutuando.

Veja as dicas: