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| O Samba da Resistência é simplesmente delicioso |
A melhor coisa de Salvador é saber construir espaços e atmosferas que dão um belo zignau no clichê e no cenário de Instagram e botam a gente cara a cara com a essência da cidade. O Samba da Resistência de Itapuã é um desses casos: tem data, hora e lugar, mas, principalmente, tem alma.
Fui lá no último sábado (10/jan) e me esbaldei — sou uma
roqueira muito da eclética, mas mesmo os ortodoxos vão se render à delícia de
roda de samba promovida há 40 anos em uma modesta pracinha de Itapuã, do
ladinho da Lagoa do Abaeté.
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| A partir das 17h horas já começa a chegar gente. O samba começa oficialmente às 19h e vai até às 22h, pra a vizinhança poder dormir |
O Samba da Resistência é um patrimônio da comunidade local, que se reúne pra cantar, dançar e conviver na maior tranquilidade. A música é excelente, mas acho que é esse astral que atrai gente de todos os quadrantes da cidade pra ver uma Salvador que ainda é possível: a festa gostosa de verdade, desencanada e contagiante.
E bote contagiante nisso. É impossível ficar quieta no Samba
da Resistência.
Francamente, o “samba de Itapuã”, como é carinhosamente chamado, é a opção mais instigante e imperdível que vi em Salvador nos últimos anos. Se você ainda não foi, vá. Se já foi, volte. E muito.
Veja as dicas:
Samba da Resistência em Itapuã
O Espaço Cultural Rumo do Vento é um território onde a
cultura popular não só resiste, como organiza a vida ao redor. Criado em 1983,
no entorno ancestral quilombola e indígena do Abaeté, o espaço se consolidou
como um templo coletivo do samba, da convivência e da luta pela preservação ambiental,
especialmente da Lagoa do Abaeté, patrimônio natural e simbólico do bairro.
O samba tem recado, denúncia e cuidado com a comunidade. Enquanto o samba rola na Praça do Coreto, sob o telhado de palha do Espaço Cultural, os bares do entorno atendem o público com cerveja gelada e tira-gostos deliciosos — o pastel de siri e o acarajé que experimentei estavam simplesmente perfeitos.
O guardião de tudo isso é Seu Régi de Itapuã, que compõe desde os 13 anos de idade. Aos 82 anos, ele canta e coordena a alegria (ouça SeuRégi de Itapuã no Spotify). O homem é um cronista fantástico da Itapuã de outros tempos — a mesma Itapuã que seu trabalho mantém viva. Embora ele cante que "Meu Itapuã, moço, não volta mais", o bairro está vivo na voz dele.
Apenas em 2022 Seu Regi viu ser lançado seu
primeiro disco solo, Minha Caminhada. Como ele mesmo diz “foi cantando que eu
cheguei aqui”.
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| Itapuã está viva na voz de Seu Régi |
Em torno de Seu Regi, tem uma comunidade. E onde tem comunidade organizada e reunida, tem segurança. Caminhei pelas ruas do entorno sozinha, totalmente de boa. O clima é tranquilo, afetuoso e animado. Tem um pertencimento que acolhe quem chega de fora.
O Espaço Rumo dos Ventos é reconhecido pelo governo do
estado como Ponto de Cultura desde 2000 e está em processo de reconhecimento pelo
governo federal.
A roda de samba recebe convidados especiais (nesse último
sábado foi Muniz do Garcia, uma referência em seus 77 anos de idade) e cantores/as
pintam para uma canja.
Espaço Cultural Rumo do Vento/ Samba da Resistência
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| O Samba da Resistência é realizado bem pertinho da lagoa do Abaeté |
Onde: Rua Alto da Bela Vista de Itapuã nº 14, Itapuã (Praça
do Coreto)
Quando: um sábado por mês, a partir das 17 horas (a música ao vivo começa às
19h. Confira a programação no Instagram do Espaço Cultural Rumo do Vento. A programação se encerra por volta das 22 horas.
Quanto: as apresentações são gratuitas, mas é sugerido um
couvert artístico para os músicos e para a manutenção do espaço de R$ 20. A
contribuição deve ser feita preferencialmente pelo pix 71 99327-5880. Não
seja mão de vaca e pague, porque vale cada centavo e muito mais.
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