Mostrando postagens com marcador Música. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Música. Mostrar todas as postagens

05 fevereiro 2026

Trilha sonora para Salvador - 50 canções pra embalar seus passeios na cidade


Tem cidade mais musical do que Salvador? Essa é uma terra em tom maior, com ladeiras que parecem ter sido desenhadas pra ensinar uma ginga de corpo no sobe e desce, com o mar de Caymmi marcando o ritmo.

Qualquer tentativa de montar uma playlist de trilha sonora pra Salvador é uma cachoeira musical. As 50 canções deste post são uma escolha pessoal de memórias e alegrias reunidas em minhas décadas escutando a cidade.

Espero que ajudem a embalar seus passeios por Salvador.

 

14 janeiro 2026

O discreto charme da boemia nos Barris

Bares nos Barris em Salvador
O núcleo etílico dos Barris antes da muvuca (que nem é tanta). O trechinho boêmio fica de cara para a Biblioteca Central

Rio Vermelho ou Santo Antônio? Quem pensa em farra em Salvador costuma ficar dividido entre esses dois bairros, muito bem providos de bares e restaurantes para todos os gostos. Recentemente, porém, minha simpatia palpita pela boemia nos Barris, bairro do ladinho do Centro Antigo e de respeitável tradição notívaga.

Farrear nos Barris é pra quem procura uma vibe nada frenética, com conversa longa em voz confortável, que não precisa subir de tom acima de música estridente. 

A boemia nos Barris tem uma madrinha surpreendente:  a Biblioteca Central do Estado da Bahia, ou simplesmente, "Biblioteca dos Barris" — a instituição pública do gênero mais antiga da América Latina, fundada em 1811 — ganhou a sede atual no bairro em 1970. Sua programação cultural, especialmente as sessões de cinema na Sala Walter da Silveira, sempre atraiu um público interessante e fiel para a área. 

O núcleo boêmio dos Barris é pequenininho, mas animado. Ele se resume a uns 200 metros da Rua General Labatut em frente à Biblioteca, onde se alinham bares como a Cantina dos Barris, o Velho Espanha, o libanês Baladna e o Resenhas Gourmet. O clima é adorável: conversas animadíssimas nas mesas e celulares esquecidos — até pode rolar uma selfie, mas a alegria-ostentação definitivamente não é a marca do lugar.

Veja como curtir a boemia nos Barris:

11 janeiro 2026

Samba da Resistência - programaço em Itapuã

Samba da Resistência em Itapuã
O Samba da Resistência é simplesmente delicioso

A melhor coisa de Salvador é saber construir espaços e atmosferas que dão um belo zignau no clichê e no cenário de Instagram e botam a gente cara a cara com a essência da cidade. O Samba da Resistência de Itapuã é um desses casos: tem data, hora e lugar, mas, principalmente, tem alma.

Fui lá no último sábado (10/jan) e me esbaldei — sou uma roqueira muito da eclética, mas mesmo os ortodoxos vão se render à delícia de roda de samba promovida há 40 anos em uma modesta pracinha de Itapuã, do ladinho da Lagoa do Abaeté.

Samba da Resistência em Itapuã
A partir das 17h horas já começa a chegar gente. O samba começa oficialmente às 19h e vai até às 22h, pra a vizinhança poder dormir

O Samba da Resistência é um patrimônio da comunidade local, que se reúne pra cantar, dançar e conviver na maior tranquilidade. A música é excelente, mas acho que é esse astral que atrai gente de todos os quadrantes da cidade pra ver uma Salvador que ainda é possível: a festa gostosa de verdade, desencanada e contagiante.  

E bote contagiante nisso. É impossível ficar quieta no Samba da Resistência.

Francamente, o “samba de Itapuã”, como é carinhosamente chamado, é a opção mais instigante e imperdível que vi em Salvador nos últimos anos. Se você ainda não foi, vá. Se já foi, volte. E muito.

20 dezembro 2025

Jazz na Avenida - opção de boa música em Salvador

Apresentação do Jazz na Avenida em Salvador
Em Salvador, toque jazz que junta gente

Quer um bom programa musical em Salvador? Experimente o Jazz na Avenida, na Boca do Rio. Toda sexta-feira, lá pelas 19 horas, você vai encontrar jazz, blues e outros primos sonoros, num espaço muito despojado e simpático que nasceu de apresentações feitas literalmente na rua, na porta da casa do músico Laurent Rivemales, lá no já distante 2014.

Quem conhece Salvador nem estranha o namoro da cidade com o jazz. Uma cidade capaz de parir de Caymmi a Raul Seixas é muito mais diversa do que sugere o vão martelar da nota única do axé que serve de trilha sonora à propaganda.

Jazz na Avenida em Salvador
Se quiser ver o show sentadinha, chegue cedo, que a casa lota pra valer. Esta foto foi feita antes das 22 horas (antes da bateria do celular morrer) e já estava assim
 
E a terra gosta de jazz — que o digam as plateias do Sexteto do Beco, nos anos 70; as noites inesquecíveis do bar Ad Libitum, nos anos 80; o Grupo Garagem, nos 90; as lotadíssimas Terças do Jazz do Póstudo, nos anos 2000; e a já quase eterna Jam no MAM, que continua levando muita gente ao Solar do Unhão.

Em Salvador, toque jazz que junta gente — ainda que não arraste a multidão do só não vai quem já morreu. O Jazz na Avenida está nessa vibe, e a casa lota toda sexta-feira.

O que começou como apresentações informais na rua ganhou palco, mesas e serviço de bar, foi reconhecido como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura e desenvolveu um braço comunitário de apoio aos moradores da área, com distribuição de alimentos e outros serviços bancados pelo pix solidário pago como ingresso.

Jazz na Avenida em Salvador
O dono da casa, Laurent, esquentando os tambores antes do início do show 
 
Tá, mas e a música? A casa abre às 18 horas. Às 19h começam os shows. A programação é variada, com atrações diversas, apresentações de uma banda da casa e sempre uma jam session aberta a músicos locais (a partir das 21 horas), que costuma esticar a noite.

O público também é diverso: de senhores compenetrados a galerinha recém-saída da adolescência. Quem chega cedo encontra mesa. Quem vem mais tarde fica de pé mesmo, papeando, bebericando e ouvindo a música — alguns até na rua, que, aliás, foi onde tudo começou.

Fui, gostei e recomendo.

Jazz na Avenida – dicas práticas

Confira a programação em www.jazznaavenida.com.br

Onde fica: Avenida Simon Bolívar nº 156, Jardim Armação, Boca do Rio.

Como chegar: sugiro que você vá com carro de aplicativo. Até tem como achar estacionamento, mas pra parar perto do bar, só chegando cedinho.

Horário: as apresentações são sempre às sextas-feiras, a partir das 18 horas

Ingresso: 1 kg de alimento não-perecível ou pix solidário, no valor que você decidir (mas não seja mão de vaca 😉).

Todas as dicas de Salvador aqui na Fragata

Mais sobre a Bahia 
Litoral Norte: Praia do Forte, Imbassaí, Barra do Itariri e Vila do Diogo
Recôncavo Baiano
Curtiu este post? Deixe seu comentário na caixinha abaixo. Sua participação ajuda a melhorar e a dar vida ao blog. Se tiver alguma dúvida, eu respondo rapidinho. Por favor, não poste propaganda ou links, pois esse tipo de publicação vai direto para a caixa de spam.

Navegue com a Fragata Surprise 
X (ex-Twitter) | Instagram | Facebook | Bluesky | Threads


02 novembro 2025

10 museus imperdíveis para quem ama música

Museus para quem gosta de Música
Que me desculpe o Instagram, mas minhas melhores viagens cabem mais no Spotify

Sei que as viagens estão cada vez mais formatadas para o Instagram, mas insisto: também leve seus ouvidos pra passear. E não só para escutar o mundo — sotaques, burburinhos urbanos e murmúrios da natureza. Minhas melhores viagens foram roteiros musicais.

Se você é daquelas que viajam com trilha sonora, aqui vão 10 museus imperdíveis para quem ama música.

Museus para quem gosta de música
O Cais do Sertão (à esquerda) é um dos museus mais instigantes que já visitei. À direita, o Museu do Jazz de Nova Orleans, um banquete musical

São 10 lugares pra começar a explorar o ritmo de cidades profundamente marcadas pela história de artistas e gêneros musicais e as transformações culturais que eles expressam.

Junte o Google Maps com as cinco linhas da pauta musical, marque o ritmo do roteiro nos 12 compassos do Blues, no balanço do Rock’n’Roll e no pulsar do Baião e vamos passear por esses 10 museus imperdíveis para quem ama música.

Se der vontade de dançar, se jogue.

Museus para quem gosta de música
Eu adoro casas-museus e curti muito visitar uma das residências de Mozart, em Salzburgo, e a casa onde Carlos Gardel morou, no Bairro de Abasto, em Buenos Aires

Veja as dicas:

27 outubro 2025

Roteiros criativos - Memphis: blues, rock'n'roll e consciência na veia

Calçada da Fama do Orpheum Theater de Memphis nos Estados Unidos
Meus pezinhos na Calçada da Fama do Orpheum Theater de Memphis, junto com um dos reis da cidade

Poucas vezes na vida vi uma cidade com tanta alma quanto Memphis — e de cidades com alma eu entendo, pois nasci e cresci em Salvador. Às margens da vastidão do Rio Mississippi, a capital do blues e do rock’n’roll guarda muitas histórias, cicatrizes profundas e um ritmo que convida a dançar no meio da rua.

Quando se fala em roteiros criativos, Memphis é incontornável.

Museu de Graceland em Memphis
Graceland, o castelo de Elvis, virou um imenso museu dedicado à memória do Rei do Rock'n'Roll

Menos famosa que sua prima Nova Orleans, menos grandiosa do que Chicago ou Nova York, menos solar que Miami, ela materializa os versos de Caetano: “o negro que viu a crueldade bem de frente / E ainda produziu milagres de fé no extremo ocidente”.

Feita de ritmo e emoção, Memphis não precisou de esforço algum para entrar na lista das cidades mais apaixonantes que já visitei.

Grafite "I Am a Man" em Memphis
I Am a Man foi o grito de luta dos trabalhadores negros do saneamento de Memphis em 1968. Mais que um slogan sindical, afirmava humanidade e dignidade em meio ao racismo institucional. Tornou-se símbolo poderoso do movimento dos direitos civis liderado por Martin Luther King Jr

Veja por que:

06 julho 2025

Música ao vivo no Velho Espanha, em Salvador: a deliciosa Quinta Brasileira

Apresentação de jazz no bar Velho ESpanha em Salvador
Quinta Brasileira, a adorável roda de Jazz do Velho Espanha

Que minha cidade é plena de boa música, tá todo mundo careca de saber (tem música ruim, também, mas viva a diversidade). Se você quer música ao vivo em Salvador, coloque o Velho Espanha, nos Barris, no topo da lista. A cidade é generosa em boa música (e viva a diversidade!), mas ouvir um show nesse bar histórico é um programão.

Fui conferir uma edição da Quinta Brasileira, a roda de jazz que o Velho Espanha promove todas as quintas, e saí absolutamente encantada. A programação é variada, o clima é ótimo e o astral do bar é daqueles que fazem a gente querer voltar sempre.

Veja por que valem muito as noites de música no Velho Espanha:

06 janeiro 2024

Jam no MAM em Salvador: jazz, pôr do sol e alto astral

Jam no MAM em Salvador
Gosta de música? A Jam no MAM é seu programa em Salvador

Se você gosta de beira de praia e boa música, é bem capaz de ser um dos 3,4 milhões de viajantes que vão dar um pulo em Salvador neste verão. Então, eu tenho uma dica de ouro: coloque a Jam no MAM no seu roteiro pela cidade mais melódica do Brasil. Basta se programar para estar aqui no último sábado de qualquer mês, que é quando rola esse encontro delicioso.

A Jam no MAM em Salvador é garantia de excelente música, no mais alto astral e em um dos cenários mais lindos de Salvador, o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-Bahia), instalado no maravilhoso conjunto arquitetônico do Solar do Unhão, do Século 18, de cara para a paisagem única da Baía de Todos os Santos. 

É mole ou quer mais?

Então deixa eu acrescentar que a Jam no MAM é um programa barato (R$ 10 ou R$ 5 pra quem faz jus à meia entrada) e que combina com um monte de outras coisas gostosas pra fazer em Salvador.

Por exemplo, o banho de mar na Prainha do MAM, as exposições de arte sempre instigantes (até o final do verão, o MAM-Bahia exibe No verbo do silêncio a síntese do grito, retrospectiva do grande fotógrafo Walter Firmo), bebericos no café do museu, farrinha na Gamboa de Baixo (novo polo gastronômico raiz) ou um jantar na Marina da Contorno.

Solar do Unhão em Salvador
Jam no MAM em Salvador
A música é ótima, o cenário é lindo e a brisa da Baía de Todos os Santos é uma delícia

A Jam no MAM segue à risca do que se espera de uma jam session — músicos que se encontram pelo prazer de tocar e improvisar, recebem convidados e navegam nos sons, levando o público junto.

E que público! Na última Jam no MAM de 2023 — no último sábado de dezembro, o pátio do Solar do Unhão estava lotado de gente que se balançava mansamente junto com os acordes, se refrescava com a brisa da Bahia de Todos os Santos e curtia a sonzeira na maior cordialidade.

Ah, e em baianês, Jam a gente pronuncia Jã — nada de djem, ok?

Veja as dicas da Jam no MAM em Salvador e não perca essa que já é uma das melhores tradições da cidade. Um programa pra todas as estações do ano.

07 agosto 2022

Caetano, 80 anos - uma das melhores viagens da minha vida

Caetano Veloso e Dona Canô
Uma lembrança que eu adoro: um dia inteiro acompanhando Caetano Veloso em Santo Amaro para uma reportagem, recebida com o maior carinho por Dona Canô, Caetano e toda a família. Hoje ele faz 80 anos e sua arte me proporciona uma das grandes viagens da minha vida

Feliz aniversário, gênio.

Eu era muito criancinha quando Caetano Veloso começou a fazer parte da minha vida. Em 1966, as quintas-feiras lá em casa eram pra ver "Esta Noite Se Improvisa", um programa de TV que reunia artistas para cantar, no susto, uma canção que contivesse uma palavra sorteada pelo apresentador.

"A palavra é...". E lá ia Caetano apertar a campainha, o craque do programa. "Você é forte em letras e músicas. Todas as músicas que ainda hei de ouvir".

No ano seguinte, do alto de meus seis aninhos, torci como numa copa do mundo por Alegria, Alegria no inesquecível Festival de Música Popular Brasileira de 1967, da TV Record — outro dia, revi, arrepiada, o VT integral da finalíssima do festival no Youtube. E chorei no cinema, vendo o documentário Uma Noite em 67, lançado em 2010.

Caetano Veloso no Festival da Record de 1977
Alegria, Alegria: por que não?

Alegria, Alegria ficou em quarto lugar no festival. “Perdeu” pra Ponteio, de Edu Lobo, a campeã, pra Domingo no Parque, de Gil, e pra Roda Viva, de Chico. Em plena ditadura, pouco mais de um ano antes do AI-5, a música brasileira tinha esse elenco de gênios, ao ponto de deixar uma das grandes obras de Caetano fora do pódio. “E uma canção me consola. Eu vou”.

O riso largo de Caetano acompanhou minha vida. Talvez mais até do que Lennon e os Beatles. Lá em casa houve lágrimas quando ele foi preso e forçado ao exílio, junto com Gil, em 1969, para viver entre “green grass, blue eyes, gray sky” em “silent pain and happiness”. 

E em Salvador todo mundo sempre soube que Debaixo dos caracóis dos seus cabelos tinha sido composta pra ele por Roberto Carlos, que o visitou no exílio.

LP "Caetano", de Caetano Veloso, de 1971
Jovem, este não é John Snow, é Caetano na capa de um disco genial, que tem London, London e In the hot sun of a Christmas Day

Em Londres, Cae gravou dois álbuns que estão no meu Olimpo musical. Por sorte, minha mãe se apaixonou por London London, ouvida no rádio, e comprou o disco Caetano (1971) — nem me perguntem quantas mesadas eu teria que economizar pra bancar um LP, ao 10 anos de idade. In the hot sun of a Christmas Day (desse LP,  de 1971) é uma das canções mais bonitas e tristes que eu já ouvi.

E Transa (1972) pipocou no toca discos lá de casa como um sopro de vento fresco. Nine out of ten é uma canção que ainda ouço regularmente e continua me trazendo a mesma sensação de que o universo é muito mais interessante do que o mundinho tacanha onde a ditadura e seus programas de TV moralistas e ufanistas queriam nos confinar.

E aí, Caetano e Gil voltaram. Lembro de ouvir até furar o disquinho de Gil (imaginem: Expresso 2222 e Oriente!!!) que acompanhou a edição da revista O Bondinho, com as entrevistas dos dois recém retornados. Não esqueço a instigante manchete de capa: "Caetano lança o verso transbundar".

LP "Qualquer Coisa", Caetano Veloso
Neste disco tem uma versão de uma canção dos Beatles melhor que a dos quatro meninos

Talvez eu não tenha curtido Araçá Azul, o LP seguinte, como ele merecia — em 1973 eu estava muito empenhada em copiar todos os trejeitos de Alice Cooper. Mas me deliciei com Joia e Qualquer Coisa, o “álbum duplo” desmembrado em dois de 1975 (obrigada, Caetano, por ter me apresentado a Chabuca Granda e La flor de la canela). 

A gravação de For No One de Caetano é mais bonita do que a dos Beatles (e quem fala isso é uma beatlemaníaca alucinada). E a versão que ele fez para a maravilhosa It's all over now baby blue, de Bob Dylan, é mais do que uma versão espetacular: é um copydesk. Em alguns versos, ele consegue aprimorar o que já estava irretocável. O resultado (Negro Amor, gravada por Gal) é pra ouvir em loop até o infinito.

E nem vou esticar muito a conversa sobre a discografia de Caetano, porque é capaz desse post não acabar nunca. Foram tantos discos geniais, tantas canções essenciais à minha vida que é até cruel tentar escolher o que citar. Mas, gente, o que é Cinema Transcendental? E Uns? Estrangeiro? "Alguém cantando é (sempre muito) bom de se ouvir" (Bicho, 1977).

Domingo (1967), disco compartilhado com Gal Costa, vai ter sempre o lugar mais aconchegado no meu coração.

E tem aquela promessa em Caetano (1986): "O poço é escuro, mas o Egito resplandece" (na canção José), que sempre me ajuda a levantar nos momentos ruins.

Cinema Transcendental, LP de Caetano Veloso
Cinema Transcendental: como pode um único álbum juntar tantas maravilhas como Trilhos Urbanos, Oração ao Tempo, Lua de São Jorge, Louco por Você...?

Para além do toca-discos, os verões de Salvador eram o tempo de Caetano de carne e osso. De assisti-lo nos shows na Concha Acústica e no Teatro Vila Velha. De encontrar no praia do Porto da Barra, na noite do Zanzibar, ou parceiro de plateia, nos shows do Teatro Castro Alves. 

Pra quem não é da Bahia ("Quem não é Recôncavo e não pode ser Reconvexo"), é difícil explicar que na nossa terra Caetano nunca foi um cara tietável — e não só porque naquele tempo não tinha Instagram.

Caetano fazia parte da nossa vida com uma naturalidade tão absoluta que a gente encontrava com ele, dizia “oi” e ele respondia com um sorriso, às vezes até puxava papo. 

Estrangeiro, LP de Caetano Veloso
Estrangeiro parece disco dos Beatles: todas as canções são perfeitas

Não era incomum a moçadinha baixar na casa dele, em Ondina, depois da praia, e ficar por lá — ele às vezes aparecia, às vezes não. O Réveillon da casa de Caetano era uma espécie de festa pública, todo mundo se sentia convidado e estava tudo certo — foi lá que celebrei a chegada de 1980, o ano em que virei aluna da UFBa.

Como jornalista, entrevistei Caetano várias vezes — a longa entrevista com Caetano fazia parte do calendário oficial de verão dos cadernos de Artes e Espetáculos de todos os jornais de Salvador. A conversa era sempre instigante.

Em 1987, passei um dia inteiro na casa de Dona Canô, em Santo Amaro, recebida como velha amiga (ainda que eu não fosse) para uma dessas matérias. Conversamos, almoçamos, rodamos de carro pela cidade com Caetano meio guia turístico... – “Sou um homem comum, qualquer um”.

Uns, LP de Caetano Veloso
Eu ouço Peter Gast, de Uns, quase todo dia

(A foto que abre este post foi feita naquele dia pela minha parceiríssima de reportagens, a fotógrafa Lúcia Correia Lima).

Na despedida, eu disse a ele — autor do verso “de perto ninguém é normal” — que a proximidade tinha me revelado um cara normalíssimo. E ele: “Ah, que legal, essa é a minha anormalidade!”

Hoje, 7 de agosto de 2022, Caetano Veloso completa 80 anos. A música e o gênio de Caetano têm me levado pela mão em uma das grandes viagens da minha vida. Uma viagem que começou em 1966 e, felizmente, não tem hora pra acabar.

Muito, LP de Caetano Veloso
Muito eu nem citei no texto, mas talvez seja o disco de Caetano que eu mais ouvi. Pudera, né? tem Terra, Muito Romântico, Sampa, São João, Xangô Menino, Eu te Amo...

Há poucos meses eu estava fuçando as prateleiras da legendária Livraria Linardi y Risso, em Montevidéu, quando uma canção começou a tocar suavemente na caixinha de som. Dois senhores que estavam na livraria — um cliente e um dos donos — pararam o que estavam fazendo para escutar a música, com uma cara de enlevo que a gente só faz quando ouve a essência da beleza.

Era Caetano e seu Canto do Povo de um Lugar: “Todo dia o sol levanta e a gente canta o sol de todo dia”. Sol em Leão. Sol de Caetano Veloso.

Todod os posts sobre Música na Fragata 

Curtiu este post? Deixe seu comentário na caixinha abaixo. Sua participação ajuda a melhorar e a dar vida ao blog. Se tiver alguma dúvida, eu respondo rapidinho. Por favor, não poste propaganda ou links, pois esse tipo de publicação vai direto para a caixa de spam.

Navegue com a Fragata Surprise 
X (ex-Twitter) | Instagram | Facebook | Bluesky | Threads

18 agosto 2020

O dia que eu falei mal de Elvis Presley

Discos de Elvis Presley
Houve um tempo em que eu não gostava de Elvis — azar o meu

Ah os arroubos juvenis... Eu mal tinha acabado de escutar o Never Mind the Bollocks, numa tarde do longínquo 1975, e já estava possuída pelo pelo espírito de Francis Fukuyama (antes de Fukuyama, por sinal). Decretei o fim da história.

"O Rock parou aqui", sentenciou a Eu-aos-14-aninhos, convicta de que nada mais suplantaria o viço transgressor, visceral e inovador contido no álbum da banda punk Sex Pistols. Se você está rindo da minha prepotência, ainda não viu nada: muito pior foi o dia que eu falei mal de Elvis Presley.

Disco Never Mind the Bollocks, dos Sex Pistols
Juventude é um perigo: eu escutei os Pistols e já saí decretando o fim da História do Rock 😁

Sim, porque a profecia adolescente ficou no ouvido de duas ou três testemunhas. Mas meu ataque a Elvis foi público, impresso em um jornal de respeitável tiragem, texto de página inteira na capa de uma caderno B que todo mundo lia (todo mundo em Salvador, pelo menos). E eu já estava mais crescidinha, tinha 26 anos.

Pra piorar, falei mal de The Pelvis na véspera da data em que ele completava 10 anos de morto (16 de agosto de 1987). E foi na véspera porque, na época, a Tribuna da Bahia não circulava aos domingos.

Meu texto (que eu transcrevo na íntegra, mais abaixo) provocou um deus nos acuda. O telefone da redação da Tribuna não parava de tocar — nunca imaginei que o fã clube de Elvis fosse tão grande na Bahia.

Tag de mala com Elvis Presley
Hoje, Elvis até viaja comigo

Era gente me xingando de tudo que é nome, alguns ameaçando me dar um corretivo. Teve até ameaça de morte — naquele tempo, achei pitoresco. Fosse no Brasil de hoje, ia ficar verdadeiramente preocupada.

O fuzuê durou uma semana — tempo pelo qual fui orientada pela chefia da redação a entrar no jornal pela rua de trás, pela porta da gráfica, para evitar o piquete. Sim, teve piquete de protesto. Magrinho, mas teve.

O que demorou muito mais pra passar foi meu desencontro com Elvis Presley. Eu ainda ia levar mais de uma década pra enxergar o artista (e que gigantesco artista!) que a soberba dos meus 26 anos sequer intuía. Com todas as contradições que eu cito no artigo, Elvis entrou pra o meu panteão — e John Lennon, fã de carteirinha de The Pelvis, teve uma participação fundamental na minha conversão.

Estátua de Elvis Presley em Memphis
Estátua de Elvis em uma esquina da legendária Beale Street, a rua do Blues, em Memphis

Mas pra alguma coisa a passagem do tempo tem que servir, né? Hoje, eu puxo as minhas orelhas pela petulância juvenil e cumpro a deliciosa penitência de ouvir, cantar e dançar com Elvis.

Em novembro de 2018, tive a imensa alegria de visitar Memphis, uma baita cidade, que pode bater no peito e se orgulhar de ser o lar do Blues e o berço do Rock'n'Roll. Memphis também é a terra adotiva de Elvis (nascido em Tupelo, Mississípi, em 8 de janeiro de 1935), a quem prestei as devidas homenagens.

Elvis Presley

Que bom que eu consegui descobrir Elvis Presley em uma encruzilhada desse meu caminho pela vida.

Aproveitando que a Fragata está no estaleiro por conta da pandemia, resolvi compartilhar essa história e o texto sacrílego que escrevi em 1987.

A morte de Elvis completou 43 anos há dois dias (16/08/2020).

28 abril 2019

Ingressos nos Estados Unidos: como organizei meu roteiro musical

Ingressos de um roteiro musical por Memphis, Nova Orleans e Nasville
Alguns ingressos do meu roteiro musical nos EUA eu comprei com antecedência. Mas a maioria pode ser comprada na hora, sem problemas

Minha viagem aos Estados Unidos, em Novembro passado, foi dedicada à música. Fiz um roteiro musical por Nova Orleans, Nashville e Memphis, três cidades do balacobaco neste quesito (e em outros), onde há oferta de shows todos os dias, nas mais variadas horas do dia.

Além de assistir às programações normais de bares, honky tonks e nightclubs em Nova Orleann, Memphis e e Nashville, fiz questão de garantir entradas, com antecedência para ver algumas atrações especiais, como o super-mega-blaster blueseiro Joe Bonamassa, que tocou em Memphis em uma das minhas noites na cidade.

Show de Joe Bonamassa em Memphis, EUA

Joe Bonamassa: assistir a este imenso discípulo de BB King em Memphis, a cidade do Blues, vale umas 200 fichinhas no jogo de 1.000 coisas para fazer antes de morrer


Como resultado dessa experiência, posso garantir que comprar com antecedência ingressos nos Estados Unidos para atrações e espetáculos para nos Estados Unidos é muito mais fácil do que a gente imagina — a internet está aí para isso mesmo e os sistemas costumam ser confiáveis e fáceis de usar.

E isso não vale só para grandes shows, mas também para museus, peças teatrais, musicais da Broadway (em Nova York) e outras atrações mais concorridas.

Ingresso para Graceland, a casa de Elvis Presley em Memphis

O ingresso para Graceland, a casa de Elvis, não exige compra com antecedência, exceto se sua visita for nos períodos fervidos em Memphis, como janeiro, maio e agosto


Veja como foram as minhas experiências de compra de ingressos nos Estados Unidos — presencialmente e pela internet e saiba quais são as atrações musicais de Memphis, Nashville e Nova Orleans para as quais você deve garantir suas entradas com antecedência:

24 abril 2019

Música em Memphis - Beale Street, a passarela do Blues

Beale Street em Memphis

Para a comunidade negra de Memphis, Beale Street foi a Broadway, a 5ª Avenida e Wall Street


Se você vai a Beale Street, não precisa usar flores no cabelo. Mas é bom saber que aquela aquela fieira de quarteirões ofuscada pelos letreiros de neon das casas de shows não é um parque temático musical.

Principal endereço da música em Memphis, Bele Street é um cenário histórico e cultural dos mais significativos do Século 20. 

Afinal, Beale Street é o coração da comunidade negra que botou Memphis e o Tennesse no mapa.

É a rua que se reivindica — com absoluto direito — como o Lar do Blues e pista onde engatinharam o Rhythm'n'Blues e o Rock’n’Roll. 

Beale Street em Memphis

Que outra rua do mundo pode ostentar o título de Lar do Blues?


Muita coisa mudou naquela rua, desde a chegada dos pioneiros do Blues, mas ela continua sendo o endereço da diversão embalada em 12 compassos. Se você quer ouvir música em Memphis, Beale Street será uma escala inescapável — com muitos retornos, eu aposto.

Então, se liga nessas dicas para aproveitar o melhor da Música em Memphis e de Beale Street:

21 março 2019

Graceland - a casa de Elvis Presley em Memphis

Graceland em Memphis
Elvis morou em Graceland de 1957 até sua morte, em 1977

Graceland, o lar definitivo de Elvis Presley,  reúne tudo que um fã gostaria de encontrar. Lá estão as memórias domésticas de Elvis, preservadas na extravagante mansão, seus carros e aviões e uma vasta e minuciosa coleção de documentos e objetos que percorre toda a vida e carreira do Rei do Rock.

Até mesmo o túmulo de Elvis está em Graceland, no Jardim da Meditação que ele mandou construir para seus momentos de reflexão.

Não é à toa que 650 mil pessoas atravessam os famosos Portões Musicais de Graceland todos os anos para uma jornada sentimental — um mergulho na trajetória de um dos maiores ícones do Século 20, o cara branco com voz de negro que encarnou o Rock’n’Roll.

Os portões musicais de Graceland
Os famosos Portões Musicais de Graceland

Sempre tive uma relação meio contraditória com Elvis Presley. Eu o conheci como a estrela de filmes bobos que passavam na sessão da tarde, nos anos 70, e como o coroa meio gordo em trajes espalhafatosos, cantando para plateias acomodadas em Las Vegas.

Foi John Lennon — fã de carteirinha dele e meu guru pra quase tudo na vida — quem me mostrou o outro lado, o Elvis visceral, o excelente cantor, o ídolo que ajudou a quebrar inúmeros tabus, inclusive vários em que ele mesmo acreditava.

Na minha visita a Graceland, encontrei esses dois Elvis. E ambos me comoveram profundamente.

Veja como organizar sua visita a Graceland, a casa de Elvis, e o que você vai encontrar por lá:

13 março 2019

Roteiro em Memphis: nos passos de Elvis Presley


Estátua de Elvis Presley na Beale Street, em Memphis, Tenessi

A estátua de Elvis, na Beale Street, é um ótimo lugar para começar o roteiro em Memphis nos passos do Rei do Rock'n'Roll


Graceland é a atração mais famosa de Memphis. Todos os anos, 650 mil pessoas visitam a mansão que foi o lar de Elvis Presley em seus últimos 20 anos de vida e onde ele está sepultado. O encontro com a memória do ídolo na cidade, porém, vai muito além dessa “peregrinação”.

Um roteiro em Memphis nos passos de Elvis pode render vários dias — dependendo do grau de paixão, rende várias visitas à cidade, também.

Além de Graceland, os locais mais procurados pelos fãs de Elvis em Memphis são o Sun Studio, onde ele gravou suas primeiras canções, e a Concha Acústica do Overton Park, onde Presley fez seu primeiro show profissional.

Duas das casas onde ele viveu antes de Graceland ainda estão de pé e conservadas — em Lauderdale Court, é possível não só visitar o interior do imóvel como até mesmo dormir no quarto ocupado pelo ídolo, entre 1949 e 1953.



Eu adoro jornadas sentimentais na companhia de grandes personagens. Antes de embarcar para o meu roteiro musical nos Estados Unidos, pesquisei obsessivamente para montar esse roteiro em Memphis nos passos de Elvis. 

Não deu para ver tudo, mas arrumei (mais) um bom motivo pra voltar a essa cidade que me deixou apaixonada 😊.

Alguns dos lugares essenciais na história de Elvis em Memphis já não existem mais (são os que estão marcados no texto e no mapa com os elvisinhos vermelhos). Mas vários pontos frequentados e curtidos pelo astro continuam de pé, podendo ser visitados (procure os elvisinhos verdes).

Bora mergulhar no Rock’n’Roll neste roteiro roteiro Elvis em Memphis: 

22 fevereiro 2019

O que fazer em Memphis, a cidade do Blues


Beale Street, lar do Blues em Memphis, Tenessi

Nem a neve, que surpreendeu todo mundo, esfriou a alma blueseira de Memphis. Na imagem, Beale Street, a rua do Blues


No princípio, era o Blues. Daqueles 12 compassos brotou tudo que mais importa pra mim. E se o Blues nasceu no Delta do Mississipi, foi em Memphis que ele se aboletou, montou casa e se espalhou pelo mundo.

E que cidade é essa Dona Memphis! Contraditória, segregada, problemática, sem grandes paisagens para selfies... E foi ela quem mais arrebatou meu coração durante meu roteiro musical pelos Estados Unidos — e olha que as outras paradas foram em Nova Orleans e Nashville.

Pois eu arriei de quatro pneus pela cidade do Blues. Se você gosta de música, vai encontrar muito o que fazer em Memphis. Se não gosta tanto, acho que nem assim vai escapar imune.

Grafite em Main Street, Memphis, lembra o movimento pelos Direitos Civis nos EUA

"I am a man". O grafite em Main Street relembra a palavra de ordem dos trabalhadores da limpeza pública de Memphis, em 1968, reivindicando condições dignas de trabalho. Martin Luther King estava na cidade para apoiar o movimento quando foi assassinado


É que a mesma alma que se derrama naqueles 12 compassos dá a Memphis uma vivacidade e um calor que eu jamais pensei encontrar no Sul dos Estados Unidos, às margens do Rio Mississipi — ou que fossem além de Nova Orleans.

A primeira coisa que você vai fazer em Memphis (e repetir obsessivamente) é ouvir música.

Vai bater ponto três vezes por dia em Beale Street, legendária “5ª Avenida” da comunidade afro-americana da cidade em tempos idos, hoje passarela de bares e clubes com shows — e que shows! — ao vivo. (A música em Beale Street ganhou um post exclusivo).

Fábrica de Guitarras Gibson em Memphis, EUA
A fábrica das legendárias guitarras Gibson está se despedindo de Memphis. E o que importa? Os guitarristas — com Gibsons e Fenders — continuarão chegando aos montes pra mostrar sua arte


Em Memphis, você vai ouvir música nos museus, nos restaurantes, no transporte público. Vai se controlar pra não requebrar no meio da rua aos acordes do Blues, do Rock’n’Roll, do Rhythm’n’Blues, Rockabilly e o escambau.

E, lá pras tantas, vai mandar tudo às favas e dançar com gosto e sem vergonha — mesmo quando a música estiver tocando só na sua cabeça.

O que você mais vai fazer em Memphis é se apaixonar por ela. Vai morrer de amor por essa cidade paradoxal, posta no mapa pelo engenho e pela arte de um povo segregado ao gueto, pioneira na conquista de escolas públicas para crianças negras. 

A urbe regida por reis e rainhas africanos como BB King, Albert King, Howlin' Wolf, John Lee Hooker, Little Milton e Memphis Minnie. A mesma onde Martin Luther King recebeu o tiro fatal de um racista, em 1968.

Bora passear comigo por Memphis, a sensacional cidade do Blues:   

03 fevereiro 2019

Onde ouvir música em Nashville - por dentro dos honky tonks


Honky tonk em Nashville, Tennessee
Beber, dançar e cantar junto com o artista: os honky tonks de Nashville são uma delícia


A maioria dos visitantes vai a Nashville por causa da música. E a capital da Country Music não decepciona. Dona Música em Nashville comparece ao encontro como uma avalanche.

Essa super anfitriã ocupa, sem exagero, cada metro quadrado de Downtown, o Centro da cidade — e se espalha sem cerimônia pelos bairros, digamos, mais comportados. Nashville não é chamada de Music City à toa.

Você vai encontrar música em Nashville nos hotéis, nos restaurantes, nos teatros, nos museus — com destaque para o sensacional Johnny Cash Museum e o Country Music Hall of Fame —, nas lojas, nas calçadas e até no meio da rua, circulando nas divertidas party bikes.

bandolim de Bill Monroe no Country Music Hall of Fame de Nashville
O bandolim de Bill Monroe, pai do Bluegrass, é uma das relíquias do Country Music Hall of Fame de Nashville


Mas, principalmente, a música em Nashville está ao vivo e em um plantão de praticamente 24 horas nos animadíssimos honky tonks da cidade.

Ouvir música em Nashville — Country, Rock'n'Roll, Blues, Bluegrass, Southern Rock... — foi um dos grandes prazeres do meu roteiro musical nos Estados Unidos, viagem que recomendo enfaticamente.

Veja as dicas para aproveitar o melhor da terra da Country Music:

06 janeiro 2019

Trilha sonora para Nashville - playlist pra embalar seus passeios na capital do Country

Clássicos da Country Music
Era para ser uma playlist de Country pra quem não gosta de Country — mas comecei a achar que eu gosto

Quando eu comecei a montar minhas playlists para embalar o roteiro musical nos Estados Unidos, achei que ia penar para reunir uma trilha sonora para Nashville. A grande marca musical da cidade é a Country Music, estilo que  —  já falei em outros posts  —  não é muito a minha praia.

Bastou um pouquinho de esforço, porém, para listar uma quantidade enorme de canções que adoro e, tecnicamente, podem ser catalogadas como Country Music.

No fim, o que deu trabalho não foi achar músicas para a playlist, mas fazer uma seleção entre elas —para este post não ficar excessivamente quilométrico 😃.

É verdade que minha trilha sonora para Nashville está longe de contemplar o mainstream do Country atual. Prefiro clássicos alternativos, como Willie Nelson, Patsy Cline e o maior de todos, Johnny Cash.

Elvis Presley no Hall da Fama da Música Country
Elvis no Hall da Fama do Country: a imagem pode até não estar muito fiel, mas o cara fez por merecer a homenagem

A playlist também tem pérolas do Rockabilly — um filhote musical do Country também muito associado a Nashville — como Carl Perkins, Gene Vincent e Buddy Holly.

Minha trilha sonora para Nashville tem presenças inesperadas, como Carla Bruni. E tem amores que me acalentam em qualquer compasso (Ray Charles, Bob Dylan, Rolling Stones, Beatles, Van Morrison, Paul Simon, James Taylor e Art Garfunkel) que também arrasam no universo dos banjos e rabecas.

A moral da história é essa mesma: o estilo musical germinado nos campos do Sul dos EUA, típico de agricultores brancos e pobres, consegue transcender seu papel de trilha sonora do universo conservador e saudosista que ainda hoje se enrola em bandeiras Confederadas e cultua armas de fogo.

Cadillac de Elvis Presley no museu do Country Music Hall of Fame
O Cadillac de ouro de Elvis no museu do Country Music Hall of Fame. Presley não é o único grande roqueiro homenageado lá

A Country Music é também uma influência fundamental na música do Século 20 e continua a fazer escola — não bastasse ser um dos gametas do Rock’n’Roll. Vida longa pra ela, portanto.

O que começou como uma playlist Country para quem não gosta de Country acabou virando meu testemunho de carinho e respeito pelo estilo que ajudou a formar gente essencial na minha vida, como Elvis Presley, Dylan e aqueles quatro meninos de Liverpool que me acompanham desde que me entendo por gente.

Siga o link para acessar minha playlist Nashville completa, no spotify, ou os links de cada canção (no spotify). Também tem links pra o Youtube. Divirta-se e inspire-se com minha trilha sonora para a capital da Coutry Music.