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20 novembro 2025

Museus da resistência negra

Estátua de Zumbi dos Palmares na Praça da Sé em Salvador
Zumbi dos Palmares na Praça da Sé, em Salvador

Foi só colocar o ponto final no post sobre o Muncab, em Salvador, para lembrar de outros museus que me tocaram profundamente ao revelar a beleza da arte dos povos da África e a força de sua resistência durante a escravidão e além (porque essa luta ainda não acabou).

São espaços que celebram a memória — a dor, a injustiça, mas também a potência criadora capaz de produzir verdadeiros milagres de beleza no chão do Ocidente.

Alguns desses museus nos colocam diante do gênio de Maria Auxiliadora (1935–1974), Rubem Valentim (1922–1991), Mestre Didi (1917–2013) e Heitor dos Prazeres (1898–1966), ou da vibração que nasce dos 12 compassos do Blues e do metrônomo do meu coração: o Rock’n’Roll. 

Não vou repetir aqui os museus com temática musical, que já foram bastante falados aqui na Fragata (veja o post: 10 museus imperdíveis para quem ama música) ou mesmo sobre espaços dedicados às artes visuais de modo geral (tem um índice de museus e sítios arqueológicos completíssimo aqui no blog). 

O assunto de hoje são museus militantes, que falam de luta, que contam histórias de resistência — ainda que estejam, também, repletos de belezas. Eles nos relatam fatos e processos como a revolta de escravizados na pequena ilha de Curaçao, no século 18, e a longa, árdua e corajosa conquista dos Direitos Civis pelos afro-americanos.

São janelas para histórias muitas vezes invisibilizadas, mas indispensáveis para compreender a humanidade e celebrar suas conquistas. No Dia da Consciência Negra, a Fragata lembra Zumbi dos Palmares e destaca alguns museus que merecem entrar no roteiro de viagem de quem se encanta com a ideia de um mundo mais justo.

02 novembro 2025

10 museus imperdíveis para quem ama música

Museus para quem gosta de Música
Que me desculpe o Instagram, mas minhas melhores viagens cabem mais no Spotify

Sei que as viagens estão cada vez mais formatadas para o Instagram, mas insisto: também leve seus ouvidos pra passear. E não só para escutar o mundo — sotaques, burburinhos urbanos e murmúrios da natureza. Minhas melhores viagens foram roteiros musicais.

Se você é daquelas que viajam com trilha sonora, aqui vão 10 museus imperdíveis para quem ama música.

Museus para quem gosta de música
O Cais do Sertão (à esquerda) é um dos museus mais instigantes que já visitei. À direita, o Museu do Jazz de Nova Orleans, um banquete musical

São 10 lugares pra começar a explorar o ritmo de cidades profundamente marcadas pela história de artistas e gêneros musicais e as transformações culturais que eles expressam.

Junte o Google Maps com as cinco linhas da pauta musical, marque o ritmo do roteiro nos 12 compassos do Blues, no balanço do Rock’n’Roll e no pulsar do Baião e vamos passear por esses 10 museus imperdíveis para quem ama música.

Se der vontade de dançar, se jogue.

Museus para quem gosta de música
Eu adoro casas-museus e curti muito visitar uma das residências de Mozart, em Salzburgo, e a casa onde Carlos Gardel morou, no Bairro de Abasto, em Buenos Aires

Veja as dicas:

02 março 2021

Todas as dicas dos Estados Unidos - post índice

French Quarter, Nova Orleans, Estados Unidos
A deliciosa Nova Orleans, que visitei em um roteiro musical pelos EUA, em 2018

O cinema de Hollywood, o charme de Nova York, o Jazz, o Blues e o Rock'n'Roll estão no topo da minha lista de paixões. Foram eles que me levaram pela mão em quase uma dezena de viagens aos Estados Unidos — a primeira delas em 1972, para ver a recém-inaugurada Disneyworld, em Orlando.

Neste post, você vai encontrar todas as dicas dos Estados Unidos publicadas aqui na Fragata. Grande parte do conteúdo refere-se a duas viagens recentes (de 2018): meu retorno a Nova York e o roteiro musical por Nova Orleans, Nashville e Memphis.

Arquitetura art-déco em Miami Beach, Estados Unidos
Sou fã da arquitetura art-déco de Miami Beach

São dicas bem detalhadas sobre onde comer, o que fazer, onde se hospedar e como se virar nessas cidades imperdíveis.

Tem também as dicas sobre o que fazer em um dia em Miami — cidade que revisitei brevemente em uma conexão da viagem ao México.

Espero que você aproveite as dicas dos Estado Unidos para organizar sua viagem.

28 abril 2019

Ingressos nos Estados Unidos: como organizei meu roteiro musical

Ingressos de um roteiro musical por Memphis, Nova Orleans e Nasville
Alguns ingressos do meu roteiro musical nos EUA eu comprei com antecedência. Mas a maioria pode ser comprada na hora, sem problemas

Minha viagem aos Estados Unidos, em Novembro passado, foi dedicada à música. Fiz um roteiro musical por Nova Orleans, Nashville e Memphis, três cidades do balacobaco neste quesito (e em outros), onde há oferta de shows todos os dias, nas mais variadas horas do dia.

Além de assistir às programações normais de bares, honky tonks e nightclubs em Nova Orleann, Memphis e e Nashville, fiz questão de garantir entradas, com antecedência para ver algumas atrações especiais, como o super-mega-blaster blueseiro Joe Bonamassa, que tocou em Memphis em uma das minhas noites na cidade.

Show de Joe Bonamassa em Memphis, EUA

Joe Bonamassa: assistir a este imenso discípulo de BB King em Memphis, a cidade do Blues, vale umas 200 fichinhas no jogo de 1.000 coisas para fazer antes de morrer


Como resultado dessa experiência, posso garantir que comprar com antecedência ingressos nos Estados Unidos para atrações e espetáculos para nos Estados Unidos é muito mais fácil do que a gente imagina — a internet está aí para isso mesmo e os sistemas costumam ser confiáveis e fáceis de usar.

E isso não vale só para grandes shows, mas também para museus, peças teatrais, musicais da Broadway (em Nova York) e outras atrações mais concorridas.

Ingresso para Graceland, a casa de Elvis Presley em Memphis

O ingresso para Graceland, a casa de Elvis, não exige compra com antecedência, exceto se sua visita for nos períodos fervidos em Memphis, como janeiro, maio e agosto


Veja como foram as minhas experiências de compra de ingressos nos Estados Unidos — presencialmente e pela internet e saiba quais são as atrações musicais de Memphis, Nashville e Nova Orleans para as quais você deve garantir suas entradas com antecedência:

21 abril 2019

Mala de mão - uma bagagem prática para duas semanas e duas estações

Mala de cabine no padrão exigido pelas companhias aéreas
Essa identificação de bagagem com Elvis, comprada em Graceland, foi um dos poucos acréscimos de peso (😁😁 ) sofridos pela minha malinha nesta viagem. Viajar leve não combina muito com compras

Eu sempre fui escandalosamente minimalista na hora de arrumar a mala. Gosto de viajar leve e fui ficando cada vez mais craque na bagagem prática.

Meu figurino, muito básico, ajuda. Mas o grande estímulo é minha aversão arrastar trambolho 😊. É por isso que sou fã de mala de mão.

A bagagem de mão é uma grande amiga das viajantes-solo: nem sempre dá para contar com alguém que ajude a levantar uma mala grande e pesadona para embarcar em um trem ou acomodá-la em um bagageiro mais alto e outros perrengues.

Casarão histórico em Nova Orleans, Estados Unidos

Verão esticado: em pleno novembro, peguei sol e 30º C em Nova Orleans


E vamos combinar que não despachar bagagem  nos poupa de perder tempo esperando a mala diante de uma esteira de aeroporto — "Será que chegou? Será que extraviou?"

E isso vem desde o tempo em que as companhias aéreas não cobravam a mais pelo despacho da bagagem — eu até despachava a mala, mas nunca esquecia que, depois que ela saísse do porão do avião, era eu que ia carregá-la.

Nova Orleans, barco a vapor Natchez

O verão se prolongou, mas o calor e a umidade de Nova Orleans, vez por outra, viravam chuvarada


Agora, com as taxas salgadas que temos que pagar para a mala ir no porão do avião, organizar uma bagagem prática e compacta virou também questão de economia.

Convém lembrar que neste mês de abril/19 as companhias aéreas endureceram a fiscalização para garantir o cumprimento das regras e estão conferindo as medidas das malas de mão. Está bem mais difícil tentar espertezas para embarcar com bagagem fora do padrão.

As medidas máximas para malas de cabine agora são 55 cm (altura) x 35 cm (largura) x 25 cm (profundidade), incluindo bolsos, rodas e alça. A mala de mão fora desse padrão será encaminhada para o porão e será cobrada a taxa correspondente pelo despacho da bagagem.

Neve em Memphis, Tenesssi, Estados Unidos
Depois do calorão de Nova Orleans, peguei a maior friaca em Nashville e neve (!!) em Memphis. Olha só a Cidade do Blues branquinha

Essa visita mais recente aos Estados Unidos, porém, apresentou alguns desafios ao meu apego à bagagem prática.

Meu roteiro musical pelos EUA, na primeira quinzena do último novembro, foi uma viagem por duas estações do ano completamente opostas, condensada em duas semanas: o calorão de Nova Orleans e o frio congelante que encontrei em Nashville e Memphis, com direito até a neve fora de hora.

Veja minhas dicas para arrumar a mala básica e leve (9,2 kg), sem correr o risco de ser surpreendida pelo clima ou ficar sem roupa limpa no meio da viagem:

26 dezembro 2018

Onde comer em Nova Orleans


Pratos típicos de Nova Orleans

Uma cidade com a culinária de Nova Orleans nem precisava ser linda, animada, berço do Jazz e tudo mais pra ser espetacular


A terra do Jazz também é afinadíssima no quesito panelas e temperos. Sim, comer em Nova Orleans é uma das grandes atrações da cidade. A cidade promove um encontro das tradições culinárias creole, cajun e africana que resulta numa harmonia tão vibrante e condimentada como a sonoridade que fez a fama da cidade.

Nesse concerto culinário irresistível, os naipes das águas (peixes e frutos do mar) e da terra (carne de porco e frango) se encontram sob a regência de molhos densos e sensuais que fazem nosso paladar sair dançando pelas ruas, como nas second lines de uma parada de Mardi Gras. Comer em Nova Orleans é uma dança gustativa inesuquecível.

Beignets do Café du Monde, Nova Orleans
Prepare-se para repetir muito os beignets do Café du Monde
 
Po'boy e pralinê, comidas típicas de Nova Orleans
O po'boy (esq) é o sanduba elevado à categoria de divindade. À direita, pralinês cobertos com chocolate, o tipo de coisa que não fica muito tempo na prateleira

A sedução da culinária de Nova Orleans é uma teia requintada à qual vale a pena se entregar. Veja essas dicas de restaurantes em Nova Orleans e alguns pratos que você não pode deixar de provar:

18 dezembro 2018

Dicas de Nova Orleans para seu planejamento de viagem


Jackson Square, Centro Histórico de Nova Orleans

Jackson Square, o centro da Nova Orleans colonial


É muito fácil se apaixonar por Nova Orleans. A cidade, que ganhou o apelido de The Big Easy (algo como “o grande relax”), retribui na mesma intensidade. NOla é cordial, acolhedora e fácil de decifrar.

Informações práticas, porém, nunca são demais. Por isso, organizei essas dicas de Nova Orleans pra facilitar ainda mais seu encontro com a cidade e seu planejamento de viagem.

Galeria do French Quarter, Nova Orleans
Uma das famosas galerias do French Quarter de Nova Orleans

Aquelas perguntinhas básicas estão respondidas aqui neste post — como é a segurança? E os preços? Qual a melhor região para hospedagem em Nova Orleans? Como é o clima e o que eu levo na mala?

As dicas de transporte em Nova Orleans  — como chegar, como ir do aeroporto ao centro e como circular pela cidade — estão no post anterior.

Com essas dicas de Nova Orleans, aposto que sua viagem vai ser um big easy em The Big Easy. Se jogue, porque a cidade é uma maravilha!

16 dezembro 2018

Dicas de transporte em Nova Orleans - como chegar e como circular pela cidade

Bonde de Nova Orleans
Os bondes de Nova Orleans viraram atração turística. Além de posar pra fotos, eles realmente ajudam nos deslocamentos pela cidade

Um item importantíssimo no meu planejamento de viagem é mobilidade. Tão importante quanto decidir o melhor jeito de chegar a um lugar é saber como circular por ele sem perrengues que atrapalhem os passeios.

Essas dicas de transporte em Nova Orleans foram organizadas exatamente para facilitar a sua vida nesses quesitos. Afinal, ainda que as atrações turísticas estejam concentradas em uma área relativamente compacta, você vai estar circulando em uma cidade de 360 mil habitantes e em uma área metropolitana que é a 39º dos Estados Unidos.

Bonde de Nova Orleans
Aluguel de Bicicletas em Nova Orleans
O bondinho é um charme e a topografia da cidade é muito amigável às bicicletas, mas eu gostei mesmo foi de explorar Nova Orleans a pé

Como chegar a Nova Orleans, como ir do aeroporto ao Centro da cidade e como circular entre as muitas atrações de NOla?

Procurei responder tudinho aqui neste post. Espero que ajude a tornar seu encontro com Nova Orleans tão especial quanto foi o meu 😉.

15 dezembro 2018

Nova Orleans e o Bonde chamado Desejo

Bonde de Nova Orleans (streetcar)

O "Bonde chamado Desejo" deixou de circular em 1948, mas ficou imortalizado no texto de Tennessee Williams
(Imagem: efeitos sobre foto de MusikAnimal/Wikimedia Commons)


Um Bonde chamado Desejo é uma das peças mais famosas do dramaturgo americano Tennessee Williams. 

O que eu não sabia, até visitar Nova Orleans, é que a carga poética do título é mais que uma metáfora para as angústias de Blanche Dubois, a personagem central da história: a  linha de bonde Desire (desejo) existiu mesmo e fez parte do cotidiano dos moradores de NOla.

Entre 1920 e 1948, o “Bonde chamado Desejo” partia da Canal Street, no Business District, descendo a Bourbon Street e seguindo pelas ruas Pauger Dauphine, até seu ponto final, na Rua Desire (veja a linha bordô, no mapa abaixo). 

Na volta a Canal Street, o trajeto era pelas ruas France e Royal (em laranja, no mapa).

A Linha Desire atravessava o French Quarter, o Faubourg Marigny, Bywater e Saint Claude, bairros antigos e próximos às margens do Rio Mississipi.

12 dezembro 2018

Visita às plantations próximas a Nova Orleans


Oak Alley Plantation na Luisiana
Oak Alley Plantation na Luisiana
O cenário mais fotografado da Luisiana: a alameda de carvalhos tricentenários da Oak Alley Plantation


A visita às plantations próximas a Nova Orleans é um das atividades mais procuradas pelos turistas que passam pela cidade — ao lado do passeio de barco pelos pântanos da Luisiana.

Contemporâneas à colonização da Luisiana, as plantations (fazendas históricas) são realmente uma atração imperdível, que você alcança por conta própria — em viagens de carro de cerca de uma hora, com estrada em excelentes condições —, ou em excursões oferecidas pela maioria das agências de turismo de Nova Orleans.

Os lindos casarões das plantations, cercados por árvores centenárias, têm um tremendo apelo romântico. As visitas, porém, fazem mais que arrancar suspiros. São oportunidades para conhecer um modo de vida que já não existe mais — e refletir sobre a opulência construída na exploração do trabalho de pessoas submetidas à escravidão.

Laura Plantation na Luisiana
O casarão colorido, como manda a tradição french creole, da Laura Plantation


Eu visitei duas dessas fazendas históricas. A imperdível Whitney Plantation, em Wallace (a 78 km de Nova Orleans), é um museu dedicado à história e ao resgate do cotidiano das pessoas escravizadas na região do Mississipi.

A Laura Plantation, em Vacheron (80 km de Nova Orleans) é uma autêntica fazenda da tradição french creole, com sua casa-grande impressionante, belos jardins e a reconstituição do universo doméstico e da produção nos campos.

Monumento na Whitney Plantation lembra as crianças escravizadas na fazenda
O monumento na Whitney Plantation lembra as crianças escravizadas na fazenda

De quebra, ainda tive a oportunidade de uma paradinha para fotos na mais célebre das plantations próximas a Nova Orleans, a bela Oak Alley, que encanta turistas do mundo inteiro com a impressionante alameda de carvalhos de quase 300 anos de idade.

Veja como foi minha visita às plantations próximas a Nova Orleans. No final do post tem um mapa.

Rio Mississipi na Luisiana
Rio Mississipi na Luisiana
Rio Mississipi na Luisiana

O Rio Mississipi é companhia constante no trajeto até as fazendas históricas. Na foto acima, a travessia do mighty river, já pertinho da primeira parada na Whitney Plantation


Como fiz a visita às plantations próximas a Nova Orleans


Visitei as duas plantations em um tour da empresa GreyLine, uma das maiores e mais populares em Nova Orleans.

Eles têm postos e representantes espalhados por toda a área turística da cidade, mas, se você quiser ir direto à fonte, a central de venda de tíquetes e excursões da GreyLine funciona no antigo Farol de Toulouse Street, na beira do Rio Mississipi, quase em frente à Jackson Square.

Laura Plantation, Luisiana

Os escravizados nas fazendas viviam neste tipo de choupanas. Estas são da Laura Plantantion 


Na compra da excursão, você pode escolher diversas modalidades: só uma plantation (tour de meio dia), duas plantations combinadas (que vai ocupar a manhã e a tarde), plantation combinada com passeio de barco no pântano (ocupa dois turnos, também).

Os preços vão variar, dependendo da sua opção.

memorial às crianças escravizadas na Whitney Plantation, Luisiana, EUA
Moradia de escravizados na Whitney Plantation, Luisiana, EUA
Moradia de escravizados na Whitney Plantation, Luisiana, EUA
As crianças escravizadas na Whitney Plantation são lembradas na capela da propriedade (no alto). Acima e no centro, casebres que serviam de moradia às famílias


Eu escolhi combinar a Whitney Plantation, por conta de sua abordagem da história da escravidão, e a Laura Plantation, por sua importância histórica e arquitetônica. Meu tour custou US$ 63, com ingressos e transporte.

A GreyLine não recolhe os passageiros nos hotéis da parte histórica de Nova Orleans — segundo eles, para não impactar o trânsito em áreas sensíveis como o French Quarter e o Faubourg Marigny. É preciso encontrar o grupo no Farol da Toulouse Street, cerca de 20 minutos antes da hora marcada para a partida.

Whitney Plantation, museu da escravidão na Luisiana
Memorial na Whitney Plantation resgata os nomes e um pouco da história de pessoas escravizadas na região do Mississipi


Whitney Plantation


Essa é uma visita essencial pra quem quer compreender a História da Luisiana — e, de certa forma, uma parte incontornável da História das nossas Américas.

A Whitney Plantation é um museu dedicado à história das pessoas que viveram escravizadas nas pujantes propriedades rurais da região do Mississipi, foco completamente diferente das demais fazendas históricas abertas ao público nos arredores de Nova Orleans.

Capela e centro de visitantes da Whitney Plantation na Luisiana
Capela e centro de visitantes da Whitney Plantation na Luisiana
A capela da Whitney Plantation hoje funciona como um centro de visitantes. É lá que começam os tours guiados pela fazenda-museu

 
As memórias dos escravizados chegaram até nós pelo esforço de jornalistas, pesquisadores e historiadores empregados em uma das frentes de trabalho montadas durante a Grande Depressão pelo governo de Franklin Delano Roosevelt.

Do mesmo jeito que a política do New Deal criou frentes de trabalho destinadas à construção e recuperação de estradas, ferrovias e represas, também ofereceu possibilidade de ocupação e renda à “turma da caneta”.

Visita à Whitney Plantation na Luisiana
Memorial às crianças escravizadas na Whitney Plantation, Luisiana

No interior da igreja, a memória das crianças que viveram como escravas. No crachá de visitante (no alto), a imagem de Albert Patterson, meu acompanhante na visita à Whitney Plantation. Ele foi entrevistado em 1940, já velhinho, para o projeto de memória que deu origem ao museu e centro de documentação


No início, era um projeto de documentação e captação de relatos sobre cotidianos coordenado pela Biblioteca do Congresso americano.

Até que alguém teve a ideia simples — e genial — de ouvir sobreviventes da escravidão. Um documento vivo e comovente que subsidiou a montagem do percurso museológico da Whitney Plantation.

Whitney Plantation, fazenda histórica da Luisiana
Whitney Plantation, fazenda histórica da Luisiana

Tachos usados para cozinhar a garapa de cana na preparação do açúcar


Em plenos anos 30 do Século 20, sete décadas após o fim da Guerra da Secessão e da abolição da escravatura nos EUA, esses sobreviventes, todos velhinhos, deram voz às crianças que foram um dia. Representados por estátuas de terracota, eles “recebem” e “guiam” os visitantes pela propriedade.

Memorial às pessoas escravizadas na Whitney Plantation
Uma frente de trabalho criada durante a Grande Depressão econômica deu origem ao projeto que resgata da invisibilidade milhares de pessoas submetidas à escravidão nos EUA. Os nomes deles estão imortalizados no Jardim da Memória da Whitney Plantation


➡️ Visita à Whitney Plantation

Endereço: 5099 Louisiana Highway 18, Wallace LA

Horário: De quarta a segunda, das 9:30h às 16:30h. Fechada às terças-feiras e nos feriados.

Preço: US$ 22. Visitantes entre seis e 16 anos de idade pagam US$ 10. Menores de seis anos entram grátis.

➡️ A Whitney Plantation só pode ser vista em visitas guiadas.

Dormitório da casa-grande da Whitney Plantation na Luisiana
Dormitório de escravizados da Whitney Plantation na Luisiana
Dormitório de escravizados da Whitney Plantation na Luisiana
No alto, o dormitório da senhora da Whitney Plantation, em contraste com o quarto de um escravizado. Abaixo, a cozinha de uma choupana

Cozinha de escravos na Whitney Plantation, Luisiana, EUA
Cozinha de escravos na Whitney Plantation, Luisiana, EUA

➡️ O que ver em Whitney Plantation

Em vez do relato burocrático sobre a vida “dos escravos” em uma fazenda de cana-de-açúcar, o visitante tem a chance de encontrar a humanidade, a individualidade, as memórias de pessoas com rosto, nome, sonhos e vontades.

Na chegada, cada visitante recebe um cartão com a imagem e o nome de uma daquelas crianças. Meu companheiro de jornada foi Albert Patterson, entrevistado pelo projeto aos 90 anos de idade.

Memorial aos escravizados na Whitney Plantation na Luisiana
Whitney Plantation, fazenda histórica da Luisiana
Whitney Plantation, fazenda histórica da Luisiana
Whitney Plantation, fazenda histórica da Luisiana
No alto, o memorial aos escravizados. Acima, a casa-grande da Whitney Plantation e seu jardim. Abaixo, a sala de refeições e a sala de estar da mansão
Whitney Plantation, fazenda histórica da Luisiana
Whitney Plantation, fazenda histórica da Luisiana
Whitney Plantation, fazenda histórica da Luisiana

A guia que acompanhou meu grupo tinha muito conhecimento histórico e paixão, enriquecendo a visita com um relato cheio de detalhes e muito vivo.

A Whitney Plantation também mantém um memorial dedicado aos escravizados identificados em inventários de fazendas da região, preservando seus nomes e o pouco que se conseguiu de suas histórias.

A visita guiada à Whitney Plantation é um percurso tocante. Um assombro que provoca indignação, ternura e profunda empatia. Não é fácil, mas é imensamente necessário.

Fazenda histórica Laura Plantation, Luisiana, EUA
Fazenda histórica Laura Plantation, Luisiana, EUA

A varanda multicor da casa-grande da Laura Plantation


Laura Plantation


A Laura Plantation, em Vacheron (a 80 km de Nova Orleans) é um exemplo clássico de fazenda construída e tocada na tradição dos colonos franceses na estabelecidos na Luisiana.

Começando pela arquitetura da casa, construída em 1804, e seu estilo decorativo e chegando à organização da produção, tudo em Laura Plantation segue o mais castiço french creole. Sob esse ponto de vista, a visita à propriedade é uma aula de História bem interessante.

Fazenda histórica Laura Plantation, Luisiana, EUA
As árvores centenárias são o grande encanto no jardim da Laura Plantation

A origem da Laura Plantation remonta a começa em 1804, quando o oficial de Marinha francês Guillaume Duparc recebeu aquelas terras em reconhecimento pela sua participação na Guerra de Independência dos EUA.

Como todas as fazendas da Luisiana da época, a produção na Laura Plantation dependia exclusivamente do trabalho escravo. No início, eram sete pessoas nessa condição, mas, em cerca de 60 anos, o número de escravizados na propriedade chegou a 186.

Sala de estar da casa-grande da Laura Plantation, fazenda histórica da Luisiana, EUA
Sala de estar da casa-grande da Laura Plantation, fazenda histórica da Luisiana, EUA
Os ambientes da casa-grande da Laura Plantation conservam mobiliário de época e dão uma ideia do cotidiano doméstico de uma fazenda do Século 19


Uma curiosidade sobre a Laura Plantation é que aos longo de sua história a propriedade quase sempre esteve sob a administração de mulheres.

A primeira foi a viúva de Duclerc (ele morreu pouco depois de receber as terras), depois sua filha, uma neta e a bisneta Laura, que escreveu um livro com as memórias da fazenda e morreu em 1963.

casa-grande da Laura Plantation, fazenda histórica da Luisiana
casa-grande da Laura Plantation, fazenda histórica da Luisiana
Lembrança das mulheres que dirigiram a Laura Plantation. Abaixo, moradia destinada aos escravos da fazenda
Casebre que servia de moradia a escravos da Laura Plantation, Luisiana, EUA

➡️Visita à Laura Plantation
Endereço: 2247 Highway 18, Vacherie, Luisiana

Horário: diariamente (exceto feriados), das 10h às 17h (início do último tour às 16h). 

Preço: US$ 25. Visitantes com entre 13 e 17 anos pagam US$ 15. Para quem tem entre 6 e 12 anos os ingressos custam US$ 10.

casa-grande da Laura Plantation, fazenda histórica da Luisiana, EUA

Sala de jantar da casa-grande da Laura Plantation


➡️ Na Laura Plantation, só são permitidas visitas guiadas, disponíveis em inglês e em francês, em diversos horários (consulte o site). 

➡️O tour leva cerca de 1h20. Prepare-se para caminhar um bocado pelos jardins e antigas áreas de trabalho. O percurso não é muito amigável para quem tem dificuldade severa de locomoção e o acesso ao pavimento superior da casa não está adaptado para esse público.

Dormitório na casa-grande da Laura Plantation, fazenda histórica da Luisiana, EUA
Um dos dormitórios da casa-grande

➡️ O que ver em Laura Plantation

A casa-grande da Laura Plantation ainda preserva o colorido forte em suas paredes externas, uma característica marcante das fazendas creoles — as fachadas brancas, em geral, identificam propriedades de norte-americanos ou alemães.

Cercada de carvalhos, avarandada e contemplando os luxos de sua época, a casa-grande permite que o visitante tenha uma ideia bem precisa do cotidiano de uma família rica da Luisiana no Século 19.

Sala de estar da Laura Plantation, fazenda histórica da Luisiana, EUA
Jardim da Laura Plantation, fazenda histórica da Luisiana, EUA
Jardim e sala de estar da Laura Plantation


É tudo muito bonito, mas há outro cotidiano que me pareceu muito mais marcante — uma visão bastante perturbadora, pra ser franca: quatro dos casebres originais, de madeira, que serviam de moradia às famílias escravizadas ainda estão de pé.

O contraste com os luxos e confortos da casa-grande é um soco no estômago.

São cubículos parcamente iluminados — é difícil fotografar lá dentro — que normalmente eram ocupados por duas famílias.

O roteiro proposto na visita guiada à Laura Plantation é bastante didático, embora se concentre nas peripécias da família proprietária.

Carvalho centenário na Laura Plantation na Luisiana
Casa-grande da Laura Plantation na Luisiana
Os carvalhos centenários são uma logomarca das fazendas históricas da Luisiana. Acima, a casa-grande da Laura Plantation

Pouco se conhece sobre os escravizados que construíram a prosperidade da fazenda ou de seus descendentes. Mas sabe-se que após a Guerra Civil e a abolição da escravidão grande parte dos trabalhadores permaneceu na plantation.

➡️ Detalhe importante: os pais de Fats Domino, um dos maiores nomes do Rhythm and Blues, teriam vivido e trabalhado em Laura Plantation nos anos 20 do Século passado.

Famosa alameda de carvalhos da Oak Alley Plantation, na Luisiana, EUA
28 árvores formam a famosa Oak Alley ("alameda de carvalhos")


  Oak Alley Plantation


Às margens do Rio Mississípi, em Vacherie, Oak Alley Plantation é o cenário mais fotografado da Luisiana, graças à alameda de carvalhos que dá nome à propriedade e funciona como um romântico dossel sobre o caminho que leva à casa-grande.

São 28 árvores, plantadas no Século 18 — contemporâneas da fundação de Nova Orleans e do início da colonização da Luisiana, quando a fazenda ainda se chamava Bon Séjour (“boa estadia”) e a casa-grande atual ainda não sonhava em ser construída.

A riqueza de Oak Alley foi resultado exclusivo do trabalho escravo, assim como a construção da impressionante casa-grande da plantation.

Um dos proprietários da fazenda foi o magnata creole Valcour Aime, o “Rei da Cana-de-Açúcar”, apontado como o homem mais rico do Sul dos Estados Unidos nas primeiras décadas do Século 19.

Rio Mississípi na Luisiana
A balsa quase desaparece na bruma do Rio Mississipi, passando em frente à Oak Alley Plantation


Oak Alley entrou em decadência no final do Século 19 e sua bela mansão colonial sulista estava praticamente em ruínas no início do Século 20, quando uma praga inviabilizou a cultura da cana-de-açúcar na região. Em 1925, novos proprietários deram início à restauração da propriedade. está aberta ao público.

➡️ Visita a Oak Alley Plantation
3645 LA-18 (Rodovia Estadual 18), Vacherie, Louisiana

Horário: diariamente, das 9h às 17h.

Preço: US$ 25. Visitantes entre 13 e 18 anos pagam US$ 10, crianças entre e e 12 anos pagam US$ 7 e menores de seis anos entram grátis. Aceita cartões de crédito Visa, Master Card e American Express.

➡️ Os administradores recomendam reservar ao menos 2 horas para ver todas as atrações da propriedade e que o visitante chegue antes das 15:30h para aproveitar todas as exposições.

➡️ As visitas à casa-grande (guiadas) são feitas em grupos de até 40 pessoas. O acesso ao segundo andar da mansão não está adaptado para pessoas com dificuldade de locomoção.

Ciclovia sobre o dique Rio Mississipi na Luisiana

O dique que protege a região das cheias do Rio Mississipi ganhou uma ciclovia e ela passa na porta da Oak Alley Plantation


➡️ O que ver na Oak Alley Plantation

Eu não entrei na propriedade, pois escolhi visitar Whitney Plantation e Laura Plantation, que têm histórias mais interessantes.

Mas o motorista do micro-ônibus foi bem camarada e deixou a mim e a outros passageiros diante da linda alameda (do lado de fora da grade) enquanto ia buscar a parte do grupo que optou por visitar Oak Alley (a entrada dos turistas é na parte de trás da propriedade).

Em cerca de 20 minutos, ainda mais do lado de fora, tudo o que dá para fazer são algumas fotos da plantation e do Rio Mississípi, que passa bem em frente.

➡️ O dique que protege a estrada das cheias do rio, uma elevação de uns três metros em relação à estrada, serve de mirante para a alameda de carvalhos e para o Mighty Mississipi, que estava lindão, envolto na bruma—eu sei que é só resultado da umidade e do calor, mas brumas me encantam 😊😊.

Quando você for a Oak Alley, é bom saber que das plantations próximas a Nova Orleans ela é a única a dispor de um restaurante — especializado nas culinárias cajun e creole, naturalmente.

➡️ Também é possível se hospedar em Oak Alley. Não na casa-grande, mas em chalés construídos na propriedade para esse fim. As diárias custam a partir de US$ 175 para ocupação single/dupla.

Em Oak Alley, os visitantes são acompanhados por um guia apenas durante o tour pela mansão.

O resto do tempo, é livre para a exploração dos jardins, da alameda de carvalhos e de outras áreas da fazenda — a parte visitável da propriedade tem mais de 10 hectares (mais de 100 mil metros quadrados).

Há duas exposições permanentes nas dependências da propriedade: “A Escravidão em Oak Alley” e “Acampamento da Guerra Civil”.

No Sugarcane Theater, os visitantes podem assistir a um documentário sobre o cultivo da cana-de-açúcar, origem da riqueza da plantation e reintroduzido nas terras de Oak Alley na década de 60.



Meu roteiro musical nos EUA

Roteiro musical nos EUA - Jazz, Rock e Blues em Nova Orleans, Nashville e Memphis

Ingressos nos Estados Unidos - como organizei meu roteiro musical

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