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02 agosto 2024

Roteiro pela Alfama e Castelo de São Jorge em Lisboa

Bairro da Alfama em Lisboa
Quanto mais a gente esquece o mapa, melhor fica a Alfama

Um passeio que eu curto muito em Lisboa é o roteiro pela Alfama e Castelo de São Jorge. Adoro contemplar a cidade das muralhas da fortaleza, ponto mais alto da capital portuguesa, e depois descer ladeiras e escadarias do bairro sem me preocupar muito com o mapa — pra baixo, todo santo ajuda.

A Alfama, sem dúvida, vive uma contradição: é um dos bairros mais representativos da velha Lisboa — parte considerável de suas construções sobreviveu ao terremoto de 1755 — ao mesmo tempo em que é diariamente invadido pelo que o Século 21 tem de mais chato a oferecer, o overtourism e as exigências das redes sociais.

Tuc-tucs na Alfama em Lisboa
fachada típica do bairro da Alfama em Lisboa
Os tuc-tucs são um inferno, mas a Alfama ainda é um lugar onde mora gente

Mas nem as hordas de turistas gravando vídeos, nem o vai e vem barulhento dos tuc-tucs, nem os funcionários de restaurantes mercando seus quitutes nas calçadas pra atrair clientes conseguem estragar a Alfama.

Saindo das ruas principais, a gente sempre encontra as velhas fachadas, as roupas nos varais e o sotaque inconfundível do lugar onde mora gente. 

Bairro da Alfama em Lisboa
Bairro da Alfama em Lisboa
Todos os caminhos da Alfama levam ao Castelo

Este roteiro pela Alfama e Castelo de São Jorge aponta os principais monumentos da área, mas não se limite às atrações com pedigree. Entre uma visita e outra, perca-se, suba, desça e arrisque. O passeio vai ficar muito melhor assim.

Veja as dicas:

bairro da Alfama e Catedral de Lisboa
Bairro da Alfama e Castelo de São Jorge em Lisboa
No Alto, as torres da Sé de Lisboa e a Alfama vistos do Elevador de Santa Justa. Acima, o Castelo de São Jorge e o bairro clicados do Miradouro de São Pedro de Alcântara 

17 julho 2024

Casa Museu de Antonio Machado em Segóvia

Quarto do poeta Antonio Machado em Segóvia
Neste quarto espartano, viveu e escreveu um dos maiores poetas de língua espanhola do Século 20. A Casa Museu de Antonio Machado conta uma história comovente

Sim, Segóvia é maravilhosa e tem muitas coisas lindas pra ver na cidade. Mas, antes, deixem eu contar a vocês sobre a Casa Museu de Antonio Machado que, entre tantos encantos segovianos, foi o lugar que mais mexeu com meu coração.

O lugar que hoje recebe visitantes como Casa Museu de Antonio Machado não é um palácio. Bem ao contrário, é uma casinha humilde e acanhada, onde a viúva Luisa Torrego alugava quartos para fazer alguma renda.

Fachada da Casa Museu de Antonio Machado
Graças ao trabalho dos amigos que o poeta fez em Segóvia, a casa onde ele viveu foi preservada nos mínimos detalhes

Foi nessa “modesta pensão”, como registram os biógrafos, que morou Antonio Machado (1875 - 1939), um dos grandes poetas da língua espanhola do Século 20, entre 1919 e 1932.

Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino
sino estelas en la mar.

Machado não é muito conhecido no Brasil, mas é difícil que não conheça esses versos de Cantares, poema publicado em 1917 — muita gente conhece o trecho citado por outro poeta querido, Eduardo Galeano.

Busto de Antonio Machado em Segóvia
Na entrada do museu, um busto do poeta cercado de flores, onde os visitantes deixam versos escritos à mão

Eu sou louca por casas-museus. Ver a vida doméstica de gente extraordinária sempre me faz sentir mais próxima desses personagens — e humaniza os ídolos. A simplicidade da casa do poeta em Segóvia fica ainda mais tocante quando eu lembrava do tamanho de sua obra. 

Quando você for a Segóvia, experimente mergulhar um pouco na vida e na obra de um grande poeta na Casa Museu de Antonio Machado. Garanto que vai fazer bem pra sua alma como fez para a minha.

Veja as dicas:

11 junho 2024

Atrações gratuitas em Madri - roteiro pelo Século de Ouro

Plaza Mayor de Madri

A Plaza Mayor é o coração da Madri antiga ou “Madri dos Áustrias”. Este espaço do Século 17 era palco de festas, celebração de conquistas militares e de autos de fé da Inquisição. A construção em amarelo é a Casa de la Panadería, que servia de camarote real


Quer fazer um passeio lindo sem gastar nem um tostão? Entre as muitas e maravilhosas atrações gratuitas em Madri esse "roteiro pelo Século de Ouro" é um jeito maravilhoso de mergulhar na história e nas belezas da capital espanhola.

Entre os séculos 16 e 17, Madri foi uma das cidades mais prósperas do planeta, quase uma "capital do mundo, centro de um "império onde o sol nunca se punha" — a cidade "paradoxal, singular e irrepetível", como definiu o escritor espanhol Arturo Pérez-Reverte. Tanto poder e tanto dinheiro lotaram a cidade de belezas que ainda hoje encantam olhos de locais e viajantes.

Casa de la Villa em Madri
A Casa de la Villa, foi inaugurada em 1692, como sede do governo de Madri (Ayuntamiento). A cidade tinha se tornado a capital da Espanha em 1561

Com este roteiro de atrações gratuitas em Madri pra ser feito a pé, você vai ver as memórias Século de Ouro, com destaque para a Plaza Mayor, a Colegiata de San Isidro (que já foi a catedral madrilenha), a Plaza de la Villa, o Palácio de Santa Cruz e um dos quadros mais bonitos de El Greco na Igreja de San Ginés. 

Veja os detalhes:

09 junho 2024

Os três grandes Museus de Madri - uma trinca que vale a viagem

Museu Reina Sofia em Madri

Eu deliro com a arquitetura e o acervo do Museu Reina Sophia de Madri. A escultura que aparece na foto é A Pincelada de Roy Lichtenstein


Post atualizado em junho de 2024

Museu do Prado, Museu Thyssen-Bornemisza e Museu Reina Sofia: se você está procurando motivos para visitar a capital espanhola (e olha que há pencas de razões), concentre-se nesses nomes. Esses três museus de Madri — só eles — já valem a viagem.

O Museu do Prado é aquilo que a gente já sabe: uma dos mais importantes do mundo, onde se pode ver um panorama vasto e apaixonante de tudo que a Europa (principalmente) já produziu na pintura e na escultura, os carros chefes do acervo.

"As Meninas" de Velázquez no Museu do Prado em Madri
Estátua de Velázquez no Museu do Prado em Madri
O grande Diego Velázquez recebe os visitantes na porta do Museu do Prado. Sua tela As Meninas (no alto), exposta lá, é um imenso motivo pra visitar Madri
Museu Reina Sofia em Madri
Museu Reina Sofia em Madri
Acima e no alto, detalhes da arquitetura do Museu Reina Sofia

 O Museu Reina Sofia — cujo engenho arquitetônico usado para integrar seus pavilhões já deixa a gente apaixonada — tem uma das melhores coleções de Arte Moderna do Planeta, onde se destaca a Guernica, de Picasso. 

O Museu Thyssen-Bornemisza reúne um precioso acervo de pintura que abarca do Renascimento ao . Modernismo

Obras do acervo do Museu Thyssen-Bornemisza, em Madri
Atrações do Museu Thyssen-Bornemisza: Santa Catarina de Alexandria, de Caravaggio, e Jovem Cavaleiro e Paisagem, de Vittore Carpaccio
Passeio do Prado, Madri
O caminho das pedras: o Paseo del Prado leva você pela mão pra ver esses três museus fantásticos

Uma linha quase reta de 1,5 km liga esses três museus de Madri, em uma área super central da cidade, muito bem servida de transporte público. O ponto de referência é o agradável e histórico Passeio do Prado, uma alameda muito verde e margeada por obras de arte onde já era chique caminhar no Século 17.

O Passeio do Prado está a 200 metros do Museu Nacional Museu Reina Sofia e passa literalmente na porta do Museu do Prado e do Museu Thyssen-Bornemisza.

Igreja de San Jerónimo el Real, Museu do Prado, Madri
A Igreja de San Jerónimo el Real pertencia a um dos mosteiros mais importantes de Madrid. Seu claustro foi integrado ao Museu do Prado

A proximidade entre os museus, porém, não significa que você deva visitá-los no mesmo dia. Tem tanta, mas tanta coisa pra ver no Prado, no Reina Sofia e no Thyssen que cada um deles rende mais de uma visita. Tudo bem que eu sou bicho de museu, mas considero cada um deles programa pra um dia inteiro — e muitíssimo prazeroso.

O importante é não deixar esses três museus de Madri fora de seu roteiro na cidade. Veja as dias práticas e as maravilhas que você vai encontrar no Museu do Prado, no Museu Reina Sofia e no Museu Thyssen-Bornemisza:

08 agosto 2022

Livrarias de Montevidéu

Livraria Escaramuza, Montevidéu
Escaramuza Libros, em Cordón: as livrarias de Montevidéu não se contentam em ser ótimas. Elas insistem em ser bonitas

Não sei qual é a substância na água do Prata responsável por este efeito, mas o fato é que as duas margens do rio banham cidades muito afeitas à leitura. 

Já cantei aqui na Fragata minha paixão pelo elenco de livrarias de Buenos Aires, mas preciso proclamar que as livrarias de Montevidéu não ficam devendo às que vicejam al otro lado del río.

As livrarias de Montevidéu não se acanham: elas não se escondem nos shoppings, se espalham por todas as áreas da cidade. Variam no porte e no espírito — tem as grandonas impessoais e as charmosinhas artesanais —, costumam ter equipes muito bem preparadas para orientar o cliente e acervos respeitáveis. 

Não satisfeitas com isso, as livrarias de Montevidéu costumam ser muito bonitas.

Monumento a Gabriela Mistral em Pocitos, Montevidéu
A chilena Gabriela Mistral, primeira mulher a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura, é homenageada na orla de Pocitos

Fuçar as prateleiras das livrarias de Montevidéu é sempre um grande programa. Como já me conheço, fiz questão de comprar a minha passagem de volta do Uruguai já com direito a despacho de bagagem, prevendo o estrago que eu ia fazer no meu cartão de crédito. 

Mas até que me comportei direitinho: foram apenas 6 kg de livros (9 exemplares) adquiridos nos safáris literários.

Se comprei pouco, namorei muito as livrarias de Montevidéu. Aposto que você também vai curtir. Veja algumas livrarias sensacionais que visitei em Montevidéu:

21 janeiro 2022

A Casa do Rio Vermelho em Salvador - o Museu de Jorge Amado e Zélia Gattai

Mesa de trabalho de Jorge Amado na Casa do Rio Vermelho
A mesa de trabalho de Jorge Amado: Dona Flor, Pedro Arcanjo e Tieta nasceram desta máquina de escrever que preside a sala principal da Casa do Rio Vermelho

Aproveitei os dias entre Natal e Ano Novo na minha cidade pra sanar uma dívida que eu tinha comigo mesma: vocês acreditam que eu ainda não tinha visitado a Casa do Rio Vermelho em Salvador? 

Logo eu, baiana militante e apaixonada por casas-museus, estava perdendo o prazer de passear pelas lembranças do cotidiano doméstico de Jorge Amado e Zélia Gattai, em um museu aconchegante e luminoso como um final de tarde com sol e brisa do mar.

A verdade é que a Casa do Rio Vermelho não me era estranha. Eu já tinha estado lá algumas vezes. A primeira, ainda criança, como visita — quando delirei com as carambolas que cresciam no jardim e brinquei com a cachorrinha Capitu, que já havia conquistado o coração do pintor Di Cavalcanti. Depois, voltei como repórter, pra entrevistar Zélia ou Jorge em algumas ocasiões.

Azulejos de Carybé na Casa do Rio Vermelho em Salvador
Oxum e Oxóssi, os orixás dos donos da casa, em azulejos de Carybé

Sou testemunha, portanto, do jeito afetuoso com que Zélia recebia a quem subia as escadas da casa nº 33 da Rua Alagoinhas, no sossegado Parque Cruz Aguiar, uma porção residencial e sossegada do Rio Vermelho — pra quem não está acostumado com a Bahia, é bom saber que os bairros de Salvador costumam ter subdivisões com nome e sobrenome e características próprias.

Mas eu ainda não tinha estado no delicioso Museu de Jorge Amado e Zélia Gattai, que passou a funcionar na casa dos escritores em 2014. E taí uma vista que eu passo a recomendar a todo mundo. A Casa do Rio Vermelho fala de 40 anos do amor de Jorge e Zélia, de um cotidiano avarandado, cheio de amigos, conversas mansas e amor à arte.

Veja as dicas:

Obras de arte na Casa do Rio Vermelho
Os amigos esticam a vista por meio de suas obras. Na imagem, a Yemanjá de Mário Cravo, o São Francisco de Volpi


28 janeiro 2020

Barcelona - roteiro no Bairro Gótico


Catedral de Barcelona, no Bairro Gótico

Barcelona é sinônimo do Modernismo, mas eu me amarro no Bairro Gótico. Na imagem, a torre da Catedral, do Século 13 


Barcelona é única, mas não é uma só. Ela é a cidade ousada e contemporânea da “herança olímpica” (o grande projeto de revitalização urbana para as Olimpíadas de 1992) e é o Século 19 mais atrevido que passou pelo planeta, na arquitetura modernista do Eixample.

Barcelona também é o “trópico europeu”, na luz exuberante da Barceloneta e de Port Vell. É o terceiro mundo dos becos do Raval...

Arco Gótico da Carrer del Bisbe em Barcelona
Arco Gótico da Carrer del Bisbe em Barcelona

O arco "gótico" da Carrer del Bisbe é um acréscimo feito em 1929 ao Palácio do Governo da Catalunha

Casa de la Ciutat, sede da Prefeitura de Barcelona
Sede da Prefeitura de Barcelona, a Casa de la Ciutat é um palácio do Século 14 e conserva uma bonita fachada lateral medieval. Sobre a porta, a imagem do Arcanjo Rafael, atribuída a Pere Sanglada


Mas a minha Barcelona preferida é outra: ela se revela inteira em um roteiro no Bairro Gótico. É pouco ensolarada, tortuosa e quase monocromática. Tem ruas estreitas, paredes de pedra, balcões nostálgicos e pátios sossegados, em meio à muvuca turística.

É no Bairro Gótico e no vizinho La Ribera (El Born) que meu coração bate mais feliz em Barcelona. É lá que eu encontro a cidade dos meus heróis — as lendas se dividem: umas atribuem a fundação de Barcelona a Hércules. Outras, ao cartaginês Amilcar Barca, pai de Aníbal, meu guerreiro preferido.

Passagem medieval no Bairro Gótico de Barcelona
Estátua de Ramón Berenguer III em Barcelona
Ramón Berenguer III foi conde de Barcelona no Século 12 e entrou para a história como "O Grande". Ele é homenageado com esta estátua, logo atrás do Palácio Real. No alto, uma das muitas passagens secretas do Bairro Gótico


O fato é que cartagineses, laietanos, romanos, mouros, visigodos e francos passaram por Barcelona e deixaram um pouquinho de seu sangue, de seu idioma e de seu tempero na alma da cidade. As pegadas mais visíveis dessas trajetórias estão no Bairro Gótico.

Todos esses conquistadores/colonizadores impulsionaram Barcelona, essa bela à beira-mar. Eles foram a correnteza que direcionou a cidade para o comércio e a exploração naval. No Século 12, a vocação se confirmou e a capital catalã se consolidou como potência marítima no Mediterrâneo.

Dragões do Bairro Gótico de Barcelona
Safári à moda do Bairro Gótico: a diversão é encontrar os diversos dragões que ornamentam fachadas e muros, como este, bem brabinho, (à direita, na foto) que bate as asas ao lado da imagem de Santa Eulália, padroeira de Barcelona

Dragão no Bairro Gótico de Barcelona
Dragão no Bairro Gótico de Barcelona
Dragão no Bairro Gótico de Barcelona

E lá vou eu, garimpando dragões. Este acima achei no Museu Frederic Marès. O lá do alto é a aldrava de uma porta na Carrer de Ferrán. As representações do bicho mitológico são homenagem a Sant Jordi (São Jorge), padroeiro da Catalunha, que matou um dragão 


Um roteiro no Bairro Gótico não precisa de muita cartografia (mas tem um mapa detalhado logo abaixo 😊). Basta tomar uma transversal da Carrer de Ferrán ou da Carrer de Sant Jaume, duas das principais ruas da área, e cair no emaranhado de vielinhas estreitas para sentir essa velha Barcelona.

Ela está impressa nas portadas das igrejas medievais e nas pracinhas quietas (quase pátios particulares). Nas fachadas singelas ou rebuscadas. Nas memórias que acompanham os caminhantes. Quando você sintoniza essa vibe, nem vai reconhecer no Bairro Gótico aquele pedaço de mundo onde a farra não tem fim.

Artistas de rua no Bairro Gótico de Barcelona
Os artistas de rua são uma presença constante no Bairro Gótico


Veja meu roteiro pelo Bairro Gótico de Barcelona e se inspire. É um encontro mágico e cheio de imagens inesquecíveis:

30 julho 2017

Buenos Aires, a cidade das livrarias

Livraria El Ateneo Grand Splendid em Buenos Aires
A Livraria El Ateneo Grand Splendid é a mais famosa de Buenos Aires. Estima-se que ela receba 1 milhão de visitantes por ano

Reza a lenda que a cidade de Buenos Aires tem mais livrarias que o Brasil inteiro. Em termos quantitativos, a afirmação fica mesmo no campo do mito — o Brasil tem 3.095 livrarias, contra 734 da capital argentina, segundo um levantamento realizado em 2014.

Mas Buenos Aires é a campeã mundial na relação livrarias por habitantes: uma para cada 3.800 moradores, de acordo com o World Cities Cultural Forum.

O resultado dessa fartura é que não conheço melhor lugar no mundo para garimpar livros do que Buenos Aires.

Livraria El Ateneo Grand Splendid, Buenos Aires
Mas também, quem é que resiste à beleza de El Ateneo?

As livrarias de Buenos Aires transformam cada visita que faço à cidade em um mundo de descobertas. Novos e velhos autores que vão se somando aos meus caminhões de amores literários.

E tem o prazer de sentir o cheiro do papel impresso praticamente em cada esquina, a pechincha dos sebos — e o permanente pânico de incorrer no excesso de bagagem, na hora de voltar pra casa 😂.

Livrarias Clásica y Moderna e El Ateneo, Buenos Aires

A Livraria Clásica y Moderna (esq) tem 80 anos de tradição e um bar que entrou para a lista dos notáveis de Buenos Aires. Em El Ateneo, os camarotes do antigo teatro Grand Splendid agora são cantinhos de leitura


O amor pelos livros é um traço fundamental na identidade dos portenhos e percorrer as maravilhosas livrarias de Buenos Aires é uma experiência cultural e antropológica tão essencial quanto ir a uma milonga ou frequentar um de seus históricos cafés.

Que o digam as multidões de turistas que passam pela El Ateneo Grand Splendid todas as semanas.

Nesta passagem pela cidade, dediquei um dia inteirinho para fuçar as livrarias de Buenos Aires.

As mais bacanas eu reuni neste post, que é pra você se inspirar e aproveitar — e fazer umas comprinhas, por que não? Bora passear? Dá uma olhada no mapinha abaixo para se localizar 😊.




19 fevereiro 2017

Madri: um passeio no Bairro de las Letras

Trechos do D. Quixote gravados no Bairro das Letras de Madri

Lembrança do D. Quixote no Bairro das Letras de Madri: exclusiva para pedestres, a Calle de Huertas é pavimentada com trechos de grandes clássicos da literatura e da poesia espanhola


Um dos meus programas preferidos em Madri é passear pelo Barrio de las Letras (Bairro das Letras), onde memórias literárias e livrarias encantadoras convivem democraticamente com a boemia das tabernas tradicionais, casas noturnas animadas e restaurantes descolados.

No tempo em que Madri era capital do mundo, lá no Século 17, o humilde arrabalde que hoje é o Barrio de las Letras era uma área semi-rural. Sua paisagem era composta de huertas (chácaras) que produziam frutas e hortaliças para abastecer as mesas da cidade.

Rua onde morou Miguel de Cervantes no Bairro das Letras de Madri

Friozinho na barriga: Cervantes morou nesta rua


Essa área acabou se convertendo em opção de moradia barata para os artistas da época, do teatro e das letras — entre eles, Miguel de Cervantes e Lope de Vega — que trouxeram consigo seu jeito boêmio de viver.

Ainda hoje, o Barrio de las Letras honra a tradição do Século de Ouro como área boêmia de Madri, sem perder a cara de lugar onde mora gente.

Com tráfego de automóveis controlado e ruas exclusivas para pedestres, como a Calle de Huertas e a Calle Cervantes, o Barrio de las Letras está cercado de cartões postais (Plaza Mayor, Porta do Sol e os museus do Prado e Reina Sofia), e é perfeito para ser explorado a pé e sem pressa.

Casa noturna no boêmio Barrio de las Letras de Madri
A tradição boêmia persiste nos bares e casas noturnas do Barrio de las Letras


Meu roteiro pelo Barrio de las Letras é tanto para ver quanto para evocar.

Poucos elementos de pedra e cal da época de Lope e Cervantes chegaram aos nossos dias, mas o Barrio de las Letras está cheio de lembranças daqueles tempos.

Esse é um passeio para saborear a história, lembrar episódios pitorescos e mergulhar na caminhada usando tanto o mapa quanto a imaginação. Vamos dar um passeio?

30 setembro 2016

Livraria Lello e Livraria Bertrand - quando o espaço dos livros também é atração turística


Livraria Lello & Irmão no Porto em Portugal
A Livraria Lello & Irmãos, no Porto, tem cara de catedral


Eu sou doida por livrarias. Em viagens, sempre me pego esquadrinhando prateleiras, tateando encadernações, sentindo o cheiro do papel... Até em países onde o alfabeto me é estranho, como a Grécia, ou onde a língua parece herdada de outra galáxia, como a Hungria.

Imaginem, então, que farra que eu não faço nas livrarias da terrinha 😀. E me esbaldo na Livraria Lello e na Livraria Bertrand, duas instituições de Portugal que valem como museus.

Além do prazer evidente de poder decifrar as palavras contidas nos meus objetos de desejo, visitar livrarias de Portugal é constatar que nossos companheiros de idioma levam essa instituição muito a sério. na Livraria Lello e na Livraria Bertrand ainda tem o elã de encontrar dois ícones da arte livreira.

A Livraria Lello e a Livraria Bertran reúnem beleza, tradição e um baita acervo. O que a gente pode querer mais/

Livraria Lello & Irmão no Porto em Portugal
Livraria Lello & Irmão no Porto em Portugal
O grande vitral do teto da Livraria Lello e a fachada ainda envolta em tapumes


Resumindo a ópera, Portugal tem dois verdadeiros monumentos aos livros: a Livraria Bertrand, em Lisboa, é "apenas" a casa livreira mais antiga em atividade no mundo. A Livraria Lello & Irmão, ícone da Cidade de Porto, emplaca todas as listas de livrarias mais bonitas do planeta (além de ser apontada como cenário inspirador de Harry Potter).

A Livraria Lello e a Livraria Bertrand viraram atrações turísticas, possivelmente contra suas vontades. Mas seria um desperdício visitá-las só para clicar umas fotos. Explore essas duas maravilhas, garimpe suas prateleiras, sinta o perfume dos livros e a energia de tanta gente apaixonada por literatura que circulou e circula por elas. E aposto que você ainda vai sair de lá com uma sacolinha de compras 😊.

Veja as dicas:

11 outubro 2015

Viagens inspiradas em livros - roteiros literários e jornadas sentimentais

Quai d'Orleans, Paris
Nas pegadas de Hemingway, Paris fica ainda mais especial. Na imagem, o Quai d'Orleans, em foto de abril de 2006

Tenho uma relação bastante ambígua com guias de viagem — e algumas prateleiras deles em casa. Gosto dos mapas, endereços e descrições objetivas, que ajudam a organizar a caminhada. Mas minha grande inspiração para sair pelo mundo é a Literatura. Minhas melhores jornadas são as viagens inspiradas em livros.

Um guia de viagem, tomado ao pé da letra, vira uma angustiante lista de tarefas, transformando cada jornada numa interminável gincana — na ansiedade de completar a lista de pontos turísticos, a gente não vê a vida nem sente a atmosfera ao redor.

Paris: margens do Sena e escadaria de La Madeleine
Paris nem precisava ser personagem de tantos livros para ser inspiradora. A cidade, porém, é uma das campeãs de citação no cinema e na literatura. Na imagem, as margens do Sena depois da chuva e as escadarias da Igreja e La Madeleine

Já uma grande história bem contada nos fornece as referências para uma jornada muito pessoal e cheia de possibilidades — eu vivo repetindo aqui que o melhor guia de viagem são essas tais de referências, né? São elas que nos levam pela mão nas explorações mais prazerosas e marcantes.

Mesmo os lugares mais arrebatadores precisam do encantamento que já trazemos conosco para ficarem realmente especiais.

Viagens inspiradas em livros: Ronda, Andaluzia, e Dürnstein, Áustria
Eu fui a Ronda (esq) inspirada em Por quem os sinos dobram, de Hemmingway. À pequenina Dürnstein, na Áustria, quem me levou pela mão foi Ricardo Coração de Leão, cujas aventuras eu conheci lendo Robin Hood

E quem melhor do que a Literatura para prover esse encantamento prévio? Se você já experimentou, sabe do que estou falando. Se ainda não, aposto que vai amar o mundo das viagens inspiradas em livros.

Veja alguns dos roteiros que a Literatura já me inspirou:

Viagens inspiradas em livros: Termas Romanas e Assembly Rooms, em Bath, Inglaterra
Foi arrepiante visitar as Termas Romanas de Bath e os Assembly Rooms, cenários de momentos decisivos de Persuasão, meu livro favorito de Jane Austen

25 setembro 2014

4 passeios em Paris - lindos, baratos e ao ar livre

Place des Vosges em Paris
Deitar e rolar nessa graminha da Place des Vosges é uma delícia

O jeito mais gostoso de curtir a capital francesa é aproveitar seus espaços ao ar livre. Minha seleção de passeios em Paris tem sempre muitas caminhadas, contemplação e piqueniques em seus parques e praças — tão bonitos que mais parecem desenhados para ambientar cenas de cinema e da literatura.

A lista de opções de passeios em Paris ao ar livre é imensa, mas é claro que eu tenho a minha seleção de favoritas.

Arco do Triunfo do Louvre em Paris
Pont d'Arcole em Paris
Paris ao ar livre é mais romântica, né? No alto, o Arco do Triunfo do Louvre. Acima, a Pont d'Arcole

Adoro fazer piquenique nos jardins parisienses — meu lugar preferido é a Place des Vosges, no Marais — e aproveitar toda a beleza romântica dos Jardins de Luxemburgo.

Não resisto a passear pelas margens do Sena escarafunchando as bancas de livros usados (os famosos bouquinistes) e, já que estamos na beira do rio, deslizar por suas águas a bordo de um bateau mouche.

Paris, França
Flanar por Paris, garimpar detalhes... Taí um jeito fácil de ser feliz

Bastam dois passos pelas ruas de Paris para a gente se sentir em uma cena de cinema. E o melhor é que o enredo é você quem escolhe. E o melhor é que a mágica não fica na tela: ela é real.

Vamos passear por Paris?