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04 fevereiro 2018

Bagagem essencial - o que nunca falta na minha mala


Escultura em homenagem aos viajantes na Estação de Atocha em Madri
Foi-se o tempo em que se precisava de toda essa produção para viajar. Mas algumas coisas permanecem essenciais em uma bagagem. (A foto é de uma escultura em homenagem aos viajantes, na Estação de Atocha, em Madri)

Eu já consegui passar 26 dias na Europa (no comecinho da primavera, março/abril) com uma mochila pesando 7 kg. Lembro que quando fui despachar a bagagem, o atendente da KLM me olhou espantado: “Só isso, senhora?” E eu: “Moço, o senhor está parecendo a minha mãe”.

A única coisa de que senti falta naquela bagagem essencial foi a lixa de unhas — como sou uma eterna roedora em recuperação, não posso viver sem isso.

Agora que as companhias aéreas que operam no País estão liberadas para cobrar pela bagagem despachada, o comedimento na hora de fazer as malas deixou de ser apenas uma questão de conforto, para virar medida de proteção ao nosso bolso. Tem coisas, porém, que não dá pra não levar, por mais curta que seja a viagem.

O “kit de sobrevivência fora de casa” varia de viajante para viajante. Neste post eu apresento a minha bagagem essencial, composta, basicamente, de coisinhas minúsculas, fáceis de acomodar e que quebram um super galho quando estou na estrada.

Dá uma olhada na minha tralha indispensável e se tiver alguma dica matadora, por favor, coloque lá caixinha de comentários.

22 junho 2016

10 razões pra viajar a Portugal

A luz da tarde caindo sobre a fachada do Mosteiro de Alcobaça é um espetáculo que, sozinho, já vale a travessia do Atlântico ❤️

Portugal pode ser pequenininho (é menor, em área, que o estado de Santa Catarina), mas, além de bonito até dizer chega, tem tanta coisa bacana pra ver e curtir que a cada viagem o país me apresenta várias novidades.

Sei que tem gente que não gosta de "repetir países". Mas a vida não é jogo de War, onde o objetivo é colecionar territórios. Vou citar 10 razões pra viajar a Portugal — e voltar sempre e muito a esse baita destino.

Centro Histórico de Évora, Portugal
Uma rua de Évora, um casarão do Porto: mesmo que você não tenha nascido e crescido em Salvador, estar em Portugal tem sempre essa sensação de reconhecimento e de volta pra casa

Casarão na Baixa do Porto, Portugal

Se você ainda não conhece Portugal, tá mais do que na hora de ir. Se já conhece, eu super recomento que você volte a Portugal e descubra novos encantos. 

Em maio/junho de 2016, fiz uma viagem deliciosa por Portugal, um roteiro de carro com a família. Iniciamos nossas aventuras em Alcobaça e Batalha, visitamos a fofa Aveiro, de onde seguimos para o Porto, excelente base para explorar a região do Rio Douro com calma. 

Depois, fomos a Amarante, para ver a Festa de São Gonçalo, e seguimos para a Serra da Estrela, Coimbra, Évora e, claro, Lisboa, meu xodó, onde pudemos assistir à Festa de Santo Antônio. 

Comprovamos que o período das festas juninas em Portugal é uma excelente época para visitar o país.

Portugal: fachada de azulejos em Lisboa
Uma fachada lisboeta

O roteiro desta viagem está aqui:
Roteiro em Portugal - 20 dias de carro

Esta é minha terceira viagem grande a Portugal — sem contar as paradinhas que faço aqui só pra matar a saudade, aproveitando conexões mais longas — e confesso que não canso de voltar.

Veja 10 razões para viajar a Portugal  — e aposto que quanto mais você visitar a terrinha,  mais motivos vai acrescentar nesta lista:


17 março 2016

Viajar sozinha: segura e confortável na estrada

Berlim, Alemanha - Unter den Linden em obras, 2005
Meninas boazinhas vão pro céu. Meninas más vão para Berlim - e pra onde mais elas quiserem. A gente precisa acreditar nisso e meter o pé

Outro dia, zapeando a TV, parei por acaso em um filme onde uma garota que tinha acabado de terminar um relacionamento anuncia às amigas a intenção de ir ao cinema sozinha. “Como uma looser?”, reagiram elas. Eu, que amo viajar sozinha e vou até a show de Rock’n’Roll sem companhia, achei a cena bizarra.

Mas é inegável que, em pleno Século 21, uma mulher fazer coisas sozinha ainda desperta desconfiança e até desprezo em muita gente — e nós mesmas nos sentimos desconfortáveis.

Esta talvez seja a principal barreira que precisamos vencer, se quisermos desfrutar plenamente do imenso prazer que é viajar sozinhas. Nas minhas primeiras viagens solo, lá se vão mais de duas décadas, o constrangimento era um incômodo muito mais presente do que a sensação de estar correndo algum tipo de risco concreto.

No cinema, num restaurante ou em uma viagem, nós nos sentimos julgadas por estarmos sozinhas — o engraçado é que ninguém se preocupa com esses julgamentos quando sai de casa sozinha para o trabalho, ou vai ao supermercado. E quando a gente viaja a trabalho, então?

Nas atividades “meramente funcionais”, é ok estar desacompanhada. Acho que foi essa constatação que me fez acionar o botãozinho do “dane-se” para os olhares curiosos ou francamente desaprovadores que me escrutinam em restaurantes, cinemas e onde mais eu esteja me divertindo sem escolta.

05 junho 2013

Balu, o meu guru - ou coisas que aprendi viajando e mudaram minha vida

Avenida Paulista em São Paulo
De carro, eu jamais veria a Avenida Paulista assim

Hoje faz quatro anos que vendi meu último automóvel. Já escrevi um post inteirinho, aqui na Fragata, sobre a alegria de interagir com as minhas cidades, desde que tomei a sábia decisão de virar pedestre e usuária de transporte público.

São quatro anos de economia: economizo estresse — estou livre da aporrinhação de dirigir em engarrafamentos e tumultos — e economizo grana: não ter carro paga uma viagem grande por ano, pelo menos.

Viajar me ensinou a viver sem carro

Ser pedestre foi uma coisa que aprendi viajando. O prazer de ver as cidades cara a cara era coisa que eu só tinha nas férias, longe do lugar onde morasse.

Em viagem, a gente acha natural andar a pé e de transporte público, né?

Aos poucos, percebi que eu acabava mais íntima das cercanias de um hotel onde me hospedasse por alguns dias — aquela lojinha fofa, a padaria simpática ou o buraco na calçada — do que da minha própria vizinhança, que eu só via da janelinha do carro.

Andar a pé e de transporte público me permite ver as pessoas, a expressão que trazem nos olhos, ouvir seus sotaques, bisbilhotar suas leituras no metrô.

Não é estranho que eu passasse a querer isso na vida toda e não apenas durante as férias.

12 janeiro 2013

Os viajantes, as crises e a vida real

Grafite de protesto em Coimbra
No grafite próximo à Universidade de Coimbra, em 2012, uma paródia amarga da canção símbolo da democracia portuguesa. Na época, o país atravessava uma grave crise econômica decorrente das políticas de arrocho impostas aos portugueses

Atualizado em fevereiro de 2020

Nas minhas últimas férias na Europa — um roteiro por Barcelona, Valência e Malta —, encontrei a capital catalã em plena ebulição.

Barcelona aguardava com ansiedade a divulgação a sentença da Suprema Corte espanhola para o nove líderes independentistas catalães. Por toda parte havia cartazes, pichações, bandeiras da Catalunha e fitas amarelas, símbolo do movimento pela libertação dos presos.

Protesto contra prisão de ativistas em Barcelona
Protesto contra prisão de ativistas em Barcelona

"Liberdade para os presos políticos", cobravam as faixas e cartazes espalhados por Barcelona, em setembro de 2019


Dois dias após eu embarcar para o Brasil saiu o veredito — condenações a penas que iam dos nove aos 13 anos de prisão — e a Catalunha explodiu em protestos que reuniam centenas de milhares de pessoas, paralisavam os transportes públicos e fechavam aeroportos.

Algumas pessoas comentaram sobre a minha sorte por eu ter viajado antes desses eventos. Eu, como jornalista e como cidadã, teria feito questão de assistir de perto esse fragmento da História.

Convocação antifascista em Roma
Convocações antifascistas em Roma (no alto), em 2015, e em Paris (acima), em 2014

Crises políticas e manifestações de protesto fazem parte da vida real. Em geral, atestam muito mais a saúde política de uma sociedade do que sua degeneração. Eu cresci em um Brasil onde a mera reunião de algumas pessoas podia resultar em prisões — às vezes, em tortura e morte. Não quero voltar a esse país.

Passeata da Greve Geral pelo Clima em Barcelona
Passeata da Greve Geral pelo Clima em Barcelona
Passeata da Greve Geral pelo Clima em Barcelona

Passeata da Greve Geral pelo Clima no Passeig de Gràcia, em Barcelona, em setembro de 2019


Se durante uma viagem você topar com esse tipo de situação, tem duas opções: afastar-se e continuar sua programação turística ou, caso simpatize com a causa, aderir à manifestação. Não há motivo para pânico nem alarme.

Tome os cuidados ditados pelo bom senso e aproveite a oportunidade de ver ao vivo a vida real do lugar que está visitando. Veja como:

30 setembro 2011

Coisas que aprendi viajando: minha vida de pedestre

Palais Royal em Paris

Nem todas as cidades são Paris, mas em todas elas há um bom motivo para se caminhar

(Palais Royal, Paris, abril de 2006)


Andar a pé e de transporte público, para mim, sempre foi atividade de férias. Sem pressa, estimulada pela qualidade dos serviços de transporte coletivo de outras paragens, encarava os deslocamentos nos ônibus e metrôs como parte da experiência de viajante. Uma das melhores coisas que aprendi viajando foi o prazer de ser pedestre.

Adorava o contato com as ruas, sentir a temperatura e os cheiros da cidade. Perceber os detalhes mais sutis e sedutores. Ouvir o burburinho, os sotaques e os assuntos.