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As igrejas de São Francisco (à esquerda) e do Carmo, na
Praça Minas Gerais, em Mariana |
Mais de 30 anos depois da primeira visita, basta um olhar sobre Mariana, Minas Gerais, para confirmar a lembrança que carreguei dela a vida toda. Tarde de sábado, sol meio aperreado e lá estava a mesma cidade quietinha, como a aquelas caçulas tímidas, que observam os visitantes meio escondidas no vão das portas.
Tão próxima de Ouro Preto, Mariana parece ofuscada pela exuberância da vizinha mais famosa, ganhando no máximo um par de horas de atenção dos turistas que lotam a velha Vila Rica.
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Pose para a foto no balcão da Casa de Câmara e Cadeia de
Mariana |
Talvez venha daí esse arzinho meio retraído da cidade. Uma coisa é certa: mesmo sofrendo a pressão da expansão urbana e das construções desordenadas, Mariana continua tão encantadora quanto eu me lembrava, com um jeitinho que é só dela.
Quando Ouro Preto começava a engatinhar, nos primeiros anos do Século 18, Mariana já era a capital da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, sede da primeira casa legislativa da região e do primeiro bispado. De caçula, portanto, a cidade não tem nada.
O passar dos séculos, porém, foi deslocando Mariana do centro das atenções.
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A Casa de Câmara e Cadeia de Mariana é um dos mais antigos
edifícios legislativos do Brasil ainda em funcionamento |
Da pequena Ribeirão do Carmo, fundada por bandeirantes, à pujante Mariana (rebatizada em homenagem à rainha de Portugal na época), a cidade teve um generoso Século 18, que lhe legou belíssimos exemplares da arquitetura barroca.
Um exemplo são as três construções que fazem da Praça Minas Gerais, no Centro Histórico de Mariana, um dos mais encantadores cenários setecentistas que já vi.
Um exemplo são as três construções que fazem da Praça Minas Gerais, no Centro Histórico de Mariana, um dos mais encantadores cenários setecentistas que já vi.
A receita da Praça Minas Gerias parece simples: o piso de pedras irregulares, o pelourinho e edifícios de uma beleza rara: a Igreja de São Francisco de Assis, a Igreja do Carmo e pela Casa de Câmara e Cadeia.
Bem no centro da praça, uma lembrança nada romântica: o pelourinho de Mariana ainda está lá, para recordar que o belo conjunto arquitetônico também se prestou como cenário de suplícios. Encimado pelo símbolo da Coroa Portuguesa, ele lembra uma engenhoca do Professor Pardal, com seus bracinhos humanos que empunham a espada do castigo e a balança da justiça.
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O pelourinho de Mariana ainda está no centro da praça |
Só depois de admirar a harmonia e a beleza dessas três construções, a moldura das montanhas e o sossego de Mariana é que a gente começa a perceber a sofisticação dos detalhes, a delicadeza dos entalhes em pedra sabão e as diferenças de estilos dos três edifícios, que se encontram e sem completam.
Vale a pena ir a Mariana só para contemplar a Praça Minas Gerais ao cair da tarde. Mas tem muito mais atrações na irmãzinha menos famosa de Ouro Preto. Veja as dicas:
Vale a pena ir a Mariana só para contemplar a Praça Minas Gerais ao cair da tarde. Mas tem muito mais atrações na irmãzinha menos famosa de Ouro Preto. Veja as dicas:
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