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22 julho 2024

O Museu da Acrópole de Atenas


Museu da Acrópole de Atenas visto do alto da Acrópole

O Museu da Acrópole de Atenas (no fundo, ao centro) e o Anfiteatro de Dionísio (em primeiro plano), fotografados do alto da colina sagrada dos gregos


Ao lado do Museu Nacional de Arqueologia de Atenas e do Museu da Ágora Antiga, o Museu da Acrópole de Atenas forma uma trinca essencial ao visitante que quer mergulhar um pouquinho mais na fantástica arte dos helenos.

Os acervos dessas instituições complementam a narrativa estética que a gente começa a descobrir muito antes de estar cara a cara com os famosos monumentos da Grécia — afinal, quem não começou a sonhar com aqueles sítios fantásticos na primeira aula sobre a Antiguidade, diante de um quadro de giz?

Museu da Acrópole de Atenas
Museu da Acrópole de Atenas

Generosas vidraças levam a Acrópole pra dentro do edifício do museu


No final de abril deste ano, fiz minha segunda visita ao Museu da Acrópole de Atenas e fiquei ainda mais encantada do que na primeira vez (as pessoas me perguntam por que repito viagens e taí: os amores mais arrebatados podem ficar ainda maiores).

Museus costumam ser lugares bonitos e o que não falta no mundo é inteligência museológica pra transformá-los em lugares instigantes, instrutivos, esclarecedores e mágicos. Mas o Museu da Acrópole de Atenas tá num patamar acima.

Veja que maravilha é o Museu da Acrópole de Atenas:

11 junho 2024

Atrações gratuitas em Madri - roteiro pelo Século de Ouro

Plaza Mayor de Madri

A Plaza Mayor é o coração da Madri antiga ou “Madri dos Áustrias”. Este espaço do Século 17 era palco de festas, celebração de conquistas militares e de autos de fé da Inquisição. A construção em amarelo é a Casa de la Panadería, que servia de camarote real


Quer fazer um passeio lindo sem gastar nem um tostão? Entre as muitas e maravilhosas atrações gratuitas em Madri esse "roteiro pelo Século de Ouro" é um jeito maravilhoso de mergulhar na história e nas belezas da capital espanhola.

Entre os séculos 16 e 17, Madri foi uma das cidades mais prósperas do planeta, quase uma "capital do mundo, centro de um "império onde o sol nunca se punha" — a cidade "paradoxal, singular e irrepetível", como definiu o escritor espanhol Arturo Pérez-Reverte. Tanto poder e tanto dinheiro lotaram a cidade de belezas que ainda hoje encantam olhos de locais e viajantes.

Casa de la Villa em Madri
A Casa de la Villa, foi inaugurada em 1692, como sede do governo de Madri (Ayuntamiento). A cidade tinha se tornado a capital da Espanha em 1561

Com este roteiro de atrações gratuitas em Madri pra ser feito a pé, você vai ver as memórias Século de Ouro, com destaque para a Plaza Mayor, a Colegiata de San Isidro (que já foi a catedral madrilenha), a Plaza de la Villa, o Palácio de Santa Cruz e um dos quadros mais bonitos de El Greco na Igreja de San Ginés. 

Veja os detalhes:

09 junho 2024

Os três grandes Museus de Madri - uma trinca que vale a viagem

Museu Reina Sofia em Madri

Eu deliro com a arquitetura e o acervo do Museu Reina Sophia de Madri. A escultura que aparece na foto é A Pincelada de Roy Lichtenstein


Post atualizado em junho de 2024

Museu do Prado, Museu Thyssen-Bornemisza e Museu Reina Sofia: se você está procurando motivos para visitar a capital espanhola (e olha que há pencas de razões), concentre-se nesses nomes. Esses três museus de Madri — só eles — já valem a viagem.

O Museu do Prado é aquilo que a gente já sabe: uma dos mais importantes do mundo, onde se pode ver um panorama vasto e apaixonante de tudo que a Europa (principalmente) já produziu na pintura e na escultura, os carros chefes do acervo.

"As Meninas" de Velázquez no Museu do Prado em Madri
Estátua de Velázquez no Museu do Prado em Madri
O grande Diego Velázquez recebe os visitantes na porta do Museu do Prado. Sua tela As Meninas (no alto), exposta lá, é um imenso motivo pra visitar Madri
Museu Reina Sofia em Madri
Museu Reina Sofia em Madri
Acima e no alto, detalhes da arquitetura do Museu Reina Sofia

 O Museu Reina Sofia — cujo engenho arquitetônico usado para integrar seus pavilhões já deixa a gente apaixonada — tem uma das melhores coleções de Arte Moderna do Planeta, onde se destaca a Guernica, de Picasso. 

O Museu Thyssen-Bornemisza reúne um precioso acervo de pintura que abarca do Renascimento ao . Modernismo

Obras do acervo do Museu Thyssen-Bornemisza, em Madri
Atrações do Museu Thyssen-Bornemisza: Santa Catarina de Alexandria, de Caravaggio, e Jovem Cavaleiro e Paisagem, de Vittore Carpaccio
Passeio do Prado, Madri
O caminho das pedras: o Paseo del Prado leva você pela mão pra ver esses três museus fantásticos

Uma linha quase reta de 1,5 km liga esses três museus de Madri, em uma área super central da cidade, muito bem servida de transporte público. O ponto de referência é o agradável e histórico Passeio do Prado, uma alameda muito verde e margeada por obras de arte onde já era chique caminhar no Século 17.

O Passeio do Prado está a 200 metros do Museu Nacional Museu Reina Sofia e passa literalmente na porta do Museu do Prado e do Museu Thyssen-Bornemisza.

Igreja de San Jerónimo el Real, Museu do Prado, Madri
A Igreja de San Jerónimo el Real pertencia a um dos mosteiros mais importantes de Madrid. Seu claustro foi integrado ao Museu do Prado

A proximidade entre os museus, porém, não significa que você deva visitá-los no mesmo dia. Tem tanta, mas tanta coisa pra ver no Prado, no Reina Sofia e no Thyssen que cada um deles rende mais de uma visita. Tudo bem que eu sou bicho de museu, mas considero cada um deles programa pra um dia inteiro — e muitíssimo prazeroso.

O importante é não deixar esses três museus de Madri fora de seu roteiro na cidade. Veja as dias práticas e as maravilhas que você vai encontrar no Museu do Prado, no Museu Reina Sofia e no Museu Thyssen-Bornemisza:

26 dezembro 2022

Bairro Lastarria, Santiago Belle Époque


Bairro Lastarria, Santiago do Chile

O Bairro Lastarria tem um arzinho Belle Époque que eu acho o traço mais sedutor de Santiago


Os terremotos não permitiram que a capital chilena preservasse em seu Centro Histórico um conjunto arquitetônico com tantos séculos de idade como os de Salvador, de Quito ou de Cusco. Mas no adorável Bairro Lastarria, Santiago faz a gente viajar tão bem para a Belle Époque que nem dá pra sentir falta do patrimônio que costumamos associar às cidades coloniais das américas.

A dois passos da movimentadíssima Avenida Libertador Bernardo O’Higgins, a principal via do Centro de Santiago, o Bairro Lastarria é um recanto de charme arquitetônico, boa gastronomia, ótima opção de passeios e de hospedagem.

Claraboia art nouveau em um casarão do Bairro Lastarria, Santiago do Chile

Claraboia de um casarão do Bairro Lastarria transformado em centro de lojas de design e moda

Na arquitetura, Lastarria preserva muitos edifícios em estilo eclético, art nouveau e algumas pinceladas de art-déco. Para fazer companhia — e contraponto — à pedra e à cal, o bairro é dono de algumas das áreas verdes mais queridas de Santiago, como o histórico Cerro Santa Lucia e o agradabilíssimo Parque Florestal, limite Norte do bairro.

O trânsito e as buzinas podem estar pegando fogo na Alameda (como os santiaguinos chamam a Avenida Libertador O'Higgins), que Lastarria não se abala.

Parque Florestal de Santiago do Chile
O agradável Parque Florestal marca o limite Norte do Bairro Lastarria

Lastarria é de uma cordialidade rara em regiões centrais de grandes metrópoles, mesmo as que tratam bem de seus centros antigos, e é uma das minhas áreas favoritas em Santiago. Veja que delícia de bairro e o que fazer por lá:

05 novembro 2022

Museu Fortabat em Buenos Aires

Museu Fortabat em Buenos Aires

Museu Fortabat em Buenos Aires: o lugar para descobrir grandes artistas argentinos

A capital argentina tem um respeitável elenco de museus, cada um de seu jeito. No MNBA, a gente tem um panorama bem amplo das artes visuais no mundo. No Malba, a gente morre de paixão pelos latino-americanos, em geral. Mas foi no Museu Fortabat que Buenos Aires me apresentou à riqueza da arte produzida na Argentina.

No Museu Fortabat, descobri pintores interessantíssimos como os modernistas Roberto AizebergAntonio AliceCarlos Alonso e o genial Antonio Berni. Foi lá que encontrei as impressionantes Raquel Forner e Mildred Burton. Também foi lá que conheci obras do célebre Prilidiano Pueyrredón, que no Século 19 retratou com paixão a Argentina criolla dos pampas.

"A Defunta Correa" de Antonio Berni no Museu Fortabat em Buenos Aires
"A Defunta Correa" de Antonio Berni no Museu Fortabat de Buenos Aires
A Defunta Correa, de Antonio Berni é uma tela/instalação que retrata uma forte devoção popular argentina a Maria Antonia Deolinda Correa, a quem se atribui uma série de milagres

Sim, você verá grandes expoentes das artes no mundo, como Turner, Jan e Pieter Brueghel, Chagall, Miró e Salvador Dalí.

Mas a ênfase do acervo do Museu Fortabat é a arte argentina. De todos os museus de Buenos Aires que já visitei, este foi o que me “educou” mais neste quesito.

"O Censo de Belém", de Brueghel, no Museu Fortabat de Buenos Aires

Se você quer ver grandes nomes da pintura mundial, o Museu Fortabat também tem: este quadro é O Censo de Belém, de Brueghel

Estrategicamente localizado em Puerto Madero — um lugar onde 10 entre 10 turistas dão ao menos uma passadinha —, o Museu Fortabat de Buenos Aires é um programaço que merece demais entrar no seu roteiro portenho.

Veja as dicas:

21 outubro 2022

O que fazer em Buenos Aires

Monumento a Juan de Garay fundador de Buenos Aires
Juan de Garay foi o responsável pela segunda e definitiva fundação de Buenos Aires. Duvido que ele imaginasse a cidade sensacional que estava inventando

Aposto que você já sabe que tem muito o que fazer em Buenos Aires. Por isso mesmo, uma semana é a duração ideal de qualquer visita à capital argentina.

Para quem vai pela primeira vez, uma semana é o tempo de explorar com calma as diversas facetas de uma metrópole tão diversa em encantos e atrações.

Para quem está voltando a Buenos Aires — sem a urgência de bater o ponto nas atrações turísticas mais badaladas — esse é o tempo para rever o que mais gostou e descobrir novas possibilidades.

Palácio Barolo, Buenos Aires

O interior do Palácio Barolo, na Avenida de Mayo. A construção foi inspirada na Divina Comédia, de Dante Alighieri


Buenos Aires: café com medialuna e a a Torre Monumental do Retiro

Já perdi a conta das vezes que visitei a cidade  — cerca de uma dúzia — e sempre encontro novidades no quesito o que fazer em Buenos Aires. Ela é realmente uma metrópole inesgotável em encantos.

Além de dicas específicas, este post também funciona como um índice. Listei vários dos meus passeios favoritos em Buenos Aires (alguns ganharam posts exclusivos): o Teatro Colón, a apresentação do grupo teatral Fuerza Bruta, o Jardim Japonês, em Palermo, e os bairros de San Telmo, Palermo Soho e Recoleta.

Teatro Colón, Buenos Aires

Teatro Colón de Buenos Aires: lindo por fora, deslumbrante por dentro. Se não der pra ver um espetáculo lá, faça a visita guiada


Teatro Colón, Buenos Aires

Organizei os passeios em Buenos Aires agrupando as atrações por áreas geográficas. Assim, você pode adaptar o itinerário à quantidade de dias que vai passar em Buenos Aires e aos seus interesses — sejam eles mais chegados ao turismo mais convencional ou a uma agenda mais alternativa. Espero que ajude você a montar um roteiro bacana nessa cidade deliciosa 😊.

Os preços das arações que você vai ver neste post também foram atualizados, agora em outubro de 2022, quando retornei da minha mais recente viagem a Buenos Aires. 

Museu de Arte Hispano-Americana, Buenos Aires
O Museu de Arte Hispano-Americana de Buenos Aires tem uma belíssima coleção do período colonial. Fui, amei e estou puxando as minhas orelha por não ter ido antes

Com a inflação que hoje inferniza a Argentina, é possível que essas informações sobre preços caduquem rapidinho. E, então, vale checar nos sites oficiais os valores dos ingressos. Não estranhe ver dois preços em reais para os ingressos: eles equivalem à cotação oficial e à cotação blue (paralela) da nossa moeda.

Puerto Madero e Puente La Mujer, Buenos Aires

Caminhar à beira d'água em Puerto Madero é sempre um programinha gostoso em Buenos Aires


21 agosto 2022

O que fazer na Cidade Velha de Montevidéu

Cidade Velha de Montevidéu
Bela arquitetura, excelentes museus, bons restaurantes e livrarias: a Cidade Velha de Montevidéu é um programão

Se você vai à capital uruguaia, aposto que já colocou no topo de sua lista de passeios a Cidade Velha de Montevidéu

E faz muito bem: o bairro concentra muitas das principais atrações montevideanas, é uma vizinhança muito simpática e perfeita para ser explorada a pé — além de ser bastante plana, tem muitas peatonais (ruas exclusivas para pedestres, peatónes, em espanhol).

Edifício Art Nouveau na Calle Sarandí em Montevidéu
Eu viajo na arquitetura da Cidade Velha de Montevidéu
Casamento na Peatonal Sarandí em Montevidéu
As noivas da Sarandí: eu topei com pelo menos meia dúzia de casamentos passeando pela peatonal, onde fica um cartório muito concorrido 

Meu recente roteiro em Montevidéu — 9 lindos dias — incluiu não apenas um, mas vários dias de passeios pela Cidade Velha. Aproveitei os museus sensacionais do bairro, ótimos restaurantes, cafés históricos lindos e livrarias de fazer a gente perder a cabeça. E curti imensamente namorar a bela arquitetura da área.

A Cidade Velha de Montevidéu é um Centro Histórico muito peculiar, comparado com outros conjuntos de origem colonial nas Américas. 

Não espere encontrar aquela uniformidade arquitetônica que se vê no Pelourinho, em Paraty, Quito ou Cusco. Mas o bairro incorporou o passar do tempo com muita personalidade, mesclando feições de diversos estilos em suas fachadas sem desafinar a harmonia.

Grafite anti-imperialismo na Peatonal Sarandí em Montevidéu
Você vai encontrar muitos grafites na Peatonal Sarandí
Plaza Constitución em Montevidéu
A Plaza Constitución foi a Praça Maior da Montevidéu colonial

Pra mim, aliás, o maior encanto da Cidade Velha de Montevidéu é mesmo o “conjunto da obra”. 

Ela não é nada cenográfica e, apesar de ter se tornado mais evidentemente turística, desde a minha última visita, há 11 anos, ainda consegue até preservar ecos de lugar onde mora gente — experimente ver as crianças do bairro brincando nos balanços e gangorras da Praça Zabala e você vai entender.

Altares da Catedral de Montevidéu
Altares da Catedral de Montevidéu

A seguir, veja como aproveitar os encantos da Cidade Velha de Montevidéu e as dicas práticas de suas excelentes atrações:

01 junho 2022

10 atrações em Montevidéu

Grafite de Júlio Cortázar no Bairro de Cordón em Montevidéu

O escritor argentino Julio Cortázar observa a muvuca da Feira de Tristán Narvaja, realizada aos domingos, no Bairro de Cordón


Já falei isso e vou repetir: Montevidéu é muito mais atmosfera e astral do que uma lista de atrações a ser ticada — e que cidade não é, quando a gente leva a alma pra viajar? Mas essa história de que não tem muito o que fazer na capital uruguaia é pura lenda.

Em nove dias “líquidos” de roteiro em Montevidéu, encontrei muita coisa bacana pra fazer por lá. Neste post, vou comentar as 10 atrações em Montevidéu mais conhecidas, com as dicas práticas (como chegar, ingressos), pra ajudar seu planejamento. 

De cara, já aviso que sou totalmente parcial em relação a Montevidéu: adoro a cidade desde nosso primeiro encontro, no inverno gelado de 1978. Voltei lá bem menos do que gostaria e só agora, nesta quarta visita, pude me dar o prazer de esticar a estadia para além do basicão. 

Ramblas de Montevidéu
Parque Rodó em Montevidéu

As Ramblas (no alto) e o Parque Rodó: lugares para ser feliz ao ar livre em Montevidéu


Em nove dias de estadia, pude ir muito além dessas 10 atrações em Montevidéu. Mas quem tem menos tempo para curtir essa adorável cidade estará muito bem servida por elas.

Mas, se eu fosse você, esticaria a estadia para ir além desses pontos turísticos. Montevidéu tem ótimos centros culturais e museus, inenarráveis livrarias e a gastronomia que deixa a gente com vontade de reencarnar como camelo — privilegiados bichos dotados de quatro estômagos. Essas atrações em Montevidéu ganharam postagens exclusivas (siga os links pra ver).

Entre as 10 atrações em Montevidéu que destaco aqui, oito são gratuitas (Ramblas, Parque Rodó, Terraço Panorâmico da Prefeitura, a arquitetura da Avenida 18 de Julio, a Plaza Independencia, o charme da Cidade Velha, o Bairro de Cordón e a Feira de Tristán Narvaja).

Palácio Santos em Montevidéu
Esta lindeza de edifício de inspiração renascentista é o Palácio Santos, na Avenida 18 de Julio. A construção, do Século 19, é sede do Ministério das Relações Exteriores do Uruguai

Apenas duas atrações desta lista cobram ingresso: as visitas guiadas ao Palácio Salvo e ao Teatro Solís

Bora combinar que 80% de atrações gratuitas é uma ótima relação, né? Montevidéu não é uma cidade barata pra quem ganha em reais — ainda que não exorbitante — mas a bichinha é generosa.

Teatro Solís de Montevidéu
O Teatro Solís é lindo por dentro e por fora. Não perca a chance de vê-lo em uma visita guiada

E, antes de ir ao que interessa, meu conselho de apaixonada: não vá a Montevidéu esperando encontrar Buenos Aires. As duas cidades compartilham o idioma, o Rio da Prata, o Tango — La Cumparcita, o exemplar mais famoso do gênero, é criação uruguaia — e ecos europeus (na capital uruguaia, os tais ecos são lindamente temperados pela pulsação africana do Candombe).

Mas Montevidéu e Buenos Aires têm ritmos e personalidades muito diferentes. Quem consegue sintonizar a atmosfera da capital uruguaia ganha de presente um amor para o resto da vida. Então, chega de preâmbulos e vamos passear pela deliciosa Montevidéu. 

Veja as dicas:

16 maio 2022

O que fazer em Valência na Espanha


Valência na Espanha
No alto, o Século 21 na Cidade das Artes e da Ciência. Acima, o Século 15 na Lonja de la Seda: Valência caminha entre os tempos históricos com uma graça e uma beleza muito raras

Fazia muito, muito tempo que eu não ficava tão caída de amores por uma cidade como fiquei por Valência. Visitei a cidade nas últimas férias antes da pandemia — ela foi um dos vértices do meu roteiro mediterrâneo, que incluiu também Malta e Barcelona — e foi amor à primeiríssima vista.

A capital da Comunidade Valenciana, a 360 km de Madri e 350 km ao Sul de Barcelona, era um destino que eu vinha me devendo há décadas. E como é que eu pude demorar tanto para me dar o prazer de estar naquela cidade?

Como eu pude demorar tanto para ver a Valência de El Cid, o legendário campeador, que governou a cidade no Século 11? A corajosa capital da República Espanhola durante a Guerra Civil? O berço da paella


Valência na Espanha
O animado vai e vem no Centro Histórico de Valência em um final de tarde de outono. Ao fundo, a espetacular Catedral
Mercado de Colón em Valência na Espanha
A Art Nouveau Valenciana resplandece na fachada do Mercado de Colón, ótimo lugar para bebericar e tapear

Tem muito o que fazer em Valência, cidade de beleza escancarada, cheia de gente animada nas ruas e alguma coisa no ar que convida à felicidade.

As atrações de Valência passeiam do Gótico aos traços contemporâneos e quase afoitos da arquitetura de Santiago Calatrava — e eu ia dizer passando pela Art Nouveau Valenciana (prima do Modernismo Catalão), que está em toda parte. Mas quem é que apenas passa pela Art Nouveau? Porque eu paro, me amarro e arreio os quatro pneus.

Estação del Nord em Valência na Espanha
Valência não está para brincadeiras e já quer arrebatar seu coração desde o primeiro instante. Desembarcar do trem na Estação del Nord é mergulhar na Art Nouveau Valenciana
Jardins do Túria em Valência na Espanha
Eu fiquei fã dos passeios pelos Jardins do Túria, um parque linear com mais de 10 km sobre o antigo leito de um rio

Viajar tem muitos prazeres. Namorar paisagens novas, tentar ficar íntima do ritmo de um idioma diferente, inebriar-se em temperos menos familiares — acredite, uma orxata de xufa, bebida típica de Valência, é o sabor exótico mais fácil de se amar que eu já provei.

Valência me deu tudo isso e mais o enorme prazer de ser sacudida por uma inesquecível surpresa: eu já sabia que seria legal, mas ela superou todas as minhas expectativas.

Paella valenciana
Um grande programa em Valência é provar (devorar) uma paella na terra onde o prato foi inventado
Torres de Quart em Valência na Espanha
As Torres de Quart, do Século 15, são uma porta fortificada que restou da muralha medieval de Valência e uma das imagens mais reconhecíveis da cidade

Se você ainda não foi à linda Valência, vá correndo. Se já foi, volte, como eu pretendo fazer loguinho. Veja minhas dicas de encantos valencianos (e já aviso que este post é enooooorme 😊):

05 março 2022

Malta: Ilha de Gozo e a Cittadella

Cittadella, cidade fortificada na Ilha de Gozo, Malta
A beleza da Cittadella é um grande motivo para visitar a Ilha de Gozo

Malta não se resume à Ilha de Malta. Este país-arquipélago tem um monte de atrações interessantes fora de sua porção principal. Os exemplos mais conhecidos são a Lagoa Azul, na Ilha de Comino, e as praias perfeitas para o mergulho, os templos megalíticos e uma encantadora cidade murada, a Cittadella, principais atrações da Ilha de Gozo.

Gozo é a segunda maior ilha maltesa, com 67 km² de área (menos da metade da Ilha de Itaparica, na Bahia) e 37 mil habitantes. Ela bem que merecia mais tempo no meu roteiro em Malta, mas com apenas uma semana no país, optei por uma visita à Ilha de Gozo e à Cittadella esticando meu dia de banho de mar na Lagoa Azul. 

Catedral da Assunção, Cittadella, Ilha de Gozo, Malta
A Catedral da Assunção é o edifício mais visitado da Cittadella

Cittadella, Ilha de Gozo, Malta
Mas bom mesmo é explorar as ruas e fortificações da velha cidade murada

Ficou um passeio bem redondinho, um dos meus dias mais bacanas no país. Uma hora dessas em volto para ver as outras atrações da Ilha de Gozo, especialmente seus templos megalíticos. Por enquanto, fique com as dicas desse ótimo bate e volta em Malta:


01 março 2022

O que fazer em Valeta, Malta


Valeta capital de Malta
Valeta capital de Malta
Valeta ganhou meu coração à primeira vista. Essas fotos foram feitas de Sliema, cidade onde me hospedei e que tem uma baita vista para a capital de Malta

Se você for confiar apenas no que os mapas mostram, vai acabar programando pouco tempo para explorar a capital de Malta. Mas não cometa esse erro: ainda que ela seja pequenininha, tem muito o que fazer em Valeta.

Em uma área com menos de 1 km² (menos de um terço do tamanho do Centro Histórico de Salvador) estão concentradas atrações que rendem facinho dois ou três dias de passeios muito lindos.

Típico balcão maltês em Valeta
Valeta capital de Malta

De pertinho e nos detalhes, Valeta roubou meu coração


Sim, Valeta é pequenininha e compacta. Tem cerca de 6 mil habitantes e pode ser atravessada de uma ponta à outra em meia hora — a distância do Forte Saint Elmo, à beira-mar, até a divisa com a cidade de Floriana é de apenas 1,5 km. 

Mas essa é uma caminhada que ninguém em sã consciência vai fazer nessa velocidade, porque tem muuuuuita beleza pelo caminho.

Fonte dos Três Tritões em Valeta, Malta

Na divisa entre Valeta e Floriana, a Fonte dos Tritões virou uma das logomarcas da capital maltesa

Auberge de Castille em Malta
O Auberge de Castille, do Século 18, era o alojamento dos cruzados de língua espanhola. Hoje, abriga os escritórios do primeiro ministro de Malta. Aestátua que contempla o edifício é homenagem ao líder socialista Manwel Dimech
Grand Harbour em Malta
Chegar a Valeta de ferry, atravessando o Grand Harbour, dá direito a essa paisagem

Chamada simplesmente de Il-Belt, ou “A Cidade”, pelos malteses — mesmo apelido que os bizantinos deram a Constantinopla (hē Polis) —, Valeta foi fundada pelos cruzados (os Cavaleiros da Ordem de São João ou Ordem de Malta) em 1566, para ser a capital do país. 

O local escolhido para a nova cidade foi a península imediatamente ao Norte das Três Cidades, em cuja ponta já estava o Forte Saint Elmo, onde hoje funciona o Museu da Guerra/National War Museum.

Co-Catedral de São João em Valeta, Malta

Depois do cerco otomano, os cruzados fundaram Valeta para ser uma praça forte inexpugnável. Mas nem só de muralhas e bastiões se fez a capital maltesa, como prova a Co-Catedral de São João

 
Como já contei aqui na Fragata, a fundação de Valeta foi decidida logo após o Grande Cerco de Malta, quando os cruzados e os locais resistiram ao feroz assédio dos otomanos nas muralhas da então capital, Birgù, e das cidades de Senglea e Cospicua (as Três Cidades de Malta).

Liderados pelo grão-mestre da ordem, Jean Parisot de Vallette (de quem a cidade herdou o nome), os cavaleiros plantaram sua nova capital debruçada sobre os portos de Marsamxett e Grand Harbour e dotada de todas as sofisticações defensivas que se conhecia na época — e de belíssimos palácios, igrejas e jardins.

Parlamento de Malta
Parlamento de Malta
Inaugurada em 2015, a sede do Parlamento de Malta foi projetada pelo arquiteto Renzo Piano, o mesmo do Beaubourg de Paris e de The Shard, em Londres
Valeta em Malta
Os balcões típicos de Malta dão um colorido especial à paisagem urbana de Valeta

O resultado disso é uma cidade deslumbrante, talhada em pedra dourada, linda de se ver de longe e deliciosa para ser explorada de perto, a cada cantinho, ladeira, escadaria ou ruela tortuosa — sim: subir e descer escarpas é parte da aventura.

Além de caminhar à toa por Valeta, reserve tempo para ver com calma atrações imperdíveis, como a Co-Catedral de São João, a Casa Rocca Piccola, os Upper Barrakka Gardens e o Museu Nacional de Arqueologia de Malta.

Bora passear em Valeta?