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20 novembro 2025

Museus da resistência negra

Estátua de Zumbi dos Palmares na Praça da Sé em Salvador
Zumbi dos Palmares na Praça da Sé, em Salvador

Foi só colocar o ponto final no post sobre o Muncab, em Salvador, para lembrar de outros museus que me tocaram profundamente ao revelar a beleza da arte dos povos da África e a força de sua resistência durante a escravidão e além (porque essa luta ainda não acabou).

São espaços que celebram a memória — a dor, a injustiça, mas também a potência criadora capaz de produzir verdadeiros milagres de beleza no chão do Ocidente.

Alguns desses museus nos colocam diante do gênio de Maria Auxiliadora (1935–1974), Rubem Valentim (1922–1991), Mestre Didi (1917–2013) e Heitor dos Prazeres (1898–1966), ou da vibração que nasce dos 12 compassos do Blues e do metrônomo do meu coração: o Rock’n’Roll. 

Não vou repetir aqui os museus com temática musical, que já foram bastante falados aqui na Fragata (veja o post: 10 museus imperdíveis para quem ama música) ou mesmo sobre espaços dedicados às artes visuais de modo geral (tem um índice de museus e sítios arqueológicos completíssimo aqui no blog). 

O assunto de hoje são museus militantes, que falam de luta, que contam histórias de resistência — ainda que estejam, também, repletos de belezas. Eles nos relatam fatos e processos como a revolta de escravizados na pequena ilha de Curaçao, no século 18, e a longa, árdua e corajosa conquista dos Direitos Civis pelos afro-americanos.

São janelas para histórias muitas vezes invisibilizadas, mas indispensáveis para compreender a humanidade e celebrar suas conquistas. No Dia da Consciência Negra, a Fragata lembra Zumbi dos Palmares e destaca alguns museus que merecem entrar no roteiro de viagem de quem se encanta com a ideia de um mundo mais justo.

02 novembro 2025

10 museus imperdíveis para quem ama música

Museus para quem gosta de Música
Que me desculpe o Instagram, mas minhas melhores viagens cabem mais no Spotify

Sei que as viagens estão cada vez mais formatadas para o Instagram, mas insisto: também leve seus ouvidos pra passear. E não só para escutar o mundo — sotaques, burburinhos urbanos e murmúrios da natureza. Minhas melhores viagens foram roteiros musicais.

Se você é daquelas que viajam com trilha sonora, aqui vão 10 museus imperdíveis para quem ama música.

Museus para quem gosta de música
O Cais do Sertão (à esquerda) é um dos museus mais instigantes que já visitei. À direita, o Museu do Jazz de Nova Orleans, um banquete musical

São 10 lugares pra começar a explorar o ritmo de cidades profundamente marcadas pela história de artistas e gêneros musicais e as transformações culturais que eles expressam.

Junte o Google Maps com as cinco linhas da pauta musical, marque o ritmo do roteiro nos 12 compassos do Blues, no balanço do Rock’n’Roll e no pulsar do Baião e vamos passear por esses 10 museus imperdíveis para quem ama música.

Se der vontade de dançar, se jogue.

Museus para quem gosta de música
Eu adoro casas-museus e curti muito visitar uma das residências de Mozart, em Salzburgo, e a casa onde Carlos Gardel morou, no Bairro de Abasto, em Buenos Aires

Veja as dicas:

27 outubro 2025

Roteiros criativos - Memphis: blues, rock'n'roll e consciência na veia

Calçada da Fama do Orpheum Theater de Memphis nos Estados Unidos
Meus pezinhos na Calçada da Fama do Orpheum Theater de Memphis, junto com um dos reis da cidade

Poucas vezes na vida vi uma cidade com tanta alma quanto Memphis — e de cidades com alma eu entendo, pois nasci e cresci em Salvador. Às margens da vastidão do Rio Mississippi, a capital do blues e do rock’n’roll guarda muitas histórias, cicatrizes profundas e um ritmo que convida a dançar no meio da rua.

Quando se fala em roteiros criativos, Memphis é incontornável.

Museu de Graceland em Memphis
Graceland, o castelo de Elvis, virou um imenso museu dedicado à memória do Rei do Rock'n'Roll

Menos famosa que sua prima Nova Orleans, menos grandiosa do que Chicago ou Nova York, menos solar que Miami, ela materializa os versos de Caetano: “o negro que viu a crueldade bem de frente / E ainda produziu milagres de fé no extremo ocidente”.

Feita de ritmo e emoção, Memphis não precisou de esforço algum para entrar na lista das cidades mais apaixonantes que já visitei.

Grafite "I Am a Man" em Memphis
I Am a Man foi o grito de luta dos trabalhadores negros do saneamento de Memphis em 1968. Mais que um slogan sindical, afirmava humanidade e dignidade em meio ao racismo institucional. Tornou-se símbolo poderoso do movimento dos direitos civis liderado por Martin Luther King Jr

Veja por que:

12 outubro 2025

Roteiros criativos - um passinho além do óbvio

Arco de Santa Catalina em Antigua Guatemala
Se você curte cidades coloniais, vai se apaixonar por Antigua Guatemala

Há destinos que todo mundo sonha conhecer — Paris, Roma, Londres, Nova York. Mas, como diz minha canção favorita, tem muito mundo pra se ver. E é justamente esse “muito mundo” que inspira a nova série do blog: Roteiros Criativos — viagens por caminhos menos óbvios, cheios de histórias, sabores e descobertas.

São cidades e vilarejos onde a vida segue seu ritmo autêntico, ainda não moldado pelo turismo de massa —  e, de quebra, com preços muito mais amigáveis. Perfeitos para inspirar roteiros criativos, capazes de transformar qualquer viagem em uma experiência única.

Jardins do Turia em Valência na Espanha
Os Jardins do Turia, parque delicioso em Valência, na Espanha
 
Este post abre uma série dedicada a esses roteiros criativos. Não se trata de nada secreto, misterioso ou repleto de perrengues — meu lado Lara Croft anda bem comportado. A ideia é simplesmente sugerir destinos que merecem muito mais atenção de viajantes curiosos e dispostos a ir um passo além do óbvio.

Não é preciso abandonar Paris (quem seria capaz?), mas por que não incluir Rouen no roteiro?
Veneza e Florença são, sem dúvida, imperdíveis — mas Bolonha, ali no meio do caminho, é uma joia que muitos deixam passar.

Pórtico em Bolonha na Itália
Os famosos pórticos de Bolonha acompanham o visitante nas andanças pela cidade. São mais de 40 km dessas colunatas, protegendo o caminhante do sol e da chuva

Gosta de cidades coloniais? Experimente descobrir Antigua, na Guatemala, ou Villa de Leyva, na Colômbia.

E se Madri e Barcelona são paradas obrigatórias, que tal transformar essa dupla em um triângulo, acrescentando Valência?

Entendeu o espírito da coisa? Esses roteiros criativos não vão obrigar você a atravessar pontes de cordas nem a explorar subterrâneos cheios de bichos estranhos. São lugares fáceis de chegar, conhecidos e até turísticos, mas que recebem muito menos atenção do que merecem.

Vila de Lindos na Ilha de Rodes na Grécia
Lindos, na Ilha de Rodes: mar impecável, ruínas da Antiguidade e casinhas brancas sem muvuca

Nos próximos posts, trarei sugestões e inspirações para quem quer viajar com um olhar mais curioso e criativo — sem abrir mão do conforto, da beleza e, claro, da emoção de descobrir o novo.
Veja as dicas e prepare-se para se encantar pelos caminhos menos óbvios.

Veja o que vem por aí nesta série, com posts bem detalhadinhos:

02 março 2021

Todas as dicas dos Estados Unidos - post índice

French Quarter, Nova Orleans, Estados Unidos
A deliciosa Nova Orleans, que visitei em um roteiro musical pelos EUA, em 2018

O cinema de Hollywood, o charme de Nova York, o Jazz, o Blues e o Rock'n'Roll estão no topo da minha lista de paixões. Foram eles que me levaram pela mão em quase uma dezena de viagens aos Estados Unidos — a primeira delas em 1972, para ver a recém-inaugurada Disneyworld, em Orlando.

Neste post, você vai encontrar todas as dicas dos Estados Unidos publicadas aqui na Fragata. Grande parte do conteúdo refere-se a duas viagens recentes (de 2018): meu retorno a Nova York e o roteiro musical por Nova Orleans, Nashville e Memphis.

Arquitetura art-déco em Miami Beach, Estados Unidos
Sou fã da arquitetura art-déco de Miami Beach

São dicas bem detalhadas sobre onde comer, o que fazer, onde se hospedar e como se virar nessas cidades imperdíveis.

Tem também as dicas sobre o que fazer em um dia em Miami — cidade que revisitei brevemente em uma conexão da viagem ao México.

Espero que você aproveite as dicas dos Estado Unidos para organizar sua viagem.

18 agosto 2020

O dia que eu falei mal de Elvis Presley

Discos de Elvis Presley
Houve um tempo em que eu não gostava de Elvis — azar o meu

Ah os arroubos juvenis... Eu mal tinha acabado de escutar o Never Mind the Bollocks, numa tarde do longínquo 1975, e já estava possuída pelo pelo espírito de Francis Fukuyama (antes de Fukuyama, por sinal). Decretei o fim da história.

"O Rock parou aqui", sentenciou a Eu-aos-14-aninhos, convicta de que nada mais suplantaria o viço transgressor, visceral e inovador contido no álbum da banda punk Sex Pistols. Se você está rindo da minha prepotência, ainda não viu nada: muito pior foi o dia que eu falei mal de Elvis Presley.

Disco Never Mind the Bollocks, dos Sex Pistols
Juventude é um perigo: eu escutei os Pistols e já saí decretando o fim da História do Rock 😁

Sim, porque a profecia adolescente ficou no ouvido de duas ou três testemunhas. Mas meu ataque a Elvis foi público, impresso em um jornal de respeitável tiragem, texto de página inteira na capa de uma caderno B que todo mundo lia (todo mundo em Salvador, pelo menos). E eu já estava mais crescidinha, tinha 26 anos.

Pra piorar, falei mal de The Pelvis na véspera da data em que ele completava 10 anos de morto (16 de agosto de 1987). E foi na véspera porque, na época, a Tribuna da Bahia não circulava aos domingos.

Meu texto (que eu transcrevo na íntegra, mais abaixo) provocou um deus nos acuda. O telefone da redação da Tribuna não parava de tocar — nunca imaginei que o fã clube de Elvis fosse tão grande na Bahia.

Tag de mala com Elvis Presley
Hoje, Elvis até viaja comigo

Era gente me xingando de tudo que é nome, alguns ameaçando me dar um corretivo. Teve até ameaça de morte — naquele tempo, achei pitoresco. Fosse no Brasil de hoje, ia ficar verdadeiramente preocupada.

O fuzuê durou uma semana — tempo pelo qual fui orientada pela chefia da redação a entrar no jornal pela rua de trás, pela porta da gráfica, para evitar o piquete. Sim, teve piquete de protesto. Magrinho, mas teve.

O que demorou muito mais pra passar foi meu desencontro com Elvis Presley. Eu ainda ia levar mais de uma década pra enxergar o artista (e que gigantesco artista!) que a soberba dos meus 26 anos sequer intuía. Com todas as contradições que eu cito no artigo, Elvis entrou pra o meu panteão — e John Lennon, fã de carteirinha de The Pelvis, teve uma participação fundamental na minha conversão.

Estátua de Elvis Presley em Memphis
Estátua de Elvis em uma esquina da legendária Beale Street, a rua do Blues, em Memphis

Mas pra alguma coisa a passagem do tempo tem que servir, né? Hoje, eu puxo as minhas orelhas pela petulância juvenil e cumpro a deliciosa penitência de ouvir, cantar e dançar com Elvis.

Em novembro de 2018, tive a imensa alegria de visitar Memphis, uma baita cidade, que pode bater no peito e se orgulhar de ser o lar do Blues e o berço do Rock'n'Roll. Memphis também é a terra adotiva de Elvis (nascido em Tupelo, Mississípi, em 8 de janeiro de 1935), a quem prestei as devidas homenagens.

Elvis Presley

Que bom que eu consegui descobrir Elvis Presley em uma encruzilhada desse meu caminho pela vida.

Aproveitando que a Fragata está no estaleiro por conta da pandemia, resolvi compartilhar essa história e o texto sacrílego que escrevi em 1987.

A morte de Elvis completou 43 anos há dois dias (16/08/2020).

28 abril 2019

Ingressos nos Estados Unidos: como organizei meu roteiro musical

Ingressos de um roteiro musical por Memphis, Nova Orleans e Nasville
Alguns ingressos do meu roteiro musical nos EUA eu comprei com antecedência. Mas a maioria pode ser comprada na hora, sem problemas

Minha viagem aos Estados Unidos, em Novembro passado, foi dedicada à música. Fiz um roteiro musical por Nova Orleans, Nashville e Memphis, três cidades do balacobaco neste quesito (e em outros), onde há oferta de shows todos os dias, nas mais variadas horas do dia.

Além de assistir às programações normais de bares, honky tonks e nightclubs em Nova Orleann, Memphis e e Nashville, fiz questão de garantir entradas, com antecedência para ver algumas atrações especiais, como o super-mega-blaster blueseiro Joe Bonamassa, que tocou em Memphis em uma das minhas noites na cidade.

Show de Joe Bonamassa em Memphis, EUA

Joe Bonamassa: assistir a este imenso discípulo de BB King em Memphis, a cidade do Blues, vale umas 200 fichinhas no jogo de 1.000 coisas para fazer antes de morrer


Como resultado dessa experiência, posso garantir que comprar com antecedência ingressos nos Estados Unidos para atrações e espetáculos para nos Estados Unidos é muito mais fácil do que a gente imagina — a internet está aí para isso mesmo e os sistemas costumam ser confiáveis e fáceis de usar.

E isso não vale só para grandes shows, mas também para museus, peças teatrais, musicais da Broadway (em Nova York) e outras atrações mais concorridas.

Ingresso para Graceland, a casa de Elvis Presley em Memphis

O ingresso para Graceland, a casa de Elvis, não exige compra com antecedência, exceto se sua visita for nos períodos fervidos em Memphis, como janeiro, maio e agosto


Veja como foram as minhas experiências de compra de ingressos nos Estados Unidos — presencialmente e pela internet e saiba quais são as atrações musicais de Memphis, Nashville e Nova Orleans para as quais você deve garantir suas entradas com antecedência:

24 abril 2019

Música em Memphis - Beale Street, a passarela do Blues

Beale Street em Memphis

Para a comunidade negra de Memphis, Beale Street foi a Broadway, a 5ª Avenida e Wall Street


Se você vai a Beale Street, não precisa usar flores no cabelo. Mas é bom saber que aquela aquela fieira de quarteirões ofuscada pelos letreiros de neon das casas de shows não é um parque temático musical.

Principal endereço da música em Memphis, Bele Street é um cenário histórico e cultural dos mais significativos do Século 20. 

Afinal, Beale Street é o coração da comunidade negra que botou Memphis e o Tennesse no mapa.

É a rua que se reivindica — com absoluto direito — como o Lar do Blues e pista onde engatinharam o Rhythm'n'Blues e o Rock’n’Roll. 

Beale Street em Memphis

Que outra rua do mundo pode ostentar o título de Lar do Blues?


Muita coisa mudou naquela rua, desde a chegada dos pioneiros do Blues, mas ela continua sendo o endereço da diversão embalada em 12 compassos. Se você quer ouvir música em Memphis, Beale Street será uma escala inescapável — com muitos retornos, eu aposto.

Então, se liga nessas dicas para aproveitar o melhor da Música em Memphis e de Beale Street:

21 abril 2019

Mala de mão - uma bagagem prática para duas semanas e duas estações

Mala de cabine no padrão exigido pelas companhias aéreas
Essa identificação de bagagem com Elvis, comprada em Graceland, foi um dos poucos acréscimos de peso (😁😁 ) sofridos pela minha malinha nesta viagem. Viajar leve não combina muito com compras

Eu sempre fui escandalosamente minimalista na hora de arrumar a mala. Gosto de viajar leve e fui ficando cada vez mais craque na bagagem prática.

Meu figurino, muito básico, ajuda. Mas o grande estímulo é minha aversão arrastar trambolho 😊. É por isso que sou fã de mala de mão.

A bagagem de mão é uma grande amiga das viajantes-solo: nem sempre dá para contar com alguém que ajude a levantar uma mala grande e pesadona para embarcar em um trem ou acomodá-la em um bagageiro mais alto e outros perrengues.

Casarão histórico em Nova Orleans, Estados Unidos

Verão esticado: em pleno novembro, peguei sol e 30º C em Nova Orleans


E vamos combinar que não despachar bagagem  nos poupa de perder tempo esperando a mala diante de uma esteira de aeroporto — "Será que chegou? Será que extraviou?"

E isso vem desde o tempo em que as companhias aéreas não cobravam a mais pelo despacho da bagagem — eu até despachava a mala, mas nunca esquecia que, depois que ela saísse do porão do avião, era eu que ia carregá-la.

Nova Orleans, barco a vapor Natchez

O verão se prolongou, mas o calor e a umidade de Nova Orleans, vez por outra, viravam chuvarada


Agora, com as taxas salgadas que temos que pagar para a mala ir no porão do avião, organizar uma bagagem prática e compacta virou também questão de economia.

Convém lembrar que neste mês de abril/19 as companhias aéreas endureceram a fiscalização para garantir o cumprimento das regras e estão conferindo as medidas das malas de mão. Está bem mais difícil tentar espertezas para embarcar com bagagem fora do padrão.

As medidas máximas para malas de cabine agora são 55 cm (altura) x 35 cm (largura) x 25 cm (profundidade), incluindo bolsos, rodas e alça. A mala de mão fora desse padrão será encaminhada para o porão e será cobrada a taxa correspondente pelo despacho da bagagem.

Neve em Memphis, Tenesssi, Estados Unidos
Depois do calorão de Nova Orleans, peguei a maior friaca em Nashville e neve (!!) em Memphis. Olha só a Cidade do Blues branquinha

Essa visita mais recente aos Estados Unidos, porém, apresentou alguns desafios ao meu apego à bagagem prática.

Meu roteiro musical pelos EUA, na primeira quinzena do último novembro, foi uma viagem por duas estações do ano completamente opostas, condensada em duas semanas: o calorão de Nova Orleans e o frio congelante que encontrei em Nashville e Memphis, com direito até a neve fora de hora.

Veja minhas dicas para arrumar a mala básica e leve (9,2 kg), sem correr o risco de ser surpreendida pelo clima ou ficar sem roupa limpa no meio da viagem:

17 abril 2019

Memphis - Museu Nacional dos Direitos Civis


Letreiro do Lorraine Motel, onde está instalado o Museu Nacional dos Direitos Civis, em Memphis, EUA

"Eu tenho um sonho". O Museu Nacional dos Direitos Civis está instalado no Lorraine Motel, onde Martin Luther King foi assassinado


Se você concorda comigo que museus não devem nunca ser meros "depósitos de coisas" — por mais ricas e raras que elas sejam —, está na hora de planejar uma visita ao Museu Nacional dos Direitos Civis, em Memphis.

A instituição é um tributo a uma luta que ainda não acabou. Por isso mesmo, o Museu Nacional dos Direitos Civis tem lado.

Museu Nacional dos Direitos Civis, Memphis, EUA
O Museu Nacional dos Direitos Civis tem lado. E é essencial

Ele conta a história da luta pelos Direitos Civis da população negra dos Estados Unidos desde a escravidão até 1968, ano do assassinato de Martin Luther King.

É um museu explicitamente militante, que e conjuga a preservação da memória com o ativismo — que coloca a memória a serviço dos avanços sociais que ainda estão por ser conquistados. 

Grafite em Main Street lembra a greve dos trabalhadores da limpeza urbana de Memphis, em 1968

Grafite em Main Street lembra a palavra de ordem dos trabalhadores da limpeza urbana de Memphis na histórica greve de 1968. "I am a Man" ("Eu sou um Homem") é um lema usado desde as campanhas abolicionistas nos EUA


A peça mais importante no acervo do Museu Nacional dos Direitos Civis não é um objeto, ou um vídeo ou uma memória. É a militância viva.

A mesma militância que enfrentou o racismo, a política de segregação e a negação de direitos elementares à população afrodescendente dos Estados Unidos, como o de poder votar ou frequentar a escola que quisesse.

Boicote aos ônibus em Montgomery, Alabama, contra a segregação racial

Instalação no Museu Nacional dos Direitos Civis lembra o boicote aos ônibus de Montgomery, Alabama, em protesto contra a segregação racial no transporte público. O movimento se estendeu por mais de um ano e levou a Suprema Corte Americana a declarar a ilegalidade da discriminação


Boicote aos ônibus em Montgomery, Alabama, contra a segregação racial

Memphis, a cidade do Blues e do Rock'n'Roll, é absolutamente indissociável da história do povo que gestou esses dois gêneros musicais que apaixonam o mundo.

A alma africana de Memphis resplandece e a visita ao museu que conta a luta contra o racismo é o justo tributo aos homens negros e mulheres negras que nos legaram os sons que nós amamos.

O Museu Nacional dos Direitos Civis de Memphis não é só emocionante. Ele é provocativo, instigante e profundamente humano. Veja o que você vai encontrar lá e um pouco da história que ele conta:

25 março 2019

Onde comer em Memphis

Dyer's Burgers em Memphis, Tennessee

Comer em Memphis: viva a gastronomia roqueira!


Este não é um guia gastronômico. São minhas dicas de onde comer em Memphis entre um show e outra farra musical. Em uma cidade com tanta música boa e tantas memórias de grandes músicos, confesso que a última coisa que me passava pela cabeça era me preocupar com refeições.

Eu fui a Memphis alimentar os ouvidos. Mas saco vazio não para em pé — e, muito menos, consegue se sacudir ao ritmo do Blues e do Rock’n’Roll. Então, é claro que eu comi em Memphis. E muito bem, diga-se de passagem.

O que eu fiz foi estender minha imersão total na Memphis musical também para a hora do rango.

Sun Studio em Memphis nos EUA
Vale uma paradinha no café do Sun Studios e beliscar alguma coisa à sombra de Elvis Presley, Carl Perkins, Johnny Cash e Jerry Lee Lewis
Show ao vivo em Memphis nos EUA
Não fui lá por causa da comida, mas o gumbo do Rum Boogie Café, em Beale Street, estava bem bom

Então, este não é um post sobre restaurantes, mas sobre diners, cafés e tavernas. Não fala de alta gastronomia, mas de comida rápida, sanduíches e outros petiscos que não atrapalham a farra sonora. Eu não ia deixar meu estômago roncar mais alto que as guitarras, né?

Enfim, essas são minhas dicas de onde comer em Memphis sem interromper a imersão musical. Meu guia gastronômico-roqueiro de Memphis não tem estrelas Michelin, mas encaixa direitinho naqueles 12 compassos que são a alma da Cidade do Blues.

Enjoy 😊.

21 março 2019

Graceland - a casa de Elvis Presley em Memphis

Graceland em Memphis
Elvis morou em Graceland de 1957 até sua morte, em 1977

Graceland, o lar definitivo de Elvis Presley,  reúne tudo que um fã gostaria de encontrar. Lá estão as memórias domésticas de Elvis, preservadas na extravagante mansão, seus carros e aviões e uma vasta e minuciosa coleção de documentos e objetos que percorre toda a vida e carreira do Rei do Rock.

Até mesmo o túmulo de Elvis está em Graceland, no Jardim da Meditação que ele mandou construir para seus momentos de reflexão.

Não é à toa que 650 mil pessoas atravessam os famosos Portões Musicais de Graceland todos os anos para uma jornada sentimental — um mergulho na trajetória de um dos maiores ícones do Século 20, o cara branco com voz de negro que encarnou o Rock’n’Roll.

Os portões musicais de Graceland
Os famosos Portões Musicais de Graceland

Sempre tive uma relação meio contraditória com Elvis Presley. Eu o conheci como a estrela de filmes bobos que passavam na sessão da tarde, nos anos 70, e como o coroa meio gordo em trajes espalhafatosos, cantando para plateias acomodadas em Las Vegas.

Foi John Lennon — fã de carteirinha dele e meu guru pra quase tudo na vida — quem me mostrou o outro lado, o Elvis visceral, o excelente cantor, o ídolo que ajudou a quebrar inúmeros tabus, inclusive vários em que ele mesmo acreditava.

Na minha visita a Graceland, encontrei esses dois Elvis. E ambos me comoveram profundamente.

Veja como organizar sua visita a Graceland, a casa de Elvis, e o que você vai encontrar por lá:

17 março 2019

Dicas de Memphis - como organizar sua viagem


Beale Street, a rua do blues em Memphis, EUA
Quem gosta de música se esbalda em Memphis. Esta é Beale Street, rua que se proclama "o berço do Blues"


Memphis tem atrações até dizer chega, mas o que eu mais gostei na cidade foi o astral — uma cidade que se orgulha de ser o lar do Blues e de Elvis Presley não poderia mesmo ter a cintura dura, né?

Organizei neste post as dicas de Memphis que estavam faltando pra ajudar no seu planejamento de viagem — as informações sobre como chegar e circular e sobre as melhores épocas para visitar Memphis e aproveitar seu vasto calendário de eventos estão nos posts anteriores.

Guitarra de Muddy Waters e estrela de BB King em Memphis
A Guitarra de Muddy Waters no Hall da Fama do Blues e a estrela de BB King na Calçada da Fama do Orpheum Theater

Sun Studio em Memphis, EUA

No Sun Studio foram gravados grandes clássicos do Rock'n'Roll


Aqui você vai saber sobre a segurança em Memphis, o clima mês a mês, as melhores regiões para se hospedar e os preços — adianto que o lar do Blues é mais em conta que as demais cidades do meu roteiro.

Aposto que você vai se apaixonar por essa cidade musical e muito fácil de explorar. Aproveite as dicas de Memphis e prepare-se para cair no Blues e no Rock’n’Roll 🎸🎸.

13 março 2019

Roteiro em Memphis: nos passos de Elvis Presley


Estátua de Elvis Presley na Beale Street, em Memphis, Tenessi

A estátua de Elvis, na Beale Street, é um ótimo lugar para começar o roteiro em Memphis nos passos do Rei do Rock'n'Roll


Graceland é a atração mais famosa de Memphis. Todos os anos, 650 mil pessoas visitam a mansão que foi o lar de Elvis Presley em seus últimos 20 anos de vida e onde ele está sepultado. O encontro com a memória do ídolo na cidade, porém, vai muito além dessa “peregrinação”.

Um roteiro em Memphis nos passos de Elvis pode render vários dias — dependendo do grau de paixão, rende várias visitas à cidade, também.

Além de Graceland, os locais mais procurados pelos fãs de Elvis em Memphis são o Sun Studio, onde ele gravou suas primeiras canções, e a Concha Acústica do Overton Park, onde Presley fez seu primeiro show profissional.

Duas das casas onde ele viveu antes de Graceland ainda estão de pé e conservadas — em Lauderdale Court, é possível não só visitar o interior do imóvel como até mesmo dormir no quarto ocupado pelo ídolo, entre 1949 e 1953.



Eu adoro jornadas sentimentais na companhia de grandes personagens. Antes de embarcar para o meu roteiro musical nos Estados Unidos, pesquisei obsessivamente para montar esse roteiro em Memphis nos passos de Elvis. 

Não deu para ver tudo, mas arrumei (mais) um bom motivo pra voltar a essa cidade que me deixou apaixonada 😊.

Alguns dos lugares essenciais na história de Elvis em Memphis já não existem mais (são os que estão marcados no texto e no mapa com os elvisinhos vermelhos). Mas vários pontos frequentados e curtidos pelo astro continuam de pé, podendo ser visitados (procure os elvisinhos verdes).

Bora mergulhar no Rock’n’Roll neste roteiro roteiro Elvis em Memphis: 

10 março 2019

A melhor época para visitar Memphis - festivais de música e outros eventos

Elvis Presley e o Blues, as duas grandes atrações de Memphis
Elvis e o Blues garantem muita música e diversão o ano inteiro em Memphis, mas os meses de maio e agosto são especiais

Para cair no Blues e Rock’n’Roll, qualquer época é boa em Memphis. A cidade é movimentada o ano inteiro por muitos shows e eventos, tem música ao vivo todas as noites e um astral que nem me deixou perceber o frio inesperado e cortante que encontrei por lá, na metade do último novembro.

Na movimentadíssima Memphis, a música predomina entre as atrações, mas não monopoliza as atividades. Tem programação para todos os gostos.

Grafite em uma rua de Memphis lembra a luta contra a segregação racial e pelos Direitos Civis nos EUA
A luta contra o racismo e pelos Direitos Civis também é muito celebrada em Memphis. Este grafite em Mulberry Street lembra personalidades que se destacam na luta contra a segregação racial nos EUA

Memphis tem animadas temporadas esportivas, com destaque para o basquete (o time local Memphis Grizzilies joga na NBA), o beisebol e o futebol. Também tem uma Fashion Week (em abril), festivais gastronômicos, uma temporada lírica e muito mais.

E é importante lembrar que Memphis também é um dos símbolos da luta contra a segregação racial e pelos Direitos Civis nos Estados Unidos. O respeito e carinho pela memória de Martin Luther King, assassinado na cidade, em 1968, se expressa em vários eventos ao longo do ano.

Se você quer um motivo especial para ir à cidade que se celebrizou como o lar do Blues e de Elvis, acredite, vai encontrar muitos. Veja os principais eventos que movimentam Memphis ao longo do ano:

06 março 2019

Transporte em Memphis - como chegar e como circular pela cidade do Blues

Bonde em Memphis, EUA
Memphis também tem bondinho. Este faz a Linha de Main Street, no Centro da cidade


Explorar os encantos de Memphis é muito fácil. Com mais de 650 mil habitantes — a 20ª em população nos Estados Unidos — a cidade do Blues concentra maioria de suas atrações no perímetro de Downtown (o Centro), uma área com menos de 5 km². Eu fiz a imensa maioria dos meus deslocamentos a pé.

Minha terceira parada no roteiro musical pelos Estados Unidos, Memphis está às margens do Rio Mississipi, no estado do Tennessee, a 340 km de Nashville e a 640 km de Nova Orleans.

A cidade é uma escala muito popular em viagens de carro pelo Sul dos EUA — mas jamais cometa o erro de dar só uma passadinha por Memphis, pois ela merece muito mais do que isso.

Hall da Fama do Blues em Memphis, Tennessee
O bonde de Main Street tem uma parada quase na porta do Hall da Fama do Blues. Ainda que você fique com preguiça de caminhar, continua sem desculpas pra não visitar uma das atrações mais imperdíveis de Memphis



Memphis é conectada por voos diretos às principais cidades americanas (Miami, Chicago, Washington, Nova York e Los Angeles, por exemplo).

Neste post, reuni todas as dicas de transporte em Memphis: como chegar (de avião e de ônibus), como ir do aeroporto ou da estação rodoviária ao Centro e como se deslocar pela cidade.

Tudo o que você precisa saber para chegar a todas as atrações dessa cidade sedutora e imperdível.

Veja as dicas:

26 fevereiro 2019

Hospedagem em Memphis: ótimo hotel perto das grandes atrações da cidade do Blues

A vista do apartamento do hotel Holiday Inn Memphis Downtown
A vista do meu quarto no hotel Holiday Inn Memphis Downtown. Repare a neve nos toldos, lá em baixo

Nas diversas faixas de preço, há hotéis ruins e hotéis legais. E há os hotéis que contribuem decisivamente para uma estadia inesquecível em um destino de viagem. Foi o caso da minha hospedagem em Memphis.

Super bem localizado (a um pulo de Beale Street), com uma equipe simpaticíssima e acomodações muito gostosas, o hotel Holiday Inn Memphis Downtown contribuiu demais para que meus quatro dias na cidade fossem algo bem próximo da perfeição.

Recepção e o bar do hotel Holiday Inn Memphis Downtown
A recepção e o bar do hotel

Não que houvesse alguma chance de eu não gostar de Memphis, ainda que eu tivesse dormido na rua — e olha que até nevou quando eu estava lá. A cidade do Blues e do Rock’n’Roll é daquelas que eu já amava antes de conhecer. Só não saia que ia amar tanto.

Mas tudo fica ainda melhor quando a gente sabe que vai voltar para um quarto amplo, cheiroso e confortável, encontrar uma caminha fofinha, uma ducha forte, alguns paparicos e excelentes dicas da equipe do hotel.

Veja como foi a experiência hotel Holiday Inn Memphis Downtown:
 

22 fevereiro 2019

O que fazer em Memphis, a cidade do Blues


Beale Street, lar do Blues em Memphis, Tenessi

Nem a neve, que surpreendeu todo mundo, esfriou a alma blueseira de Memphis. Na imagem, Beale Street, a rua do Blues


No princípio, era o Blues. Daqueles 12 compassos brotou tudo que mais importa pra mim. E se o Blues nasceu no Delta do Mississipi, foi em Memphis que ele se aboletou, montou casa e se espalhou pelo mundo.

E que cidade é essa Dona Memphis! Contraditória, segregada, problemática, sem grandes paisagens para selfies... E foi ela quem mais arrebatou meu coração durante meu roteiro musical pelos Estados Unidos — e olha que as outras paradas foram em Nova Orleans e Nashville.

Pois eu arriei de quatro pneus pela cidade do Blues. Se você gosta de música, vai encontrar muito o que fazer em Memphis. Se não gosta tanto, acho que nem assim vai escapar imune.

Grafite em Main Street, Memphis, lembra o movimento pelos Direitos Civis nos EUA

"I am a man". O grafite em Main Street relembra a palavra de ordem dos trabalhadores da limpeza pública de Memphis, em 1968, reivindicando condições dignas de trabalho. Martin Luther King estava na cidade para apoiar o movimento quando foi assassinado


É que a mesma alma que se derrama naqueles 12 compassos dá a Memphis uma vivacidade e um calor que eu jamais pensei encontrar no Sul dos Estados Unidos, às margens do Rio Mississipi — ou que fossem além de Nova Orleans.

A primeira coisa que você vai fazer em Memphis (e repetir obsessivamente) é ouvir música.

Vai bater ponto três vezes por dia em Beale Street, legendária “5ª Avenida” da comunidade afro-americana da cidade em tempos idos, hoje passarela de bares e clubes com shows — e que shows! — ao vivo. (A música em Beale Street ganhou um post exclusivo).

Fábrica de Guitarras Gibson em Memphis, EUA
A fábrica das legendárias guitarras Gibson está se despedindo de Memphis. E o que importa? Os guitarristas — com Gibsons e Fenders — continuarão chegando aos montes pra mostrar sua arte


Em Memphis, você vai ouvir música nos museus, nos restaurantes, no transporte público. Vai se controlar pra não requebrar no meio da rua aos acordes do Blues, do Rock’n’Roll, do Rhythm’n’Blues, Rockabilly e o escambau.

E, lá pras tantas, vai mandar tudo às favas e dançar com gosto e sem vergonha — mesmo quando a música estiver tocando só na sua cabeça.

O que você mais vai fazer em Memphis é se apaixonar por ela. Vai morrer de amor por essa cidade paradoxal, posta no mapa pelo engenho e pela arte de um povo segregado ao gueto, pioneira na conquista de escolas públicas para crianças negras. 

A urbe regida por reis e rainhas africanos como BB King, Albert King, Howlin' Wolf, John Lee Hooker, Little Milton e Memphis Minnie. A mesma onde Martin Luther King recebeu o tiro fatal de um racista, em 1968.

Bora passear comigo por Memphis, a sensacional cidade do Blues: