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| Esta lanchonete na Cidade Velha de Montevidéu é um autêntico cartão postal dos anos 50 |
Faz algumas décadas que o Uruguai deixou de ser a “Suíça da América Latina”. As pegadas da antiga pujança, porém, sobrevivem nas ruas largas e nos edifícios elegantes de Montevidéu, com a clara marca das últimas décadas do Século 19 e das primeiras do Século 20.
As feições da capital uruguaia parecem congeladas num tempo em que senhoras usavam luvas e cavalheiros usavam chapéu.
As feições da capital uruguaia parecem congeladas num tempo em que senhoras usavam luvas e cavalheiros usavam chapéu.
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| E o que dizer desta banca de engraxate na Praça Independência? |
Uns dizem que é pura nostalgia. Outros acreditam que foi a simples falta de dinheiro para “modernizar” a paisagem urbana de Montevidéu.
Eu prefiro acreditar que foi por apego à memória e até pela capacidade de rir de si mesmos que los orientales preservaram o charme retrô de sua capital.
Eu prefiro acreditar que foi por apego à memória e até pela capacidade de rir de si mesmos que los orientales preservaram o charme retrô de sua capital.
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| Amei as fachadas antiguinhas do Barrio Sur |
Mas as fachadas centenárias, os automóveis “de colecionador” e a cortesia impecável são traços que fazem de Montevidéu uma cidade única — e sincera.
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| Não bastasse o acervo delicioso, o Museu Torres García ainda tem essa fachada art déco que me mata |
O charme retrô de Montevidéu é um encanto a mais em uma cidade que vai se revelando aos poucos ao visitante. Um perigo: a gente chega distraída e, quando se dá conta, já está fisgada.
Veja as dicas para curtir (e fotografar muito) os encantos vintage de Montevidéu:
Onde ver o charme retrô de Montevidéu
Uma característica adorável de Montevidéu é que todas as pessoas ainda têm rosto e um leve cumprimento de cabeça para o desconhecido com quem cruzamos o olhar é de rigueur.
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| Na Cidade Velha, a Art Nouveau (à direita), dica cara a cara com a art déco |
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Morri com essa fachada art déco do Barrio Sur |
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| Os quiosques de inspiração Belle Époque são parte do charme retrô de Montevidéu |
Montevidéu é uma cidade doce, que ainda pode colocar cadeiras na calçada ou levá-las ao Parque Rodó, onde os grupos de amigos assistem pacientemente o lento entardecer sub-tropical, numa conversa mansa e sem estardalhaço.
É verdade que Montevidéu tem lá suas esquisitices: antes de começar o filme, os cinemas exibem uma gravação avisando que uma lei municipal proíbe fumar, fazer barulho e cobrir a cabeça (??!!) durante a projeção...
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Plaza Independencia: tem coisa mais apaixonantemente retrô (e invejável) do que
botar cadeiras na principal praça da cidade pra bater papo e ver a tarde
passar? |
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Bebedouro Art Nouveau no Parque Rodó |
Mas o que são pequenas excentricidades, comparadas com a profusão de árvores nas ruas, os belos plátanos que formam túneis refrescantes em cada uma das transversais da Avenida 18 de Julio? Ou com um trânsito cordial e a certeza de caminhar sem medo por toda a cidade?
Em que outra capital das Américas ainda se pode sentar num banco de praça, sem neuras, para ler o jornal?
Que ninguém imagine, porém, uma cidade provinciana ou deserta: a noite de Montevidéu ferve nos bares, restaurantes e casas noturnas. O som das ruas está mais para Rock’n’Roll do que para litanias saudosas.
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| A Cidade Velha de Montevidéu tem recantos adoráveis. No alto, o boêmio Café Brasilero, fundado em 1877. Acima, a Praça da Matriz |
Clubes de jazz, livrarias espetaculares e alguns bons museus mostram que, uma vez cosmopolitas, os orientais não perderam o hábito.
Montevidéu é a prova de que as metrópoles também podem ter a placidez reconfortante que, no fundo, todas as cidades mereciam.
Montevidéu é a prova de que as metrópoles também podem ter a placidez reconfortante que, no fundo, todas as cidades mereciam.
Plaza Independencia
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As duas faces da Puerta de la Ciudadela. No alto, a parede
sem adornos voltada para a Montevidéu "nova". Acima, a porta com seus
entalhes coloniais, olhando para a Cidade Velha |
A expressão é clichê, mas é a pura verdade: a Plaza Independencia é o coração de Montevidéu.
A praça mais importante da cidade ocupa o espaço da antiga Cidadela, uma importante fortaleza espanhola, do Século 18, que defendia as muralhas da Montevidéu colonial.
A praça mais importante da cidade ocupa o espaço da antiga Cidadela, uma importante fortaleza espanhola, do Século 18, que defendia as muralhas da Montevidéu colonial.
Da velha fortaleza, resta apenas a Puerta de la Ciudadela, antigo acesso à cidade amuralhada. Hoje, o portão marca a fronteira entre a Ciudad Vieja (“Cidade Velha”, ou Centro Histórico), a Oeste, e a Montevidéu elegante do final do Século 19 e início do Século 20, com sua larga e arborizada Avenida 18 de Julio, que desfila para o Leste.
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Monumento a José Artigas na Praça Independência |
Na Plaza Independencia estão alguns dos monumentos mais conhecidos de Montevidéu. No centro da praça estão o monumento e o mausoléu de José Artigas, herói nacional uruguaio que combateu pela independência de seu país. Foi inaugurado em 1923.
Também se alinham em torno da praça a modernosa Torre Ejecutiva, sede do governo do Uruguai, o Palácio Estévez (de 1874, hoje sede do Museu da Casa de Governo), antiga sede da Presidência da República, e o Palácio Salvo (1925), gêmeo do Palácio Barolo de Buenos Aires.
O lindo Teatro Solís (de 1856) completa o conjunto, um pouco mais recuado do retângulo da praça.
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| A "Peatonal" Sarandi, via exclusiva para pedestres, corta toda a Cidade Velha, da Porta da Cidadela até a beira do Rio da Prata. Repare, ao fundo, no Palácio Salvo, na Praça da Independência |
Ciudad Vieja
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| Daria pra fazer um blog inteirinho só com as portas da Cidade Velha de Montevidéu |
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O Porto de Montevidéu visto de um terraço da Calle Sarandí |
Lá estão o Museu Torres-Garcia, artista que eu adoro (quem lê a Fragata já está careca de saber disso 😊), a Plaza Constituición, onde fica a Catedral de Montevidéu e que também abriga uma simpática feirinha de antiguidades, o antigo Cabildo (hoje Museu e Arquivo Histórico Municipal) e o Museu Histórico Nacional.
Um passeio pela Ciudad Vieja de Montevidéu geralmente termina no tentador Mercado do Porto, onde você pode (e deve) experimentar a autêntica parrilla uruguaia.
Veja esses posts:
Passeio pela Cidade Velha de Montevidéu
Passeio pela Cidade Velha de Montevidéu
Barrio Sur
À beira do Rio da Prata, o Barrio Sur é o principal reduto do Candombe, o ritmo africano que caracteriza o animado Carnaval de Montevidéu, uma festa que chega a 40 dias de duração.
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| Reduto do Candombe, o Barrio Sur preserva uma arquitetura encantadora |
O Barrio Sur foi a primeira povoação fora das muralhas de Montevidéu e recebeu uma grande quantidade de descendentes de africanos, especialmente a partir da Abolição da Escravatura no Uruguai, em 1842 (quase meio século antes do Brasil).
Abrigados nos conventillos — tipo de moradia em que várias famílias ocupam cômodos de um mesmo imóvel, como nossos cortiços —, os afro-uruguaios preservaram suas tradições e fizeram uma música irresistível, organizados nas Comparsas Lubolas (confrarias de Candombe).
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| O bairro é simples, mas estiloso |
Apesar de atrair gente do mundo inteiro para ver e dançar nas llamadas (desfiles) de Candombe, o Bairro Sur tem uma pegada muito residencial, com casinhas térreas antigas — elas são mais velhas que suas feições atuais, claramente do início do Século 20 — alinhadas ao longo de ruas sossegadas, calçadas de paralelepípedos e sombreadas pelos onipresentes plátanos.
Os tradicionais conventillos do Barrio Sur já são cada vez mais raros, principalmente por conta da perseguição e desmantelamento de vários deles durante a ditadura uruguaia, nos anos 70.
A data escolhida para celebrar o Dia Nacional do Candombe, 3 de dezembro, lembra o despejo, dispersão e demolição do Conventillo Mediomundo, que ficava na Calle Cuareim e foi o berço da Comparsa Morenada.
A data escolhida para celebrar o Dia Nacional do Candombe, 3 de dezembro, lembra o despejo, dispersão e demolição do Conventillo Mediomundo, que ficava na Calle Cuareim e foi o berço da Comparsa Morenada.
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De origem simples, o Bairro de Cordón tem boemia e bela
arquitetura |
Como você já deve ter deduzido, é em Cordón que se realiza a imperdível Feira de Trsitán Narvaja, o mercado de pulgas mais divertido que já visitei.
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A visita à Feira de Tristán Narvaja rende garimpo duplo: de
quinquilharias divertidas nas barracas e de detalhes interessantes nas fachadas de Cordón |
O bairro é bem antigo, tem origem em uma povoação iniciada no Século 18 fora da cidade colonial amuralhada, misturando casas simples com propriedades rurais e os primeiros moinhos e olarias de Montevidéu.
Dessa origem plebeia, Cordón guarda o jeito desencanado. Ao longo do tempo, porém, seu cotidiano e espírito acabariam profundamente marcados pela instalação na área da Biblioteca Nacional e da Universidade da República, a mais importante do Uruguai.
O calor estudantil é bem evidente no bairro, assim como sua arquitetura marcada por balcões e detalhes em gesso e estuque nas fachadas.
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Dessa origem plebeia, Cordón guarda o jeito desencanado. Ao longo do tempo, porém, seu cotidiano e espírito acabariam profundamente marcados pela instalação na área da Biblioteca Nacional e da Universidade da República, a mais importante do Uruguai.
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Dá vontade de ir rápido conhecer e desfrutar! Deliciosas impressões. Bjo, Campos. Caroll
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