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17 julho 2026

De saveiro pelas Ilhas da Baía de Todos os Santos

Saveiro Sombra da Lua
Tendo a achar que o velho Odisseu ia curtir esse passeio pelas Ilhas da Baía de Todos os Santos

Grandes odisseias são fantásticas. Ultimamente, porém, tenho me encantado com aventuras mais caseiras. Como a incursão de saveiro às ilhas da Baía de Todos os Santos que fiz no feriadão do Dois de Julho, data em que a Bahia celebra a consolidação da Independência do Brasil.

Essa nova etapa da Expedição Kirimurê foi um jeito bem gostoso de explorar praias e povoados que vivem na cadência das marés e em um tempo próprio, apesar da proximidade com o burburinho de Salvador. Afinal, a ideia das expedições é essa mesma: descobrir pedacinhos do Recôncavo sem pressa e sem furdunço.

Ilha de Bom Jesus dos Passos na Baía de Todos os Santos
A fofa Bom Jesus dos Passos (Bomja, para os íntimos) foi nossa base nesta expedição

Navegando no saveiro Sombra da Lua (nova paixão da Fragata Surprise) e fazendo base na Ilha de Bom Jesus dos Passos — que tem ótima infraestrutura para o turismo — exploramos as ilhas dos Frades, de Maré e de Maria Guarda, além de uma paradinha na Ilha das Vacas, pra contemplar uma Baía de Todos os Santos mais íntima e acolhedora.

Foram quatro dias de expedição, no ritmo da vela e sem aperreios. Veja como foi esse passeio:

Ilha de Maria Guarda na Baía de Todos os Santos
Ilha de Maria Guarda: seja lá quem for o responsável por essa inscrição, está coberto de razão

30 maio 2026

Museu de Arte Popular Juraci Dórea - a celebração do Sertão


Museu de Arte Popular Juraci Dórea
Juraci Dórea representado em cerâmica na entrada do museu. Você atravessa esse portão (à direita) e entra num universo raro e lindo


Se você foi treinad@ a pensar em aridez e desolação quando ouve falar da Caatinga, está na hora de visitar o Museu de Arte Popular Juraci Dórea e descobrir a exuberância do Sertão — uma fartura que a geografia e a paisagem talvez não mostrem ao olhar apressado, mas que as vidas levadas a pulso esculpem, moldam, talham e colorem numa beleza e numa força de aluvião.

Foi exatamente isso que encontrei no último final de semana ao visitar o Museu de Arte Popular Juraci Dórea, instalado na Fazenda Garajau, entre os municípios de Macajuba e Ruy Barbosa, no coração do Sertão Baiano.

Museu de Arte Popular Juraci Dórea
Amigos da casa, como o cantador Bule Bule, são homenageados dando nome a espaços do museu

Com 2.500 peças garimpadas pelo Nordeste, Vale do Jequitinhonha e outras regiões do Brasil, o museu monta um mosaico deslumbrante da arte popular, que a gente não consegue esgotar nem no fim de semana inteiro que passei lá.    

Um passeio que uniu beleza visual, aconchego de longos papos na varanda, gastronomia sertaneja dos deuses, o silêncio que só a distância do frenesi urbano sabe proporcionar — temperado com música de primeira.

Museu de Arte Popular Juraci Dórea
Museu de Arte Popular Juraci Dórea
No alto, obra de Juraci Dórea na entrada do museu. Acima, o artista (cantinho direito) em grande companhia: Patativa do Assaré, Paulo Freire e Ariano Suassuna: a fina flor do Nordeste no quiosque onde são servidas as refeições

Quem quiser ver uma Bahia bem diferente do cartão postal da beira-mar — e tão linda quanto — vai adorar programar um fim de semana no Museu de Arte Popular Juraci Dórea (sim, porque este é um museu que recebe seus visitantes tão completamente que tem até acomodações para 15 hóspedes de cada vez).

Veja como foi a minha super deliciosa visita a esse tesouro sertanejo:

10 maio 2026

Dicas práticas de Jaguaripe


Jaguaripe no Recôncavo Baiano
Em Jaguaripe, o dia amanhece assim



Se você está procurando um destino encantado, fácil e barato, coloque Jaguaripe na sua lista de desejos. A cidade, fundada no Século 16, é um daqueles encantos que o Recôncavo Baiano soube tecer como ninguém. Um grande lugar pra viver a história, chegar perto da tradição saveirista e provar frutos do mar fresquinhos.

A apenas 100 km de Salvador, Jaguaripe é uma escapada certeira pra quem está na capital baiana (vivendo ou passeando). Estive lá no feriadão de Tiradentes, em uma etapa da Expedição Kirimurê (viagens pelo Recôncavo a bordo do saveiro Sombra da Lua) e recomendo demais a visita — de saveiro é melhor, mas de carro também é uma baita opção.

Paço Municipal de Jaguaripe
Atracadouro de Jaguaripe. Ao fundo, o Paço Municipal, edifício do Século 17
 
Neste post, listei algumas dicas práticas de Jaguaripe pra facilitar sua viagem a essa encantadora cidade. Bora?

02 maio 2026

O que fazer em Jaguaripe

 
Jaguaripe no Recôncavo Baiano
Jaguaripe é uma perolazinha do Recôncavo


Como contei no post anterior, tive um desbundante feriadão de Tiradentes participando de uma expedição de saveiro à fofíssima Jaguaripe, no Recôncavo Baiano.

Minha viagem a Jaguaripe foi uma etapa do projeto Expedição Kirimurê, iniciativa ligada ao movimento saveirista que busca contribuir para a preservação dos saveiros e para a divulgação das belezas únicas do Recôncavo, pátria dessas embarcações essenciais na formação da identidade baiana.  

Saveiro em Jaguaripe
Saveiros e Jaguaripe: pense numa combinação perfeita

Já tinha visitado a cidade algumas vezes, sempre fui fã, mas fazia três décadas que não aparecia por lá. Jaguaripe fica a cerca de 100 km de Salvador (pra quem corta caminho atravessando a Baía de Todos os Santos de ferryboat) e continua encantadora.

É verdade que o melhor dessa viagem foi chegar lá a bordo do centenário saveiro Sombra da Lua, mas ainda que você não tenha a sorte, recomendo muito que você coloque Jaguaripe na sua lista de desejos (vem aí um post om dias práticas da cidade). Você vai encontrar muitas coisas interessantes por lá.

Veja essas dicas:

25 abril 2026

Expedição a Jaguaripe com o Saveiro Sombra da Lua

Saveiros em Jaguaripe na Bahia
A bela Jaguaripe é uma grande moldura para os saveiros


Música deste post: Into the Mystic, Van Morrison


Todo mundo aqui tá careca de saber que a Fragata Surprise namora o Yellow Submarine. Mas somos todos adultos e preciso contar a vocês sobre o saveiro Sombra da Lua, a nova paixão deste blog. 

Fui apresentada a ele há alguns meses, em uma jornada ao Museu do Recôncavo Wanderley de Pinho, e tornamos a nos encontrar em uma especialíssima Expedição Kirimurê à cidade histórica de Jaguaripe, no Recôncavo Baiano, durante o feriadão de Tiradentes.

Saveiro Sombra da Lua em Maragogipinho na Bahia
Saveiro Sombra da Lua em Maragogipinho na Bahia
O Sombra da Lua chegando a Maragogipinho: é muito guapo!

Foram quatro dias de absoluto deleite, velejando pela Baía de Todos os Santos e Rio Jaguaripe, provando os frutos do mar do Recôncavo e conhecendo mais de perto a centenária tradição da cerâmica do povoado de Maragogipinho — reconhecido pela Unesco como o maior polo desta arte na América Latina.

Tudo perfeito: roteiro, elenco, direção, locações... Mas o melhor é o ritmo. Parece que a sapiência secular dos saveiros contagia tudo. A respiração desacelera, a contemplação sai da batida de videoclipe. A gente se desautomatiza das telas dos eletrônicos pra se concentrar na grande tela do mundo lá fora. 

Saveiros não são lentos. Eles são pacientes. E aquele compasso sabe ser hipnótico, viu?

Saveiro Sombra da Lua
Saveiro Sombra da Lua
O dueto do Sombra com o vento deixa o canto das sereias da Odisseia no chinelo

E ainda nem contei sobre a espetacular trilha sonora. O Sombra da Lua viaja sem música, mas faz um dueto afinadíssimo com o vento (João Gilberto na veia). Se calhar de a velejada acontecer sob um fiapo de quarto-crescente e uma passeata interminável de estrelas, não tem alma frenética que não se emende um pouquinho (a minha, incorrigível, está em franca recuperação).

Veja como foi essa viagem mágica:

05 fevereiro 2026

Trilha sonora para Salvador - 50 canções pra embalar seus passeios na cidade


Tem cidade mais musical do que Salvador? Essa é uma terra em tom maior, com ladeiras que parecem ter sido desenhadas pra ensinar uma ginga de corpo no sobe e desce, com o mar de Caymmi marcando o ritmo.

Qualquer tentativa de montar uma playlist de trilha sonora pra Salvador é uma cachoeira musical. As 50 canções deste post são uma escolha pessoal de memórias e alegrias reunidas em minhas décadas escutando a cidade.

Espero que ajudem a embalar seus passeios por Salvador.

 

23 janeiro 2026

Museu do Recôncavo Wanderley de Pinho - o engenho da memória

Museu do Recôncavo Wanderley de Pinho
Um museu que me ensinou a gostar de museus está de volta à ativa

Na última sexta-feira (16/01), finalmente pude voltar a um dos museus que me ensinaram a gostar de museus. Cheguei em grande estilo — a bordo de um saveiro centenário — e feliz da vida por reencontrar esse velho amigo. O Museu do Recôncavo Wanderley Pinho está ainda mais lindo do que eu lembrava.

O antigo Engenho Freguesia, sede do museu, tem 266 anos de idade, mas ostenta carinha de recém-nascido: depois de 25 anos fechado, o espaço passou por uma cuidadosa restauração e foi reaberto no último mês de dezembro.

Museu do Recôncavo Wanderley de Pinho
Museu do Recôncavo Wanderley de Pinho
Prepare-se para se apaixonar pelo conjunto colonial do Século 18 às margens da Enseada do Caboto

De lá pra cá, o museu já recebeu mais de 5.000 visitantes — e tenho certeza de que todos ficaram tão encantados quanto eu com o conjunto arquitetônico do século 18, com os 28 mil m² de área verde que cercam as construções e com a vista para o mar.

Veja como foi:

19 janeiro 2026

Passeio de saveiro na Baía de Todos os Santos - um dia a bordo do Sombra da Lua

Saveiro Sombra da Lua na Baía de Todos os Santos
É emocionante navegar em um saveiro centenário nas águas da Baía de Todos os Santos



Se você reparou no nome deste blog, será ocioso dizer que sou apaixonada por histórias do mar. Então, imaginem a emoção que experimentei quando fui convidada para um passeio de saveiro na Baía de Todos os Santos

E não foi qualquer passeio nem qualquer saveiro: naveguei até o Museu do Recôncavo Wanderley de Pinho — um dos museus que me ensinaram a gostar de museus — a bordo do Saveiro Sombra da Lua, com 103 aninhos de idade e tombado como Patrimônio Histórico do Brasil.

Atracadouro de saveiros na Feira de São Joaquim
O Sombra da Lua atraca nesse cantinho da Feira de São Joaquim. Embora poucos, alguns saveiros ainda resistem levando e trazendo mercadorias do Recôncavo para Salvador

Américo Vespúcio leva a fama, mas quem descobriu a Baía de Todos os Santos (BTS, para os íntimos) foram os saveiros. Foram os homens do mar que, desde os tempos da colônia, aprenderam a esquadrinhar cada cantinho dos 1.233 km² da baía e tiveram o engenho e a arte de criar o saveiro, a embarcação exata para navegar as águas e interligar os 200 km de litoral banhados por nosso mar interior.

Saveiro Sombra da Lua na Baía de Todos os Santos
O Sombra da Lua: uma imagem dessas desmancha até coração de pedra, né?

Se os movimentos tectônicos tiveram a gentileza de esculpir a Baía de Todos os Santos, os mestres e seus saveiros traçaram as rotas, interligaram vilas, ilhas (são 56 na baía!!) arraiais e engenhos, levando e trazendo não só mercadorias, mas as notícias, os jeitos de ser e de viver.

 Eles inventaram o Recôncavo como pátria de cultura e sotaque únicos. Foram os Ulisses, Eneias e Jasões da minha terra.

Museu do Recôncavo Wanderley de Pinho na Bahia
O destino do passeio foi o belíssimo Museu do Recôncavo Wanderley de Pinho, às margens da Enseada do Caboto, no município de Candeias

É por isso que meu coração estava aos pulos quando cheguei ao pequeno atracadouro escondido na caótica (e fascinante) Feira de São Joaquim. É lá que atraca o majestoso saveiro Sombra da Lua, completamente restaurado e apto a navegar o nosso pequeno mediterrâneo que é a Baía de Todos os Santos.

Veja como foi:

18 janeiro 2026

Salvador - todas as dicas (post índice)

Salvador, Bahia - Igreja do Bomfim

Igreja do Bonfim, um símbolo de Salvador


Todas as dicas de Salvador

Trilha sonora para Salvador - 50 canções pra embalar seus passeios na cidade


Passeios e atrações em Salvador


Solar do Unhão, Salvador, Bahia
O Solar do Unhão é um dos meus grandes favoritos em Salvador
Bairro de Santo Antônio Além do Carmo, Salvador, Bahia
Os casarões do bairro de Santo Antônio Além do Carmo são sempre muito fotogênicos

Bairro do Rio Vermelho em Salvador, Bahia
Final de tarde no bairro do Rio Vermelho


Salvador: uma tarde no Solar do Unhão

Onde comer - e o que comer - em Salvador



Comer em Salvador, Bahia
Acarajé, moqueca, caranguejo e sorvetes de frutas, quatro delícias que você não pode perder

Restaurante da Preta em Salvador no Palacete Tira Chapéu

Dois restaurantes em Salvador pra combinar com passeios imperdíveis na Gamboa e no Centro Histórico

O tradicional restaurante Mini Cacique (fechado 😢)

Sim, é possível comer bem na Marina da Contorno

O hambúrguer do Bravo Burger&Beer

O tabuleiro da baiana e outras tentações

Comer em Salvador: 5 lugares bárbaros

Sabores da Bahia: três segredinhos de Salvador

O melhor acarajé da Bahia

Paixão por mercados: a Ceasinha do Rio Vermelho

Axé, Nonna! Dois restaurantes italianos pra você dar um tempo do dendê em Salvador

Dicas de verão: onde beber e petiscar em Salvador

Onde comer em Salvador - restaurantes, cafés e sorveterias

Ponta do Humaitá, Salvador, Bahia
Enseada dos Tainheiros, Ribeira, Salvador, Bahia
Duas cenas da Cidade Baixa: no alto, a Ponta do Humaitá vista do Forte da Boa Viagem. Acima, a Enseada dos Tainheiros, na Ribeira

Festas e celebrações em Salvador

Dois de Julho, a festa da Independência


Forte de São Marcelo, Salvador, Bahia
Ladeira da Barra, Salvador, Bahia

O mar vai ser sua companhia constante em Salvador, aproveite. No alto, o Forte de São Marcelo. Acima, a vista da Ladeira da Barra


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14 janeiro 2026

O discreto charme da boemia nos Barris

Bares nos Barris em Salvador
O núcleo etílico dos Barris antes da muvuca (que nem é tanta). O trechinho boêmio fica de cara para a Biblioteca Central

Rio Vermelho ou Santo Antônio? Quem pensa em farra em Salvador costuma ficar dividido entre esses dois bairros, muito bem providos de bares e restaurantes para todos os gostos. Recentemente, porém, minha simpatia palpita pela boemia nos Barris, bairro do ladinho do Centro Antigo e de respeitável tradição notívaga.

Farrear nos Barris é pra quem procura uma vibe nada frenética, com conversa longa em voz confortável, que não precisa subir de tom acima de música estridente. 

A boemia nos Barris tem uma madrinha surpreendente:  a Biblioteca Central do Estado da Bahia, ou simplesmente, "Biblioteca dos Barris" — a instituição pública do gênero mais antiga da América Latina, fundada em 1811 — ganhou a sede atual no bairro em 1970. Sua programação cultural, especialmente as sessões de cinema na Sala Walter da Silveira, sempre atraiu um público interessante e fiel para a área. 

O núcleo boêmio dos Barris é pequenininho, mas animado. Ele se resume a uns 200 metros da Rua General Labatut em frente à Biblioteca, onde se alinham bares como a Cantina dos Barris, o Velho Espanha, o libanês Baladna e o Resenhas Gourmet. O clima é adorável: conversas animadíssimas nas mesas e celulares esquecidos — até pode rolar uma selfie, mas a alegria-ostentação definitivamente não é a marca do lugar.

Veja como curtir a boemia nos Barris:

11 janeiro 2026

Samba da Resistência - programaço em Itapuã

Samba da Resistência em Itapuã
O Samba da Resistência é simplesmente delicioso

A melhor coisa de Salvador é saber construir espaços e atmosferas que dão um belo zignau no clichê e no cenário de Instagram e botam a gente cara a cara com a essência da cidade. O Samba da Resistência de Itapuã é um desses casos: tem data, hora e lugar, mas, principalmente, tem alma.

Fui lá no último sábado (10/jan) e me esbaldei — sou uma roqueira muito da eclética, mas mesmo os ortodoxos vão se render à delícia de roda de samba promovida há 40 anos em uma modesta pracinha de Itapuã, do ladinho da Lagoa do Abaeté.

Samba da Resistência em Itapuã
A partir das 17h horas já começa a chegar gente. O samba começa oficialmente às 19h e vai até às 22h, pra a vizinhança poder dormir

O Samba da Resistência é um patrimônio da comunidade local, que se reúne pra cantar, dançar e conviver na maior tranquilidade. A música é excelente, mas acho que é esse astral que atrai gente de todos os quadrantes da cidade pra ver uma Salvador que ainda é possível: a festa gostosa de verdade, desencanada e contagiante.  

E bote contagiante nisso. É impossível ficar quieta no Samba da Resistência.

Francamente, o “samba de Itapuã”, como é carinhosamente chamado, é a opção mais instigante e imperdível que vi em Salvador nos últimos anos. Se você ainda não foi, vá. Se já foi, volte. E muito.

20 dezembro 2025

Jazz na Avenida - opção de boa música em Salvador

Apresentação do Jazz na Avenida em Salvador
Em Salvador, toque jazz que junta gente

Quer um bom programa musical em Salvador? Experimente o Jazz na Avenida, na Boca do Rio. Toda sexta-feira, lá pelas 19 horas, você vai encontrar jazz, blues e outros primos sonoros, num espaço muito despojado e simpático que nasceu de apresentações feitas literalmente na rua, na porta da casa do músico Laurent Rivemales, lá no já distante 2014.

Quem conhece Salvador nem estranha o namoro da cidade com o jazz. Uma cidade capaz de parir de Caymmi a Raul Seixas é muito mais diversa do que sugere o vão martelar da nota única do axé que serve de trilha sonora à propaganda.

Jazz na Avenida em Salvador
Se quiser ver o show sentadinha, chegue cedo, que a casa lota pra valer. Esta foto foi feita antes das 22 horas (antes da bateria do celular morrer) e já estava assim
 
E a terra gosta de jazz — que o digam as plateias do Sexteto do Beco, nos anos 70; as noites inesquecíveis do bar Ad Libitum, nos anos 80; o Grupo Garagem, nos 90; as lotadíssimas Terças do Jazz do Póstudo, nos anos 2000; e a já quase eterna Jam no MAM, que continua levando muita gente ao Solar do Unhão.

Em Salvador, toque jazz que junta gente — ainda que não arraste a multidão do só não vai quem já morreu. O Jazz na Avenida está nessa vibe, e a casa lota toda sexta-feira.

O que começou como apresentações informais na rua ganhou palco, mesas e serviço de bar, foi reconhecido como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura e desenvolveu um braço comunitário de apoio aos moradores da área, com distribuição de alimentos e outros serviços bancados pelo pix solidário pago como ingresso.

Jazz na Avenida em Salvador
O dono da casa, Laurent, esquentando os tambores antes do início do show 
 
Tá, mas e a música? A casa abre às 18 horas. Às 19h começam os shows. A programação é variada, com atrações diversas, apresentações de uma banda da casa e sempre uma jam session aberta a músicos locais (a partir das 21 horas), que costuma esticar a noite.

O público também é diverso: de senhores compenetrados a galerinha recém-saída da adolescência. Quem chega cedo encontra mesa. Quem vem mais tarde fica de pé mesmo, papeando, bebericando e ouvindo a música — alguns até na rua, que, aliás, foi onde tudo começou.

Fui, gostei e recomendo.

Jazz na Avenida – dicas práticas

Confira a programação em www.jazznaavenida.com.br

Onde fica: Avenida Simon Bolívar nº 156, Jardim Armação, Boca do Rio.

Como chegar: sugiro que você vá com carro de aplicativo. Até tem como achar estacionamento, mas pra parar perto do bar, só chegando cedinho.

Horário: as apresentações são sempre às sextas-feiras, a partir das 18 horas

Ingresso: 1 kg de alimento não-perecível ou pix solidário, no valor que você decidir (mas não seja mão de vaca 😉).

Todas as dicas de Salvador aqui na Fragata

Mais sobre a Bahia 
Litoral Norte: Praia do Forte, Imbassaí, Barra do Itariri e Vila do Diogo
Recôncavo Baiano
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10 dezembro 2025

Museu da Misericórdia de Salvador — uma janela para o Século 17

Loggia do Museu da Misericórdia de Salvador
Museu da Misericórdia: beleza, arquitetura colonial e uma vista arrepiante para a Baía de Todos os Santos

Quer dar um mergulho na história colonial de Salvador? Pois então você precisa visitar o Museu da Misericórdia, ali do ladinho do Elevador Lacerda — coisa de dois passos mesmo (150 metros, para ser jornalisticamente precisa) — e a pouco mais de 300 metros da famosa “Ladeira do Pelô”.

O Museu da Misericórdia funciona no palacete do Século 17 que abrigou a Santa Casa de Misericórdia da Bahia, a instituição de caridade mais antiga do Brasil, contemporânea da fundação de Salvador, em 1549.

Igreja da Misericórdia em Salvador
A Igreja da Misericórdia, incorporada ao museu, é um primor barroco

O conjunto de salões, pátios, cisterna, ossuário e capela (a belíssima Igreja da Misericórdia) reúne um acervo muito bacana de obras de arte, objetos litúrgicos, mobiliário, documentos (a maior coleção fora dos arquivos públicos da Bahia) e memórias do primeiro hospital a funcionar na cidade.

Bora passear no Museu da Misericórdia?

07 dezembro 2025

Visita à Catedral Basílica de Salvador — história e arte de um tesouro do Século 17

Altar-mor da Catedral Basílica de Salvador
A Catedral Basílica de Salvador é apenas deslumbrante

Tem uma personagem importantíssima em Salvador que há muito tempo merecia um post só pra ela aqui na Fragata. A Catedral Basílica de Salvador é um tremendo tesouro do Século 17 que acaba recebendo muito menos atenção do que merece.

A antiga Igreja dos Jesuítas, inaugurada em 1672 (a quarta edificação no mesmo local) é uma joia barroca pra deixar qualquer um de queixo caído e merece estar no topo da lista de atrações de qualquer roteiro no Centro Histórico de Salvador.

Veja as dicas e não perca essa beleza na sua próxima visita à minha cidade:

Catedral Basílica de Salvador


16 novembro 2025

Restaurante da Preta em Salvador no Palacete Tira Chapéu

Palacete Tira Chapéu em Salvador
O Restaurante da Preta é uma das atrações gastronômicas do Palacete Tira Chapéu

Na Bahia, se Maomé não vai à montanha, a montanha vem ligeirinha pra perto da gente — mágicas que só acontecem com esse povo da praia.

Faz alguns verões que ando planejando um almoço no Restaurante da Preta, na Ilha dos Frades — a produção exigida pra chegar até lá sempre me fez adiar o programa. Aí a montanha se mexeu e Preta abriu um restaurante no Centro Histórico de Salvador.

Restaurante da Preta em Salvador
Restaurante da Preta, versão Salvador: elegante e aconchegante

 Agora sem desculpas, lá fui eu almoçar em Preta, como falam os habitués. Não teve a paisagem linda da Ilha dos Frades, na Baía de Todos os Santos, mas teve comida muito gostosa em um ambiente muitíssimo agradável.

Veja como foi minha experiência:

15 novembro 2025

Visita ao MUNCAB: o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira em Salvador

Fachada do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) no Centro Histórico de Salvador
Fachada do MUNCAB vista através do gradil Histórias de Ogum, obra de J. Cunha

Neste mês de novembro — Mês da Consciência Negra — finalmente fiz uma visita que estava me devendo há muito tempo: fui conhecer o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), no Centro Histórico de Salvador.
 
Exposição Memória: relatos de uma outra história no Muncab em Salvador
Exposição Memória: relatos de uma outra história no Muncab em Salvador
A Exposição Memória: relatos de uma outra história, dedicada a mulheres artistas negras  

O museu está com duas exposições imperdíveis. 

A mostra Memória: relatos de uma outra história, é dedicada à produção de mulheres artistas negras da África e da diáspora. Reúne obras de 20 artistas contemporâneas, entre elas as brasileiras Amélia Sampaio, Fabiana Ex-Souza, Luana Vitra, Madalena dos Santos Reinbolt e Maria Lídia dos Santos Magliani, a ítalo-camaronesa Barbara Asei Dantoni, a camaronesa Beya Gille Gacha, a ganesa Enam Gbewonyo, a senegalesa  Selly Raby Kane e a namibiana Tuli Mekondjo.

Eu, que vivo dizendo que arte contemporânea não é minha praia, me fartei no banquete visual.

Ensaio, obra de Bennie Andrews no Muncab em Salvador
Ensaio (1997), do norte-americano Bennie Andrews
Retrato Maria I de Dalton Paula no MUNCAB em Salvador
Retrato Maria I de Dalton Paula no MUNCAB em Salvador
Me apaixonei por Retrato Maria I (no alto e no detalhe acima), do goiano Dalton Paula. A técnica usada na obra é óleo sobre livro 
Jayme Figura no Muncab em Salvador
Escultura do baiano Jayme Figura

Já Ancestral: Afro-Américas reúne obras de artistas negros consagrados do Brasil e dos Estados Unidos, com obras de Yêdamaria, Rosana Paulino, Abdias do Nascimento, Mestre Didi, Rubem Valentim e Bispo do Rosário, do cubano Carlos Martiel e dos norte-americanos Simone Leigh, Benny Andrews e Leonard Drew.

Yemanjá de Yêdamaria no MUNCAB Salvador
Yemanjá, de Yêdamaria, na mostra Ancestral: Afro-Américas
Fotografia de Gosette Lubondo no Muncab em Salvador
As fotografias da congolesa Gosette Lubondo são um grande motivo pra ir ao Muncab ver a mostra Memória. Absolutamente sensacionais

As duas mostras reforçam a vocação do MUNCAB de apresentar o que há de mais potente na arte afro-brasileira e da diáspora africana. Entre pintura, escultura, têxteis, fotografia e vídeo, encontrei uma beleza que faz bem aos olhos e à alma. Amei, recomendo e pretendo voltar.

Exposição Ancestral: Afro-Américas no Muncab em Salvador
A exposição Ancestral: Afro-Américas está deslumbrante