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| A bela Jaguaripe é uma grande moldura para os saveiros |
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| O Sombra da Lua chegando a Maragogipinho: é muito guapo! |
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| O dueto do Sombra com o vento deixa o canto das sereias da Odisseia no chinelo |
Expedição Kirimurê - Jaguaripe e região
A viagem a Jaguaripe e Região foi uma etapa do Projeto Expedição Kirimurê, iniciativa de apaixonados por saveiros para dar visibilidade a esse patrimônio da Bahia.
As jornadas são sempre feitas no saveiro Sombra da Lua, construído em 1923, tombado como Patrimônio Histórico Nacional e lindamente restaurado por iniciativa da Associação Viva Saveiro.
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| Em parte da expedição, o Sombra teve a companhia do saveiro É da Vida, também restaurado com apoio da Associação Viva Saveiro |
Navegando no Sombra, atravessamos a Baía de Todos os Santos, passamos pela Ilha de Itaparica e seguimos a Contra-Costa (o trecho de mar que passa atrás da ilha) para entrar no Rio Jaguaripe, em cujas margens está a cidade histórica.
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| A Matriz do Amparo de Jaguaripe é do Século 17 |
A etapa de Jaguaripe teve 15 passageiros e dois tripulantes e durou quatro dias (de 18 a 21 de abril). Por terra, Jaguaripe está a 100 km de Salvador (se você for pelo ferryboat). Esticamos os passeios ao povoado de Maragogipinho, tradicional centro ceramista (a 22 km de Jaguaripe) e à incrível “Ilha dos Guarás”, banco de areia coberto de árvores onde centenas de aves se reúnem ao cair da tarde.
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| Revoada de guarás ao cair da tarde |
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| O mestre ceramista Zé Taurino, de Maragogipinho, mostra seu ofício aos integrantes da expedição |
As expedições Kirimurê têm como centro o saveiro Sombra da Lua (foi nele que fomos e voltamos). De Jaguaripe a Maragogipinho, fomos pela estrada e voltamos navegando o braço de rio que liga o povoado à cidade (uma velejada inesquecível). Para ver os guarás no meio do rio, fomos de canoa.
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| Itaparica no horizonte |
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| Euzinha aproveitando o Rio Jaguaripe em grande companhia |
Jaguaripe (Rio das Onças, na língua indígena) é uma lindeza com origens no Século 16, quando os jesuítas partiram pelo Recôncavo fundando assentamentos para contatar e catequizar os Tupinambás — habitantes da área desde pelo menos 500 anos antes da chegada dos europeus.
É apontada como a primeira vila fundada no Recôncavo.
Nos próximos posts eu conto mais sobre Jaguaripe,
Maragogipinho e sobre a “Ilha dos Guarás”.
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| Pedrinho é o futuro dos saveiros |
Os saveiros e o Recôncavo
Acho que não é exagero dizer que os saveiros são um elemento fundamental na formação da identidade do Recôncavo. Palmilhando os 1.233 km² da Baía de Todos os Santos, desde a colônia, essas embarcações foram muito além de cumprir um papel funcional/logístico na nossa história.
Levando e trazendo muito mais do que cargas, os saveiros foram uma amálgama dos modos de viver das gentes do entorno de Kirimurê (o grande mar, como os Tupinambás chamavam a Baía).
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| Um resistente estaleiro preserva a tradição saveirista de Jaguaripe |
Mas, como sempre acontece, a frieza da economia atropela o simbólico sem qualquer cerimônia. E a “facilidade” do transporte rodoviário, a partir da segunda metade do Século 20, inspirou a objetividade a desdenhar os saveiros.
Das cerca de 1.200 embarcações do tipo que já encantaram a Baía com suas velas brancas, hoje resistem cerca de 20, em diversas condições de conservação.
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| O Sombra e o É da Vida formam uma imagem encantadora, né? |
Já falei que os saveiros são pacientes. Mas outra coisa que eles são é teimosos, capazes de reunir em torno deles uma comunidade de apaixonados que restaura, divulga, apoia os remanescentes mestres da carpintaria e da navegação e estimula a formação de futuros saveiristas.
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Quem escreve porque viu, viveu e experenciou tem outro conteúdo, outra qualidade de texto e conexão. Parabéns!
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