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04 outubro 2011

Os céus que me protegem (e encantam)

Memorial JK em Brasília
Brasília tem o céu mais bonito que eu conheço. Na imagem, o Memorial JK, projeto de Oscar Niemeyer

Música deste post: Lucy in the Sky with Diamonds, The Beatles

Meu velho/novo lar é um lugar que a maioria dos brasileiros adora desdenhar à distância: “Brasília não tem mar”, “Brasília não tem esquinas”... (Fora a mania de creditar à cidade a culpa pelos desvios éticos na política, como se isso fosse uma questão de latitude e longitude).

O que essa galera não sabe é que a Capital Federal tem um dos céus mais apaixonantes que já vi.

Desde criancinha, adoro olhar para o céu (o jornalismo raptou a futura astrônoma, mas o amor é grande). Quando a vida está chata, quando estou sem paciência pra ler e vige a indigência na programação cinematográfica, são os céus que me protegem do tédio e do mau humor — até o céu de São Paulo é mais atraente que a programação da TV aberta. 

O mundo está cheio de céus bonitos. Em homenagem à minha recente (re)mudança para Brasília (dona do céu mais lindo do planeta), veja alguns céus que andaram de deslumbrando por aí:

07 setembro 2011

A Caravana da Cidadania


Em abril de 1993, acompanhei a primeira Caravana da Cidadania, uma viagem de 4,2 mil quilômetros pelo interior do Brasil, entre Garanhuns (PE) e Vicente de Carvalho (SP), reconstituindo o trajeto feito por Luiz Inácio Lula da Silva, ainda criança, a bordo de um pau-de-arara, fugindo da seca. 
Os mais de 20 dias da Caravana foram narrados por alguns jornalistas no livro "Diário de Viagem ao Brasil Esquecido", publicado pela Editora Scritta em julho de 1993. O livro está esgotado, mas reproduzo aqui o capítulo que me coube na publicação. Infelizmente, não consegui localizar as fotos dessa grande aventura...

Acampamento de trabalhadores rurais em São Bento do Una (PE). Gente que caminha uma légua — seis quilômetros — até a água potável. Carne, só se for de raposa ou de peixe chupa-pedra recolhido na lama do riacho.

As casa são cabanas cobertas de plástico. Luz de fifó, água salobra. São 22 famílias resistindo desde janeiro de 92, brigando por uma terra seca, coberta de mato ralo e cinzento. Recebem-nos cantando: “Se não vem nosso direito, o Brasil perde também”.