23 janeiro 2026

Museu do Recôncavo Wanderley de Pinho - o engenho da memória

Museu do Recôncavo Wanderley de Pinho
Um museu que me ensinou a gostar de museus está de volta à ativa

Na última sexta-feira (16/01), finalmente pude voltar a um dos museus que me ensinaram a gostar de museus. Cheguei em grande estilo — a bordo de um saveiro centenário — e feliz da vida por reencontrar esse velho amigo. O Museu do Recôncavo Wanderley Pinho está ainda mais lindo do que eu lembrava.

O antigo Engenho Freguesia, sede do museu, tem 266 anos de idade, mas ostenta carinha de recém-nascido: depois de 25 anos fechado, o espaço passou por uma cuidadosa restauração e foi reaberto no último mês de dezembro.

Museu do Recôncavo Wanderley de Pinho
Museu do Recôncavo Wanderley de Pinho
Prepare-se para se apaixonar pelo conjunto colonial do Século 18 às margens da Enseada do Caboto

De lá pra cá, o museu já recebeu mais de 5.000 visitantes — e tenho certeza de que todos ficaram tão encantados quanto eu com o conjunto arquitetônico do século 18, com os 28 mil m² de área verde que cercam as construções e com a vista para o mar.

Veja como foi:

19 janeiro 2026

Passeio de saveiro na Baía de Todos os Santos - um dia a bordo do Sombra da Lua

Saveiro Sombra da Lua na Baía de Todos os Santos
É emocionante navegar em um saveiro centenário nas águas da Baía de Todos os Santos



Se você reparou no nome deste blog, será ocioso dizer que sou apaixonada por histórias do mar. Então, imaginem a emoção que experimentei quando fui convidada para um passeio de saveiro na Baía de Todos os Santos

E não foi qualquer passeio nem qualquer saveiro: naveguei até o Museu do Recôncavo Wanderley de Pinho — um dos museus que me ensinaram a gostar de museus — a bordo do Saveiro Sombra da Lua, com 103 aninhos de idade e tombado como Patrimônio Histórico do Brasil.

Atracadouro de saveiros na Feira de São Joaquim
O Sombra da Lua atraca nesse cantinho da Feira de São Joaquim. Embora poucos, alguns saveiros ainda resistem levando e trazendo mercadorias do Recôncavo para Salvador

Américo Vespúcio leva a fama, mas quem descobriu a Baía de Todos os Santos (BTS, para os íntimos) foram os saveiros. Foram os homens do mar que, desde os tempos da colônia, aprenderam a esquadrinhar cada cantinho dos 1.233 km² da baía e tiveram o engenho e a arte de criar o saveiro, a embarcação exata para navegar as águas e interligar os 200 km de litoral banhados por nosso mar interior.

Saveiro Sombra da Lua na Baía de Todos os Santos
O Sombra da Lua: uma imagem dessas desmancha até coração de pedra, né?

Se os movimentos tectônicos tiveram a gentileza de esculpir a Baía de Todos os Santos, foram os mestres e seus saveiros que traçaram as rotas, interligaram vilas, ilhas (são 56 na baía!!) arraiais e engenhos, levando e trazendo não só mercadorias, mas as notícias, os jeitos de ser e de viver. Eles inventaram o Recôncavo como pátria de cultura e sotaque únicos. Foram os Ulisses, Eneias e Jasões da minha terra.

Museu do Recôncavo Wanderley de Pinho na Bahia
O destino do passeio foi o belíssimo Museu do Recôncavo Wanderley de Pinho, às margens da Enseada do Caboto, no município de Candeias

É por isso que meu coração estava aos pulos quando cheguei ao pequeno atracadouro escondido na caótica (e fascinante) Feira de São Joaquim. É lá que atraca o majestoso saveiro Sombra da Lua, completamente restaurado e apto a navegar o nosso pequeno mediterrâneo que é a Baía de Todos os Santos.

Veja como foi:

18 janeiro 2026

Salvador - todas as dicas (post índice)

Salvador, Bahia - Igreja do Bomfim

Igreja do Bonfim, um símbolo de Salvador


Todas as dicas de Salvador


Passeios e atrações em Salvador


Solar do Unhão, Salvador, Bahia
O Solar do Unhão é um dos meus grandes favoritos em Salvador
Bairro de Santo Antônio Além do Carmo, Salvador, Bahia
Os casarões do bairro de Santo Antônio Além do Carmo são sempre muito fotogênicos

Museu do Recôncavo Wanderley de Pinho - o engenho da memória

Passeio de saveiro na Baía de Todos os Santos - um dia a bordo do Sombra da Lua

O discreto charme da boemia nos Barris - bares, cinema e boa música

Museu da Misericórdia de Salvador — uma janela para o Século 17


Bairro do Rio Vermelho em Salvador, Bahia
Final de tarde no bairro do Rio Vermelho


Salvador: uma tarde no Solar do Unhão

Onde comer - e o que comer - em Salvador



Comer em Salvador, Bahia
Acarajé, moqueca, caranguejo e sorvetes de frutas, quatro delícias que você não pode perder

Restaurante da Preta em Salvador no Palacete Tira Chapéu

Dois restaurantes em Salvador pra combinar com passeios imperdíveis na Gamboa e no Centro Histórico

O tradicional restaurante Mini Cacique (fechado 😢)

Sim, é possível comer bem na Marina da Contorno

O hambúrguer do Bravo Burger&Beer

O tabuleiro da baiana e outras tentações

Comer em Salvador: 5 lugares bárbaros

Sabores da Bahia: três segredinhos de Salvador

O melhor acarajé da Bahia

Paixão por mercados: a Ceasinha do Rio Vermelho

Axé, Nonna! Dois restaurantes italianos pra você dar um tempo do dendê em Salvador

Dicas de verão: onde beber e petiscar em Salvador

Onde comer em Salvador - restaurantes, cafés e sorveterias

Ponta do Humaitá, Salvador, Bahia
Enseada dos Tainheiros, Ribeira, Salvador, Bahia
Duas cenas da Cidade Baixa: no alto, a Ponta do Humaitá vista do Forte da Boa Viagem. Acima, a Enseada dos Tainheiros, na Ribeira

Festas e celebrações em Salvador

Dois de Julho, a festa da Independência


Forte de São Marcelo, Salvador, Bahia
Ladeira da Barra, Salvador, Bahia

O mar vai ser sua companhia constante em Salvador, aproveite. No alto, o Forte de São Marcelo. Acima, a vista da Ladeira da Barra


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14 janeiro 2026

O discreto charme da boemia nos Barris

Bares nos Barris em Salvador
O núcleo etílico dos Barris antes da muvuca (que nem é tanta). O trechinho boêmio fica de cara para a Biblioteca Central

Rio Vermelho ou Santo Antônio? Quem pensa em farra em Salvador costuma ficar dividido entre esses dois bairros, muito bem providos de bares e restaurantes para todos os gostos. Recentemente, porém, minha simpatia palpita pela boemia nos Barris, bairro do ladinho do Centro Antigo e de respeitável tradição notívaga.

Farrear nos Barris é pra quem procura uma vibe nada frenética, com conversa longa em voz confortável, que não precisa subir de tom acima de música estridente. 

A boemia nos Barris tem uma madrinha surpreendente:  a Biblioteca Central do Estado da Bahia, ou simplesmente, "Biblioteca dos Barris" — a instituição pública do gênero mais antiga da América Latina, fundada em 1811 — ganhou a sede atual no bairro em 1970. Sua programação cultural, especialmente as sessões de cinema na Sala Walter da Silveira, sempre atraiu um público interessante e fiel para a área. 

O núcleo boêmio dos Barris é pequenininho, mas animado. Ele se resume a uns 200 metros da Rua General Labatut em frente à Biblioteca, onde se alinham bares como a Cantina dos Barris, o Velho Espanha, o libanês Baladna e o Resenhas Gourmet. O clima é adorável: conversas animadíssimas nas mesas e celulares esquecidos — até pode rolar uma selfie, mas a alegria-ostentação definitivamente não é a marca do lugar.

Veja como curtir a boemia nos Barris:

11 janeiro 2026

Samba da Resistência - programaço em Itapuã

Samba da Resistência em Itapuã
O Samba da Resistência é simplesmente delicioso

A melhor coisa de Salvador é saber construir espaços e atmosferas que dão um belo zignau no clichê e no cenário de Instagram e botam a gente cara a cara com a essência da cidade. O Samba da Resistência de Itapuã é um desses casos: tem data, hora e lugar, mas, principalmente, tem alma.

Fui lá no último sábado (10/jan) e me esbaldei — sou uma roqueira muito da eclética, mas mesmo os ortodoxos vão se render à delícia de roda de samba promovida há 40 anos em uma modesta pracinha de Itapuã, do ladinho da Lagoa do Abaeté.

Samba da Resistência em Itapuã
A partir das 17h horas já começa a chegar gente. O samba começa oficialmente às 19h e vai até às 22h, pra a vizinhança poder dormir

O Samba da Resistência é um patrimônio da comunidade local, que se reúne pra cantar, dançar e conviver na maior tranquilidade. A música é excelente, mas acho que é esse astral que atrai gente de todos os quadrantes da cidade pra ver uma Salvador que ainda é possível: a festa gostosa de verdade, desencanada e contagiante.  

E bote contagiante nisso. É impossível ficar quieta no Samba da Resistência.

Francamente, o “samba de Itapuã”, como é carinhosamente chamado, é a opção mais instigante e imperdível que vi em Salvador nos últimos anos. Se você ainda não foi, vá. Se já foi, volte. E muito.

27 dezembro 2025

Todas as dicas de viagem à Grécia - post índice

dicas de viagem à Grécia - post índice

Não sei por onde vocês têm andado, mas aposto que a Grécia está no topo da lista das suas viagens favoritas (se você já foi) ou encabeça a sua lista de desejos.

Fiz duas viagens longas à Grécia e nem me passa pela cabeça considerá-la um “destino esgotado” — quero voltar muito ainda àquele país tão cordial, lindo e cheio de atrações.

Combinação de História, paisagens estonteantes e praias deliciosas, a Grécia é um espetáculo. Tem uma luz rara, culinária dos deuses, preços moderados e hospitalidade aconchegante. E tem a sensacional Atenas, uma das cidades mais interessantes (muito além da Acrópole) que já visitei.
Este post é um índice de todas as dicas que reuni em duas viagens à Grécia. E aperte os cintos, porque já estou programando a terceira.

mapa de viagem à Grécia



20 dezembro 2025

Jazz na Avenida - opção de boa música em Salvador

Apresentação do Jazz na Avenida em Salvador
Em Salvador, toque jazz que junta gente

Quer um bom programa musical em Salvador? Experimente o Jazz na Avenida, na Boca do Rio. Toda sexta-feira, lá pelas 19 horas, você vai encontrar jazz, blues e outros primos sonoros, num espaço muito despojado e simpático que nasceu de apresentações feitas literalmente na rua, na porta da casa do músico Laurent Rivemales, lá no já distante 2014.

Quem conhece Salvador nem estranha o namoro da cidade com o jazz. Uma cidade capaz de parir de Caymmi a Raul Seixas é muito mais diversa do que sugere o vão martelar da nota única do axé que serve de trilha sonora à propaganda.

Jazz na Avenida em Salvador
Se quiser ver o show sentadinha, chegue cedo, que a casa lota pra valer. Esta foto foi feita antes das 22 horas (antes da bateria do celular morrer) e já estava assim
 
E a terra gosta de jazz — que o digam as plateias do Sexteto do Beco, nos anos 70; as noites inesquecíveis do bar Ad Libitum, nos anos 80; o Grupo Garagem, nos 90; as lotadíssimas Terças do Jazz do Póstudo, nos anos 2000; e a já quase eterna Jam no MAM, que continua levando muita gente ao Solar do Unhão.

Em Salvador, toque jazz que junta gente — ainda que não arraste a multidão do só não vai quem já morreu. O Jazz na Avenida está nessa vibe, e a casa lota toda sexta-feira.

O que começou como apresentações informais na rua ganhou palco, mesas e serviço de bar, foi reconhecido como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura e desenvolveu um braço comunitário de apoio aos moradores da área, com distribuição de alimentos e outros serviços bancados pelo pix solidário pago como ingresso.

Jazz na Avenida em Salvador
O dono da casa, Laurent, esquentando os tambores antes do início do show 
 
Tá, mas e a música? A casa abre às 18 horas. Às 19h começam os shows. A programação é variada, com atrações diversas, apresentações de uma banda da casa e sempre uma jam session aberta a músicos locais (a partir das 21 horas), que costuma esticar a noite.

O público também é diverso: de senhores compenetrados a galerinha recém-saída da adolescência. Quem chega cedo encontra mesa. Quem vem mais tarde fica de pé mesmo, papeando, bebericando e ouvindo a música — alguns até na rua, que, aliás, foi onde tudo começou.

Fui, gostei e recomendo.

Jazz na Avenida – dicas práticas

Confira a programação em www.jazznaavenida.com.br

Onde fica: Avenida Simon Bolívar nº 156, Jardim Armação, Boca do Rio.

Como chegar: sugiro que você vá com carro de aplicativo. Até tem como achar estacionamento, mas pra parar perto do bar, só chegando cedinho.

Horário: as apresentações são sempre às sextas-feiras, a partir das 18 horas

Ingresso: 1 kg de alimento não-perecível ou pix solidário, no valor que você decidir (mas não seja mão de vaca 😉).

Todas as dicas de Salvador aqui na Fragata

Mais sobre a Bahia 
Litoral Norte: Praia do Forte, Imbassaí, Barra do Itariri e Vila do Diogo
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10 dezembro 2025

Museu da Misericórdia de Salvador — uma janela para o Século 17

Loggia do Museu da Misericórdia de Salvador
Museu da Misericórdia: beleza, arquitetura colonial e uma vista arrepiante para a Baía de Todos os Santos

Quer dar um mergulho na história colonial de Salvador? Pois então você precisa visitar o Museu da Misericórdia, ali do ladinho do Elevador Lacerda — coisa de dois passos mesmo (150 metros, para ser jornalisticamente precisa) — e a pouco mais de 300 metros da famosa “Ladeira do Pelô”.

O Museu da Misericórdia funciona no palacete do Século 17 que abrigou a Santa Casa de Misericórdia da Bahia, a instituição de caridade mais antiga do Brasil, contemporânea da fundação de Salvador, em 1549.

Igreja da Misericórdia em Salvador
A Igreja da Misericórdia, incorporada ao museu, é um primor barroco

O conjunto de salões, pátios, cisterna, ossuário e capela (a belíssima Igreja da Misericórdia) reúne um acervo muito bacana de obras de arte, objetos litúrgicos, mobiliário, documentos (a maior coleção fora dos arquivos públicos da Bahia) e memórias do primeiro hospital a funcionar na cidade.

Bora passear no Museu da Misericórdia?