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| Um museu que me ensinou a gostar de museus está de volta à ativa |
Na última sexta-feira (16/01), finalmente pude voltar a um dos museus que me ensinaram a gostar de museus. Cheguei em grande estilo — a bordo de um saveiro centenário — e feliz da vida por reencontrar esse velho amigo. O Museu do Recôncavo Wanderley Pinho está ainda mais lindo do que eu lembrava.
O antigo Engenho Freguesia, sede do museu, tem 266 anos de idade, mas ostenta carinha de recém-nascido: depois de 25 anos fechado, o espaço passou por uma cuidadosa restauração e foi reaberto no último mês de dezembro.
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| Prepare-se para se apaixonar pelo conjunto colonial do Século 18 às margens da Enseada do Caboto |
De lá pra cá, o museu já recebeu mais de 5.000 visitantes — e tenho certeza de que todos ficaram tão encantados quanto eu com o conjunto arquitetônico do século 18, com os 28 mil m² de área verde que cercam as construções e com a vista para o mar.
Veja como foi:
Visita ao Museu do Recôncavo Wanderley de Pinho
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| O museu tem um atracadouro e 28.000 m² de área verde |
O Museu do Recôncavo é um testemunho vivo da era colonial e do ciclo do açúcar no Brasil. A restauração recém-inaugurada, porém, teve a sábia inspiração de contar uma história que vai muito além da casa-grande do Engenho Freguesia.
O velho engenho de cana hoje engendra memórias desde o tempo da velha Kirimurê (a Baía de Todos os Santos, para os Tupinambás.
Porque essa história começa muito antes da chegada dos colonizadores, com os indígenas que habitaram aquele pedaço de orla da Baía, e foi construída com o trabalho de pessoas escravizadas que labutaram nas engrenagens da moagem da cana. Em seu auge, 160 escravizados trabalhavam no engenho.
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| Fragmentos de móveis e ferramentas encontrados na área |
O Recôncavo Baiano, afinal, não foi inventado pelos grandes senhores. Ele foi tecido por influências várias — indígenas, africanas e portuguesas — nos terreiros dos engenhos e nas pequenas vilas que pontuam a porção de terra que se enrosca em torno da Baía de Todos os Santos. Sua marca mais forte está na religiosidade, na música, na dança e na culinária dos escravizados. Essa é a memória celebrada no museu renascido.
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| A capela do antigo engenho está muito bem preservada |
O Engenho Freguesia tem origem no século 17 e teria sido incendiado por invasores holandeses que tentaram plantar os pés na Bahia (1624–1625). As construções que vemos atualmente são da década de 1760. O conjunto arquitetônico, hoje formado pelo casarão e pela capela, é um dos mais preservados do Recôncavo, tombado desde 1944. As ruínas do engenho de cana, que funcionou até 1900, se perderam por volta da metade do século 20.
O grande encanto do Museu do Recôncavo é justamente esse conjunto. As peças do acervo — mobiliário, instrumentos agrícolas, utensílios e imagens — funcionam muito mais como adereços que reforçam o contexto do que exatamente como atrações em si.
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| A devoção ao Senhor Morto foi muito forte na Bahia. Esta imagem é do Século 19 |
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| Representação de Exu, orixá do movimento, dos caminhos e da comunicação, como o grego Hermes |
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| Uma das salas da exposição temporária Encruzilhadas, em cartaz no museu, com obras de 40 artistas brasileiros e africanos |
Experimente sentir a inteligência da arquitetura do século 18, que assegura ambientes ventilados e fresquíssimos no interior do solar, mesmo com o sol torrando o juízo dos visitantes do lado de fora. Permita-se um tempo para sentar em uma das espreguiçadeiras disponibilizadas pelo museu, à sombra das árvores, para quase cochilar com a brisa do mar, ouvindo o silêncio e namorando a beleza da Baía de Todos os Santos.
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| E tem banho de mar depois da visita |
Bem ao lado do museu fica uma prainha muito atraente (ainda que seja preciso caminhar sobre o muro, margeando uma cerca, para chegar até lá). Mesmo do atracadouro onde param as embarcações é possível dar um gostoso mergulho. A cerca de 1,5 km ao norte fica o povoado do Caboto, onde se destaca o tradicional restaurante Moqueca de Ouro, de frente para o mar.
Vá ao Museu Wanderley de Pinho para aprender — ou relembrar — que o Recôncavo Baiano é um pedaço de mundo envolvente e sedutor.
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| Permita-se um bom tempo curtindo a vista, a brisa e o silêncio. As espreguiçadeiras estão lá para isso |
Dicas práticas do Museu do Recôncavo Wanderley de Pinho
Onde fica: Via Matoim, Enseada de Caboto, s/n, Candeias.
Como chegar: o jeito mais fácil de ir ao museu é de carro (de transporte público seria uma mini-odisseia).
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| O museu está a cerca de 50 km de Salvador. Calcule até 1h15 de viagem da capital até lá |
Tempo médio de viagem: 1h a 1h15, dependendo do trânsito.
Horários: de quarta a domingo, das 10h às 17h
Ingresso: a entrada no museu é gratuita.
Dica: embora o museu fique de cara para o mar e haja uma prainha tentadora bem ao lado dele, é proibido entrar nos espaços expositivos molhado de praia ou em trajes de banho. Deixe o mergulho para depois da visita (ou espere o corpo secar nas espreguiçadeiras disponíveis na deliciosa área externa.
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