17 julho 2026

De saveiro pelas Ilhas da Baía de Todos os Santos

Saveiro Sombra da Lua
Tendo a achar que o velho Odisseu ia curtir esse passeio pelas Ilhas da Baía de Todos os Santos

Grandes odisseias são fantásticas. Ultimamente, porém, tenho me encantado com aventuras mais caseiras. Como a incursão de saveiro às ilhas da Baía de Todos os Santos que fiz no feriadão do Dois de Julho, data em que a Bahia celebra a consolidação da Independência do Brasil.

Essa nova etapa da Expedição Kirimurê foi um jeito bem gostoso de explorar praias e povoados que vivem na cadência das marés e em um tempo próprio, apesar da proximidade com o burburinho de Salvador. Afinal, a ideia das expedições é essa mesma: descobrir pedacinhos do Recôncavo sem pressa e sem furdunço.

Ilha de Bom Jesus dos Passos na Baía de Todos os Santos
A fofa Bom Jesus dos Passos (Bomja, para os íntimos) foi nossa base nesta expedição

Navegando no saveiro Sombra da Lua (nova paixão da Fragata Surprise) e fazendo base na Ilha de Bom Jesus dos Passos — que tem ótima infraestrutura para o turismo — exploramos as ilhas dos Frades, de Maré e de Maria Guarda, além de uma paradinha na Ilha das Vacas, pra contemplar uma Baía de Todos os Santos mais íntima e acolhedora.

Foram quatro dias de expedição, no ritmo da vela e sem aperreios. Veja como foi esse passeio:

Ilha de Maria Guarda na Baía de Todos os Santos
Ilha de Maria Guarda: seja lá quem for o responsável por essa inscrição, está coberto de razão

30 maio 2026

Museu de Arte Popular Juraci Dórea - a celebração do Sertão


Museu de Arte Popular Juraci Dórea
Juraci Dórea representado em cerâmica na entrada do museu. Você atravessa esse portão (à direita) e entra num universo raro e lindo


Se você foi treinad@ a pensar em aridez e desolação quando ouve falar da Caatinga, está na hora de visitar o Museu de Arte Popular Juraci Dórea e descobrir a exuberância do Sertão — uma fartura que a geografia e a paisagem talvez não mostrem ao olhar apressado, mas que as vidas levadas a pulso esculpem, moldam, talham e colorem numa beleza e numa força de aluvião.

Foi exatamente isso que encontrei no último final de semana ao visitar o Museu de Arte Popular Juraci Dórea, instalado na Fazenda Garajau, entre os municípios de Macajuba e Ruy Barbosa, no coração do Sertão Baiano.

Museu de Arte Popular Juraci Dórea
Amigos da casa, como o cantador Bule Bule, são homenageados dando nome a espaços do museu

Com 2.500 peças garimpadas pelo Nordeste, Vale do Jequitinhonha e outras regiões do Brasil, o museu monta um mosaico deslumbrante da arte popular, que a gente não consegue esgotar nem no fim de semana inteiro que passei lá.    

Um passeio que uniu beleza visual, aconchego de longos papos na varanda, gastronomia sertaneja dos deuses, o silêncio que só a distância do frenesi urbano sabe proporcionar — temperado com música de primeira.

Museu de Arte Popular Juraci Dórea
Museu de Arte Popular Juraci Dórea
No alto, obra de Juraci Dórea na entrada do museu. Acima, o artista (cantinho direito) em grande companhia: Patativa do Assaré, Paulo Freire e Ariano Suassuna: a fina flor do Nordeste no quiosque onde são servidas as refeições

Quem quiser ver uma Bahia bem diferente do cartão postal da beira-mar — e tão linda quanto — vai adorar programar um fim de semana no Museu de Arte Popular Juraci Dórea (sim, porque este é um museu que recebe seus visitantes tão completamente que tem até acomodações para 15 hóspedes de cada vez).

Veja como foi a minha super deliciosa visita a esse tesouro sertanejo:

10 maio 2026

Dicas práticas de Jaguaripe


Jaguaripe no Recôncavo Baiano
Em Jaguaripe, o dia amanhece assim



Se você está procurando um destino encantado, fácil e barato, coloque Jaguaripe na sua lista de desejos. A cidade, fundada no Século 16, é um daqueles encantos que o Recôncavo Baiano soube tecer como ninguém. Um grande lugar pra viver a história, chegar perto da tradição saveirista e provar frutos do mar fresquinhos.

A apenas 100 km de Salvador, Jaguaripe é uma escapada certeira pra quem está na capital baiana (vivendo ou passeando). Estive lá no feriadão de Tiradentes, em uma etapa da Expedição Kirimurê (viagens pelo Recôncavo a bordo do saveiro Sombra da Lua) e recomendo demais a visita — de saveiro é melhor, mas de carro também é uma baita opção.

Paço Municipal de Jaguaripe
Atracadouro de Jaguaripe. Ao fundo, o Paço Municipal, edifício do Século 17
 
Neste post, listei algumas dicas práticas de Jaguaripe pra facilitar sua viagem a essa encantadora cidade. Bora?

02 maio 2026

O que fazer em Jaguaripe

 
Jaguaripe no Recôncavo Baiano
Jaguaripe é uma perolazinha do Recôncavo


Como contei no post anterior, tive um desbundante feriadão de Tiradentes participando de uma expedição de saveiro à fofíssima Jaguaripe, no Recôncavo Baiano.

Minha viagem a Jaguaripe foi uma etapa do projeto Expedição Kirimurê, iniciativa ligada ao movimento saveirista que busca contribuir para a preservação dos saveiros e para a divulgação das belezas únicas do Recôncavo, pátria dessas embarcações essenciais na formação da identidade baiana.  

Saveiro em Jaguaripe
Saveiros e Jaguaripe: pense numa combinação perfeita

Já tinha visitado a cidade algumas vezes, sempre fui fã, mas fazia três décadas que não aparecia por lá. Jaguaripe fica a cerca de 100 km de Salvador (pra quem corta caminho atravessando a Baía de Todos os Santos de ferryboat) e continua encantadora.

É verdade que o melhor dessa viagem foi chegar lá a bordo do centenário saveiro Sombra da Lua, mas ainda que você não tenha a sorte, recomendo muito que você coloque Jaguaripe na sua lista de desejos (vem aí um post om dias práticas da cidade). Você vai encontrar muitas coisas interessantes por lá.

Veja essas dicas:

25 abril 2026

Expedição a Jaguaripe com o Saveiro Sombra da Lua

Saveiros em Jaguaripe na Bahia
A bela Jaguaripe é uma grande moldura para os saveiros


Música deste post: Into the Mystic, Van Morrison


Todo mundo aqui tá careca de saber que a Fragata Surprise namora o Yellow Submarine. Mas somos todos adultos e preciso contar a vocês sobre o saveiro Sombra da Lua, a nova paixão deste blog. 

Fui apresentada a ele há alguns meses, em uma jornada ao Museu do Recôncavo Wanderley de Pinho, e tornamos a nos encontrar em uma especialíssima Expedição Kirimurê à cidade histórica de Jaguaripe, no Recôncavo Baiano, durante o feriadão de Tiradentes.

Saveiro Sombra da Lua em Maragogipinho na Bahia
Saveiro Sombra da Lua em Maragogipinho na Bahia
O Sombra da Lua chegando a Maragogipinho: é muito guapo!

Foram quatro dias de absoluto deleite, velejando pela Baía de Todos os Santos e Rio Jaguaripe, provando os frutos do mar do Recôncavo e conhecendo mais de perto a centenária tradição da cerâmica do povoado de Maragogipinho — reconhecido pela Unesco como o maior polo desta arte na América Latina.

Tudo perfeito: roteiro, elenco, direção, locações... Mas o melhor é o ritmo. Parece que a sapiência secular dos saveiros contagia tudo. A respiração desacelera, a contemplação sai da batida de videoclipe. A gente se desautomatiza das telas dos eletrônicos pra se concentrar na grande tela do mundo lá fora. 

Saveiros não são lentos. Eles são pacientes. E aquele compasso sabe ser hipnótico, viu?

Saveiro Sombra da Lua
Saveiro Sombra da Lua
O dueto do Sombra com o vento deixa o canto das sereias da Odisseia no chinelo

E ainda nem contei sobre a espetacular trilha sonora. O Sombra da Lua viaja sem música, mas faz um dueto afinadíssimo com o vento (João Gilberto na veia). Se calhar de a velejada acontecer sob um fiapo de quarto-crescente e uma passeata interminável de estrelas, não tem alma frenética que não se emende um pouquinho (a minha, incorrigível, está em franca recuperação).

Veja como foi essa viagem mágica:

05 fevereiro 2026

Trilha sonora para Salvador - 50 canções pra embalar seus passeios na cidade


Tem cidade mais musical do que Salvador? Essa é uma terra em tom maior, com ladeiras que parecem ter sido desenhadas pra ensinar uma ginga de corpo no sobe e desce, com o mar de Caymmi marcando o ritmo.

Qualquer tentativa de montar uma playlist de trilha sonora pra Salvador é uma cachoeira musical. As 50 canções deste post são uma escolha pessoal de memórias e alegrias reunidas em minhas décadas escutando a cidade.

Espero que ajudem a embalar seus passeios por Salvador.

 

23 janeiro 2026

Museu do Recôncavo Wanderley de Pinho - o engenho da memória

Museu do Recôncavo Wanderley de Pinho
Um museu que me ensinou a gostar de museus está de volta à ativa

Na última sexta-feira (16/01), finalmente pude voltar a um dos museus que me ensinaram a gostar de museus. Cheguei em grande estilo — a bordo de um saveiro centenário — e feliz da vida por reencontrar esse velho amigo. O Museu do Recôncavo Wanderley Pinho está ainda mais lindo do que eu lembrava.

O antigo Engenho Freguesia, sede do museu, tem 266 anos de idade, mas ostenta carinha de recém-nascido: depois de 25 anos fechado, o espaço passou por uma cuidadosa restauração e foi reaberto no último mês de dezembro.

Museu do Recôncavo Wanderley de Pinho
Museu do Recôncavo Wanderley de Pinho
Prepare-se para se apaixonar pelo conjunto colonial do Século 18 às margens da Enseada do Caboto

De lá pra cá, o museu já recebeu mais de 5.000 visitantes — e tenho certeza de que todos ficaram tão encantados quanto eu com o conjunto arquitetônico do século 18, com os 28 mil m² de área verde que cercam as construções e com a vista para o mar.

Veja como foi:

19 janeiro 2026

Passeio de saveiro na Baía de Todos os Santos - um dia a bordo do Sombra da Lua

Saveiro Sombra da Lua na Baía de Todos os Santos
É emocionante navegar em um saveiro centenário nas águas da Baía de Todos os Santos



Se você reparou no nome deste blog, será ocioso dizer que sou apaixonada por histórias do mar. Então, imaginem a emoção que experimentei quando fui convidada para um passeio de saveiro na Baía de Todos os Santos

E não foi qualquer passeio nem qualquer saveiro: naveguei até o Museu do Recôncavo Wanderley de Pinho — um dos museus que me ensinaram a gostar de museus — a bordo do Saveiro Sombra da Lua, com 103 aninhos de idade e tombado como Patrimônio Histórico do Brasil.

Atracadouro de saveiros na Feira de São Joaquim
O Sombra da Lua atraca nesse cantinho da Feira de São Joaquim. Embora poucos, alguns saveiros ainda resistem levando e trazendo mercadorias do Recôncavo para Salvador

Américo Vespúcio leva a fama, mas quem descobriu a Baía de Todos os Santos (BTS, para os íntimos) foram os saveiros. Foram os homens do mar que, desde os tempos da colônia, aprenderam a esquadrinhar cada cantinho dos 1.233 km² da baía e tiveram o engenho e a arte de criar o saveiro, a embarcação exata para navegar as águas e interligar os 200 km de litoral banhados por nosso mar interior.

Saveiro Sombra da Lua na Baía de Todos os Santos
O Sombra da Lua: uma imagem dessas desmancha até coração de pedra, né?

Se os movimentos tectônicos tiveram a gentileza de esculpir a Baía de Todos os Santos, os mestres e seus saveiros traçaram as rotas, interligaram vilas, ilhas (são 56 na baía!!) arraiais e engenhos, levando e trazendo não só mercadorias, mas as notícias, os jeitos de ser e de viver.

 Eles inventaram o Recôncavo como pátria de cultura e sotaque únicos. Foram os Ulisses, Eneias e Jasões da minha terra.

Museu do Recôncavo Wanderley de Pinho na Bahia
O destino do passeio foi o belíssimo Museu do Recôncavo Wanderley de Pinho, às margens da Enseada do Caboto, no município de Candeias

É por isso que meu coração estava aos pulos quando cheguei ao pequeno atracadouro escondido na caótica (e fascinante) Feira de São Joaquim. É lá que atraca o majestoso saveiro Sombra da Lua, completamente restaurado e apto a navegar o nosso pequeno mediterrâneo que é a Baía de Todos os Santos.

Veja como foi: