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O Caboclo representa os heróis anônimos que participaram das
lutas pela Independência na Bahia |
Música deste post: Hino ao Dois de Julho (Hino do Estado da Bahia)
Orquestra Sinfônica Juvenil 2 de Julho - Neojibá, sob a
regência do maestro Yuri Azevedo, com vocal de Tatau. Arranjo do maestro Fred
Dantas
Faz 31 anos que eu vivo fora da Bahia. Já me resignei a comer contrafações de acarajé, a refrear a irreverência e até a encontrar os amigos só com hora marcada. Mas tem um dia do ano em que eu não consigo evitar a melancolia dos exilados, apátridas e degredados em geral: no Dois de Julho, a vontade de estar em Salvador é uma voragem.
O Dois de Julho é a festa da Independência na Bahia. Não seria incorreto dizer que é uma celebração cívica, mas isso não explicaria nada. Num Brasil tão conformado em comemorar datas, fatos e personagens que parecem feitos e propriedade da meia dúzia do andar de cima, só indo lá pra ver o orgulho, a alegria e o escracho dos baianos e baianas se afirmando como donos de uma História.
É verdade que a Bahia é especial, mas a gente não criou a nossa própria festa de Independência só pra ser diferente. É que depois do 7 de setembro de 1822, nossos antigos colonizadores não estavam dispostos a largar o osso e se aferraram às terras baianas e outros torrões, reduzindo a proclamação de Pedro I às margens do Ipiranga a um grito retórico.
Só em Dois de Julho 1823 é que o exército português seria finalmente mandado para casa, a muque, pelo povo da minha terra.
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Maria Quitéria se disfarçou de homem, alistou-se nas tropas
baianas e foi condecorada por bravura |
Para saber mais sobre Mara Felipa: Itaparica, veraneio de antigamente
A Guerra de Independência da Bahia é um feito histórico dos mais importantes em nosso país. Pouco conhecido fora das fronteiras baianas, seria estudadíssimo nas escolas, se tivesse ocorrido no Sudeste.
Mas meu chamego com o Dois de Julho é que ele nunca se limitou à vitória militar nas Colinas de Pirajá, em 1823, e sua celebração jamais se reduziu à estética ou à essência marcial.
Claro, bastaria o heroísmo anônimo, o protagonismo feminino — a Bahia sempre foi uma terra de mulheres retadas — e a “construção coletiva” pra merecer uma baita celebração da data. Mas para estar à altura do que foi na história, o Dois de Julho é uma grande festa popular, plural, uma solenidade irreverente que é a cara da Bahia.
Claro, bastaria o heroísmo anônimo, o protagonismo feminino — a Bahia sempre foi uma terra de mulheres retadas — e a “construção coletiva” pra merecer uma baita celebração da data. Mas para estar à altura do que foi na história, o Dois de Julho é uma grande festa popular, plural, uma solenidade irreverente que é a cara da Bahia.
Sobre o Corneteiro Lopes, leia Dois de Julho em Ipanema
Se você quer conhecer a Bahia, precisa participar de um desfile do Dois de Julho, ver passar (ou ajudar a empurrar) os carros da Cabocla e do Caboclo e cantar a plenos pulmões que "Com tiranos não combinam brasileiros corações", como proclama o nosso hino.
Veja que linda é essa celebração à identidade baiana.
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