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21 outubro 2011

Onde comer em Pirenópolis


Produtos típicos de Pirenópolis em Goiás
Pequi, doces de frutas do cerrado, pimentas, compotas... O bom de Pirenópolis é que além de se esbaldar com a comida local a gente ainda pode trazer delícias pra casa

Ainda bem que Pirenópolis é linda. Não fosse a deliciosa penitência de subir e descer as ladeiras da cidade, não sei o que seria da minha cintura, bombardeada pelas muitas calorias das irresistíveis tentações da cozinha goiana. Comer em Pirenópolis é uma devoção.

Começa no frango com pequi e vai desfiando todo um rosário de gostosuras herdadas das tradição dos tropeiros, com ecos de Minas Gerais, de portugueses, africanos e indígenas. Quando você for, vá sabendo que comer em Pirenópolis é coisa séria.

Lanchonete em Pirenópolis

O carro chefe das lanchonetes de Piri é o empadão goiano. Não deixe de provar


A culinária de Goiás tem um evidente sotaque mineiro, herança da exploração do ouro nos tempos coloniais, a partir do Século 18. Mas basta provar um empadão goiano para perceber a personalidade do lugar. 

Dois sabores ficam na minha memória como traços marcantes da cozinha goiana. Além do já citado pequi — um fruto amarelo, com um perfume pra lá de sedutor, que tempera o arroz ou o frango — tem a guabiroba, um tipo de palmito amargo, mas bastante saboroso.

Pirenópolis em Goiás
Haja caminhadas pela cidade pra a gente exorcizar as calorias colecionadas nos restaurantes de Pirenópolis

Também sou incapaz de resistir à paçoca de pilão, carne seca moída com farinha, alimento típico dos tropeiros que passaram a movimentar a economia local, com o fim do Ciclo do Ouro.

Para quem está de dieta, Piri é um perigo! Veja alguns lugares bacanas onde almoçar e jantar por lá:

Compras em Pirenópolis


Lojas de artesanato em Pirenópolis
O Centro Histórico de Pirenópolis está cheio de lojas de artesanato — cada uma mais fofa que a outra

Enquanto escrevo este post, o teclado do meu computador está pálido de pânico: ao mesmo tempo em que digito com a mão direita, a esquerda está ocupada em me servir bocados de um doce de casca de limão, simplesmente sublime, cuja calda já pingou duas vezes sobre o cantinho das Tabs e CapsLock. Resultado da minha temporada de compras em Pirenópolis.

É isso que acontece quando a gente passa uma temporadinha em Pirenópolis: é impossível não voltar de lá com uma carga de delícias arrematadas nas lojinhas da cidade.

Lojas de artesanato em Pirenópolis

As lojas de artesanato da Rua Rui Barbosa têm muitas opções de lembrancinhas


Esse doce de limão, por exemplo — cheiroso, delicioso e com uma cor muito sedutora —, faz parte de um lote de compotas que trouxe de Piri. A cidade é uma tentação no capítulo gulodices. Não bastassem os doces em calda, tem as chamadas quitandas: biscoitinhos de queijo e polvilho, salgados e doces servidos no café da manhã e na merenda da tarde.

Não bastasse tudo isso, tem os picolés e sorvetes feitos de frutas locais e encontrados em várias lanchonetes. O picolé de jaca e o sorvete de taperebá ainda me farão voltar a Piri de joelhos.

Produtos típicos de Pirenópolis
Numa loja típica de lembranças de Pirenópolis não podem faltar as pimentas, as compotas doces, o molho de pequi, os biscoitinhos, as panelas de barro...

Para não me alongar na descrição da comilança — e não ficar restrita a ela — selecionei três sugestões de compras em Pirenópolis que valem a visita. 

Ecoturismo em Pirenópolis

Riacho em Pirenópolis
Pirenópolis oferece uma vasta programação de ecoturismo

Eu fui a Pirenópolis namorar as fachadas da velha Meia Ponte (o poético nome original de Piri). Mas devo ser minoria. A sensação que tive é que todo mundo vai pra lá fazer esportes e atividades de natureza.

Sim, o ecoturismo em Pirenópolis vai de vento em popa. A cidade hoje é muito mais procurada para o turismo de aventura do que para a contemplação vagarosa que tanto me encanta. Ainda bem que tem lugar para todo mundo — e vamos combinar que quem vem atrás das cachoeiras tem mais juízo do que eu, que me deixo hipnotizar por fachadas coloniais nesse sol de matar camelo.

Serra dos Pireneus em Pirenópolis
A Serra dos Pireneus marca o horizonte de Pirenópolis. Com  trilhas, cachoeiras e fazendas, ela é destino de muitos passeios 

Nem a chuva refrescou Pirenópolis. Bastou estiar e o calor inclemente, seco e sufocante começava a me lembrar que a cidade é cercada de rios, riachos e quedas d’água. 

Como se precisasse. Por toda parte, agências de turismo da cidade oferecem roteiros de trekking, arvorismo, tirolesa, moutain biking... Todos coroados pela possibilidade de um banho de cachoeira, no final.

Dicas práticas de Pirenópolis

Artesanato em Pirenópolis em Goiás
O artesanato, o patrimônio histórico e o ecoturismo são as grandes atrações de Pirenópolis

Pirenópolis fica a 140 quilômetros de Brasília. De carro, são duas horas de viagem, desde que você não invente de sair do Plano Piloto no fim da tarde, pegando o congestionamento infernal da Via Estrutural, indo para Ceilândia e Taguatinga.

Pela BR-070, são aproximadamente 95 quilômetros até o trevo de acesso à BR-414, na direção de Cocalzinho (GO) e Corumbá — preste atenção à bela queda d’água do lado esquerdo da estrada, o Salto do Corumbá, cerca de cinco quilômetros antes da cidade. Depois de Corumbá, são mais 20 km até Piri.

Veja mais dicas práticas desse encanto colonial em Goiás:

Lambrequins de Pirenópolis - rendas nos telhados


Telhado decorado com lambrequim em Pirenópolis, Goiás

Os lambrequins — essa “renda” que arremata os telhados — dão um encanto a mais às fachadas históricas de Pirenópolis


O Centro Histórico de Pirenópolis é um acervo colonial do Século 18 bem preservado e encantador. Ainda que alguns monumentos se destaquem, como a Igreja Matriz do Rosário e a Casa de Câmara e Cadeia, o que cativa mesmo o olhar é o conjunto de casas simples e anônimas que exibem, faceiras, seus telhadinhos adornados por lambrequins, uma espécie de "renda" que confere um charme especial às fachadas.

Basta uma caminhada pela Rua Direita pra a a gente se apaixonar por Pirenópolis. É bom demais acordar cedinho para ver a cidade, antes do sábado começar a ferver  de gente e de calor, mesmo. Às oito da manhã, Piri parece que é só minha e do cachorrinho esparramado na soleira de uma casa que parei para fotografar. 

Lambrequins de Pirenópolis
Lambrequins de Pirenópolis
Produção completa: gradil e lambrequim

Sempre achei fascinante o jeito que as cidades coloniais, com suas linhas tão simples e tão similares, encontram para imprimir em suas fachadas um detalhezinho que as torna únicas.

Em Cartagena são as trepadeiras. Em Paraty, os símbolos maçônicos. Aqui em Pirenópolis, o encanto são os lambrequins que arrematam os telhados: o entalhe delicado parece a renda sutil na gola do vestido de uma sinhazinha sem afetação.

Lambrequins de Pirenópolis
Lambrequins de Pirenópolis
Lambrequins de Pirenópolis

A primeira vez que vi lambrequins ao vivo e a cores foi em Sena Madureira, no Acre, nas varandas de velhos solares do Ciclo da Borracha. Eles também estão por toda parte nas fachadas de Port of Spain, em Trinidad e Tobago.

Encontrá-los em Piri foi uma grata surpresa, pois sempre os associei às construções coloniais inglesas. 

Lambrequins de Pirenópolis
Lambrequins de Pirenópolis

Agora, fuçando a internet, descobri que decorar a fachada com esses adornos de madeira ou zinco é uma velha tradição polonesa.

Segundo a professora paranaense Luciana do Rocio Mallon, que tem um site muito interessante sobre o assunto, o Lambrequim.net, a função dos adornos seria servir de "pingador" para a água da chuva. 

Eu, porém, prefiro acreditar na lenda, também contada por Luciana e que atribui aos lambrequins o poder de proteger a casa e seus moradores.

Lambrequins de Pirenópolis
Lambrequins de Pirenópolis

Diz a a professora que uma velha curandeira, acusada de bruxaria, teria recebido a visita de um anjo, que a ensinou a decorar com eles o telhado, ficando, assim, invisível para os inimigos que queriam levá-la para a fogueira.

Se os Lambrequins têm poderes mágicos eu não sei. Só sei que a ideia combina muito mais com o encanto que eles conferem às fachadas de Pirenópolis.

Mais sobre Pirenópolis
Onde comer em Pirenópolis



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O encanto colonial de Pirenópolis

Matriz do Rosário de Pirenópolis em Goiás
Matriz do Rosário de Pirenópolis, do Século 18 

O Século 18 é meio recente  para o meu gosto (risos), mas tenho que me curvar ao talento da época para a produção de cidades mágicas. Voltar a morar em Brasília me deu de presente a vizinhança com a adorável Pirenópolis, essa perolazinha de 20 mil habitantes na Serra dos Pirineus, em Goiás.

Pirenópolis é uma escapada fácil para quem está na capital federal ou em Goiânia e foi lá que passei o último fim de semana. 

Arquitetura colonial em Pirenópolis em Goiás
Arquitetura colonial em Pirenópolis em Goiás
Arquitetura colonial em Pirenópolis em Goiás
Se você gosta de arquitetura colonial, prepare-se para passar horas fotografando Pirenópolis

A jornada foi uma joint venture da Fragata Surprise com o Sopão do Tião, blog muito bacana do meu amigo Tião Vicente, do qual sou leitora assídua. O Sopão foi com o time completo: Tião, Rejane, os fofos Bernardo e Cecília e a fiel escudeira Ivone. 

A Fragata levou o bloquinho e a nova câmera fotográfica, substituta da saudosa Pentax, desaparecida na última mudança (do Rio para Brasília).

Veja as dicas para mergulhar no encanto colonial de Pirenópolis: