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01 julho 2011

Aventuras gastronômicas - erros e acertos

Brasserie L'Atlas em Paris
No balcão da Brasserie L'Atlas, em Paris, dava pra olhar a presa nos olhos, antes da refeição

Minha imensa curiosidade gastronômica é uma grande companheira de viagens. Como de tudo e só não gosto mesmo de dois pratos: fígado bovino e comida mal feita.

Das minhas aventuras gastronômicas por aí, coleciono erros e acertos, com a primeira categoria ganhando de goleada da segunda. E agradeço esse placar à minha bisbilhotice gustativa.

Curto provar de tudo e não sei viajar sem levar o paladar comigo — sempre digo que viajo com os cinco sentidos. Mas ás vezes eu exagero na experimentação, como vocês poderão ver neste post.

Listei, a seguir, algumas aventuras gastronômicas divertidas. Algumas eu adorei. Outras valeram pela experiência.

13 agosto 2002

Pacaraima, a fronteira cordial

Pacaraima, Roraima
(foto de Paulo Tasso)

Gasolina, cerveja Polar, bolachas Club Social e vassouras de plástico. A rotina do contrabando apreendido pela Inspetoria da Receita Federal em Pacaraima (RR) não autoriza ninguém a bocejar nem a invejar a tranquilidade dos dois auditores-fiscais lotados na unidade. 

"No ano passado, pegamos dois carregamentos de heroína, cada um com 7,5 quilos da droga", conta o inspetor. Mas, apesar de trabalharem no extremo-norte do Brasil, na fronteira com a Venezuela, os dois auditores têm mais histórias de cordialidade do que de hostilidade e isolamento.

Um deles chegou há três anos, aprovado no concurso de 1998. Quarenta e nove anos, recém-divorciado, filhos na Universidade. "Já que estava virando a página de minha vida, resolvi virar logo o livro todo de cabeça para baixo". 

Queria um lugar tranqüilo. Tinha trabalhado mais de dez anos como técnico da Receita em São Paulo, e um auditor que passara por Pacaraima recomendou-lhe o lugar, onde hoje está plenamente adaptado e sem vontade de sair. 

"A gente só fica desconfortável se a cidade não é o que a gente queria". Casou-se com uma roraimense que mora em Boa Vista, a duas horas de viagem, e a quem encontra nos finais de semana. Descreve sua rotina como tranqüila. "Medo eu tinha em São Paulo. Não é porque o lugar é fronteira que tem que ser perigoso".