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16 agosto 2015

Museu de História da Ciência e Tecnologia no Islã em Istambul

Museu de História da Ciência e Tecnologia no Islã em Istambul
O museu funciona nos antigos estábulos do Palácio de Topkápi

Meu amigo Allan Patrick sempre traz dicas bem interessantes para a Fragata. É dele a série de guestposts sobre a road trip pela Escandinávia (se você não leu, corre lá,  porque é bem interessante).

Desta vez, ele nos conta sobre uma atração que geralmente passa batida pelo radar de quem visita Istambul, mas que com certeza vale a visita. É o Museu de História da Ciência e Tecnologia no Islã.

O museu funciona nos antigos estábulos do Palácio de Topkápi e é uma das atrações de Istambul incluída no passe de museus da cidade (Museum Pass - Istambul). Seu acervo é um testemunho do avanço científico alcançado pelo mundo islâmico na física, matemática, astronomia, medicina, mineralogia, engenharia, cartografia, ciências náuticas, e vários outros campos do conhecimento.

Veja o relato de Patrick sobre o Museu de História da Ciência e Tecnologia no Islã:

03 novembro 2012

Ruínas de Troia na Turquia - o poder da palavra

Ruínas de Troia na Turquia
O grande atrativo de Troia emana do poder de uma história bem contada

O caminho é árduo, a paisagem é árida, o cenário é pobre. Mesmo assim, a visita às ruínas de Troia, na Turquia, está entre uma das melhores coisas que fiz na vida.

De Istambul a Troia são cinco horas de ônibus, mais outro tanto na volta — sem contar as travessias de ferryboat.

Em torno das ruínas de Troia, você verá apenas arbustos retorcidos e o solo pedregoso, calcinados pelo sol, e o azul do mar no Estreito de Dardanelos.

Anfiteatro nas ruínas de Troia na Turquia
Anfiteatro escavado em Troia
Vestígios romanos nas ruínas de Troia na Turquia
Troia tem pelo menos nove camadas de cidades sobrepostas, atestando a antiguidade da sucessiva ocupação do local por diferentes povos. Os vestígios na imagem são romanos e datam da nona povoação da área

Os vestígios arqueológicos vão muito pouco além dos restos de muros, alicerces e destroços em processo de catalogação.

Por que ir a Troia, então?

Porque nas ruínas da cidade da Ilíada, o que importa são as palavras. É a força de um relato, composto há quase três mil anos, que torna o sítio arqueológico de Troia absolutamente arrebatador.

Camadas arqueológicas nas ruínas de Troia na Turquia
Camadas arqueológicas nas ruínas de Troia na Turquia
As etiquetas com algarismos romanos demarcam as diversas camadas de Troia. Guerras, tsunamis e malária devastaram as sucessivas povoações assentadas no local, uma posição estratégica dominando a entrada do Estreito de Dardanelos. No quebra cabeças arqueológico, a majestosa Troia homérica teria sido a sétima cidade erguida no local
Camadas arqueológicas nas ruínas de Troia na Turquia
A placa explica a sobreposição das povoações em Troia (Tabakalar = camadas, Perioden = períodos, Strata = estratos)

Talvez no mundo regular uma imagem valha mais que mil palavras. Estamos com pressa e a imagem — essa fração de segundo que promete descrever tudo — nos conforta.

Felizmente, há uma outra vida onde as palavras formam realidades infinitas, desenham universos e tornam lúdica e lírica até mesmo a objetividade da imagem (sei que vou apanhar, mas sustento que, até no cinema, o princípio era o verbo).

Anfiteatro romano nas ruínas de Troia na Turquia
Mais um anfiteatro romano. Este e o que você viu lá no alto datam da oitava ou nona povoação de Troia, que compreendem os períodos clássico, helenístico e romano

Troia não é atração turística. O quebra cabeça arqueológico de suas nove camadas de povoações superpostas não tem esplendores arquitetônicos para oferecer à contemplação.

O sítio arqueológico de Troia também não oferece muitas oportunidades para selfies: o entusiasmo com os cliques cessa logo que os grupos de excursionistas atravessam os portões do sítio histórico, deixando para trás um cavalo de madeira meio cafona, mas muito disputado como pano de fundo para fotos.

Réplica do Cavalo de Troia
Muralhas em troia na Turquia
Vestígios arqueológicos em Troia na Turquia
A "réplica" do cavalo concebido por Odisseu faz mais sucesso que os verdadeiros vestígios de Troia

Não há muito o que ver em Troia. Apenas pedras e fragmentos da História de nove ocupações humanas. Assentamentos que teimaram em florescer nessa faixa de terra estratégica, à beira do Estreito de Dardanelos, para, um dia, serem varridas por maremotos, guerras ou epidemias.

A Troia de Heitor (cantada por Homero) teria sido a sétima — e a mais poderosa — cidade erguida aqui.

Estreito de Dardanelos visto das muralhas de Troia na Turquia
Estreito de Dardanelos visto das muralhas de Troia na Turquia
Restos de muros troianos contemplam o Estreito de Dardanelos. Na narrativa de Homero, foi neste pedaço de terra que Aquiles e Heitor se enfrentaram

A última Troia, romana, pereceu de pragmatismo, ofuscada pelo o esplendor de Constantinopla, pelo deslocamento das rotas comerciais e consequente esvaziamento da importância militar da região.

Tudo isso vai sendo lembrado pela descrição monocórdia do guia turístico. Mas essas palavras objetivas, acessórias à imagem imediata, logo emudecem. Aqui, quem canta é a Musa.

Sítio Arqueológico de Troia na Turquia
A Arqueologia ainda não encontrou um modo seguro de escavar Troia sem danificar as diversas camadas de cidades assentadas aqui. A maioria dos vestígios visíveis é da cidade romana. Mas os trabalhos prosseguem
Sítio Arqueológico de Troia na Turquia
Sítio Arqueológico de Troia na Turquia
Sítio Arqueológico de Troia na Turquia
Muitos vestígios de construções em Troia ficam protegidos das intempéries por toldos

Andando em silêncio pelas trilhas do parque, são as palavras mágicas de Homero que reconstroem as imagens do mito e da história.

Lá adiante está o mar, de onde chegaram os atreus "no côncavo de suas negras naus". Lá estão as areias que receberam corpo mutilado de Heitor. São as palavras que reerguem as muralhas e reeditam o assédio, que repovoam esse campo onde “muitas almas de heróis desceram à casa de Hades”.

Em Troia, minha alma estava voando.

Veja as dicas dessa viagem mágica às ruínas de Troia:

Ruínas de Troia na Turquia
Não foi muito fácil chegar a Troia, mas ir até lá foi uma das melhores decisões que já tomei em uma viagem

15 outubro 2012

Roteiro em Istambul, a cidade que é tudo ao mesmo tempo, agora

Ponte e Torre de Gálata em Istambul na Turquia
A Ponte de Gálata com certeza vai entrar em seu roteiro em Istambul. Ela liga o chamado Chifre de Ouro ao distrito de Beyoğlu. Ao fundo, a famosa Torre de Gálata, herança genovesa do Século 14

Meu roteiro em Istambul foi uma escala da minha tão sonhada viagem à Grécia. Tive apenas quatro dias, mas mal pisei na cidade e já comecei a fazer planos para voltar.

Embora seja um país de maioria muçulmana, achei o clima da Turquia bem tranquilo para uma mulher viajando desacompanhada — além de Istambul, eu também visitei as ruínas de Troia, na margem asiática do Estreito de Dardanelos. Fiquei quatro dias inteiros na Turquia e mais uma noite, na volta da Grécia, apenas uma conexão.

Mesquita Nova em Istambul na Turquia
Teleférico para o Monte Pierre Lotti em Istambul
28 séculos de importância política, econômica e militar convivem em perfeita harmonia em Istambul. No alto, o trânsito pesado cerca a Mesquita "Nova” (do Século 16). Acima, o teleférico para o Monte Pierre Lotti, que oferece uma vista deslumbrante para a cidade

Fiz todos os passeios e atividades do meu roteiro em Istambul por conta própria, sem guias ou excursões. A única exceção foi o transfer do Aeroporto Atatürk até o bairro de Sultanameht, onde fiquei hospedada.

Contratei um tour apenas para ir a Troia — mas aí foi muito mais pela dificuldade da produção do que por receio de andar só. As ruínas ficam a cinco horas de Istambul, incluindo o trajeto de ônibus, uma travessia de ferry boat e outro trecho pela estrada.

Estreito de Bósforo em Istambul
Porto de Kabatas em Istambul naTurquia

O Porto de Kabataş fica no bairro de Beyoğlu, às margens do Bósforo. De lá partem barcos regulares que atravessam o estreito para a parte asiática de Istambul


Passear em Istambul, usar o transporte público e chegar às atrações da cidade foi sempre bem fácil, apesar de eu falar apenas seis palavras em turco — nas áreas turísticas, é fácil encontrar quem fale ao menos algum inglês. O cima na cidade me pareceu sempre cordial e seguro.

Veja as minhas dicas para aproveitar as belezas de Istambul: