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20 novembro 2025

Museus da resistência negra

Estátua de Zumbi dos Palmares na Praça da Sé em Salvador
Zumbi dos Palmares na Praça da Sé, em Salvador

Foi só colocar o ponto final no post sobre o Muncab, em Salvador, para lembrar de outros museus que me tocaram profundamente ao revelar a beleza da arte dos povos da África e a força de sua resistência durante a escravidão e além (porque essa luta ainda não acabou).

São espaços que celebram a memória — a dor, a injustiça, mas também a potência criadora capaz de produzir verdadeiros milagres de beleza no chão do Ocidente.

Alguns desses museus nos colocam diante do gênio de Maria Auxiliadora (1935–1974), Rubem Valentim (1922–1991), Mestre Didi (1917–2013) e Heitor dos Prazeres (1898–1966), ou da vibração que nasce dos 12 compassos do Blues e do metrônomo do meu coração: o Rock’n’Roll. 

Não vou repetir aqui os museus com temática musical, que já foram bastante falados aqui na Fragata (veja o post: 10 museus imperdíveis para quem ama música) ou mesmo sobre espaços dedicados às artes visuais de modo geral (tem um índice de museus e sítios arqueológicos completíssimo aqui no blog). 

O assunto de hoje são museus militantes, que falam de luta, que contam histórias de resistência — ainda que estejam, também, repletos de belezas. Eles nos relatam fatos e processos como a revolta de escravizados na pequena ilha de Curaçao, no século 18, e a longa, árdua e corajosa conquista dos Direitos Civis pelos afro-americanos.

São janelas para histórias muitas vezes invisibilizadas, mas indispensáveis para compreender a humanidade e celebrar suas conquistas. No Dia da Consciência Negra, a Fragata lembra Zumbi dos Palmares e destaca alguns museus que merecem entrar no roteiro de viagem de quem se encanta com a ideia de um mundo mais justo.

25 maio 2017

Museu Soumaya da Cidade do México

Museu Soumaya da Cidade do México

Adorei a abusadíssima arquitetura do Museu Soumaya da Cidade do México


No luxuoso bairro de Polanco, famoso pelo comércio exclusivo, hotéis refinados e restaurantes badalados, fica o Museu Soumaya da Cidade do México, uma extravagância arquitetônica construída pelo multimilionário Carlos Slim para abrigar sua coleção de arte de mais de 60 mil peças.

Apesar de um certo ar de ostentação, a pinacoteca do Museu Soumaya merece a visita. Com entrada gratuita, o museu combina muito bem com um passeio por Polanco, tem transporte público que para na porta e rende um programa bem instigante.

"Banho de Rio" de Diego Rivera no Museu Soumaya da Cidade do México
Isso é que é cartão de visitas: Banho de Rio, mural de Diego Rivera, logo no saguão do Museu Soumaya
Museu Soumaya na Cidade do México
A coleção do museu tem peças pré-hispânicas, coloniais e modernas

O imenso acervo do Museu Soumaya, apontado como um dos maiores da América Latina, abrange a arte colonial mexicana à pintura europeia clássica, o Muralismo Mexicano, o Modernismo europeu, peças esculpidas em marfim nas colônias espanholas, como as Filipinas, artes decorativas, moedas e documentos históricos.

No último andar do museu, uma galeria de esculturas é uma festa para quem curte Rodin — o Museu Soumaya tem nada menos do que 380 esculturas dele, embora, obviamente, apenas algumas estejam em exposição. 

Anote esta dica de museu pra quando você for à Cidade do México. Saiba mais:

11 maio 2017

O que fazer no Bosque de Chapultepec na Cidade do México


Bosque de Chapultepec na Cidade do México
Do museu ao piquenique, do passeio de barco à apresentação musical, tem muito o que fazer no Bosque de Chapultepec, o Central Park da Cidade do México


Uma atração da Cidade do México que dificilmente passará batida no seu roteiro é o Bosque de Chapultepec. O maior parque público das Américas, com 650 hectares — quase o dobro do tamanho do Central Park de Nova York — é um espaço popularíssimo entre os mexicanos.

As três subdivisões do Bosque de Chapultepec abrigam uma infinidade de equipamentos de lazer e o lugar ferve nos fins de semana.

Paseo de la Reforma e Bosque de Chapultepec na Cidade do México
O Paseo de la Reforma é a principal avenida do centro da Cidade do México (12 km) e atravessa o Bosque de Chapultepc

Lago de Chapultepec na Cidade do México
O Lago de Chapultepec visto do castelo. Barquinhos a remo e pedalinhos fazem a alegria dos visitantes


Opções não faltam: trilhas para caminhadas, veredas, fontes, zoológico, auditório para concertos, um lago com barcos a remo e pedalinhos e nada menos que 10 museus — entre eles, o fantástico Museu Nacional de Antropologia do México, o Museu de Arte Moderna e o Museu Nacional de História, instalado no Castelo de Chapultepec.

09 maio 2017

Museu Nacional de Antropologia do México

Calendário Asteca no Museu Nacional de Antropologia do México
O Calendário Asteca é a peça mais famosa do Museu Nacional de Antropologia do México. Descreve os movimentos dos astros e marca um ano de 365 dias

Feliz do país que tem um museu tão bacana quanto o Museu Nacional de Antropologia do México — e que pode dizer que todas as maravilhas do acervo são expressão do engenho e da arte de seu próprio povo e de seus ancestrais.

Tudo no Museu Nacional de Antropologia do México é bacana. Ele está instalado em um edifício modernista lindo, inaugurado em 1964, no Bosque de Chapultepec, o Central Park dos mexicanos, a área verde mais frequentada da Cidade do México.

Museu Nacional de Antropologia do México
Museu Nacional de Antropologia do México
Museu Nacional de Antropologia do México
O Museu Nacional de Antropologia do México está instalado num edifício modernista muito bacana

Os espaços expositivos do museu são organizados de maneira inteligente e didática e estão integrados a jardins — onde réplicas de templos e outras construções ajudam a compreender melhor o contexto de cada sala. E o acervo... ah, o acervo. Em uma palavra: acachapante.

Eu passei um dia inteirinho no Museu de Antropologia do México — e se tivesse mais tempo, teria voltado para uma segunda visita.

Peça da cultura Tolteca no Museu Nacional de Antropologia do México
Peça da cultura Tolteca no Museu Nacional de Antropologia do México
Peças escavadas no sítio de Xochicalco, da cultura tolteca: no alto, O Criador, representação de um ser mitológico, com dois pênis entrelaçados a ramos de cacau. Acima, a Guacamaya (arara) era usada como marcador de um jogo-ritual de bola
Sala da Cultura Asteca no Museu Nacional de Antropologia do México
A sala dedicada à Cultura Mexica (Asteca) é a mais concorrida
Peça asteca no Museu Nacional de Antropologia do México
Peça asteca no Museu Nacional de Antropologia do México
Peças astecas do acervo do museu
Cocar asteca no Museu Nacional de Antropologia do México

Réplica de um cocar-coroa usado por governantes mexicas


O museu não é só lindo. É essencial pra a gente entender como as aventuras de culturas como a asteca, tolteca, olmeca, teotiuacana, maia e zapoteca ajudaram a forjar os encantos do México de hoje. Uma visita indispensável.

Veja como se organizar para ver as maravilhas desse museu que, sozinho, já vale a viagem ao México:

04 maio 2017

Muralismo mexicano no Palácio Nacional de Belas Artes do México


"O Homem controlador do universo" de Diego Rivera no Palácio Nacional de Belas Artes do México

O Homem Controlador do Universo, mural de Diego Rivera no Palácio Nacional de Belas Artes do México


Minha maior inspiração para visitar o México tem nome e sobrenome: Diego Rivera. Eu já tinha tido o prazer de contemplar alguns de seus quadros em museus e exposições mundo afora, mas nunca tinha estado cara a cara com seus famosos murais, trabalhos que o consagraram no mundo das artes.

E essa foi a grande emoção da minha visita ao Palácio Nacional de Belas Artes do México, na capital do país. 

Com esse item finalmente ticado na minha lista de desejos, posso afirmar sem medo de estar exagerando: os murais de Diego Rivera, sozinhos, já justificariam a viagem ao México.

Fachada do Palácio Nacional de Belas Artes do México
decoração art déco do interior do Palácio Nacional de Belas Artes do México

Palácio Nacional de Belas Artes do México: o exterior é Art Nouveau e as cúpulas de sugerem vulcões em erupção (no alto). O interior tem uma escandalosamente bela decoração em art déco 


Melhor ainda quando a gente pode ver algumas dessas maravilhas em um espaço cultural tão bonito quanto o Palácio Nacional de Belas Artes do México.

Concebido originalmente para ser uma casa de ópera, o Palácio Nacional de Belas Artes  foi inaugurado em 1934, abrigando também um museu  — uma feliz associação entre acervo, arquitetura e decoração que tornam o lugar uma atração imperdível na Cidade do México.

E eu ainda dei a tremenda sorte de visitar o Belas Artes quando estava em cartaz a fantástica exposição temporária Pinta La Revolución, dedicada à arte moderna mexicana produzida entre 1910 e 1950 e montada em parceria com o Philadelphia Museum of Art.

Autorretrato de Frida Kahlo
Obra de Frida Kahlo O Suicídio de Dorothy Hale

Obras de Frida Kahlo na mostra temporária Pinta la Revolución: no alto, Autorretrato. Acima O Suicídio de Dorothy Hale e abaixo Onde penduro o meu vestido 


Obra de Frida Kahlo "Onde penduro meu vestido"

Sim, porque o Palácio Nacional de Belas Artes está sempre oferecendo ótimas mostras temporárias, como as dedicadas a Toulouse-Latrec (2106),  Leonardo da Vinci e Michelangelo (2015) e Cartier-Bresson (2014), só para citar as mais recentes.

Mais um motivo pra você colocá-lo no topo da sua lista de programas quando passar pela Cidade do México. Veja as dicas:

02 maio 2017

O que ver no Centro Histórico da Cidade do México

Mural de Diego Rivera "Sonho de uma tarde dominical na Alameda Central"
Detalhe de Sonho de uma tarde dominical na Alameda Central, mural de Diego Rivera. O artista representou a si mesmo como um menino, de mãos dadas com a morte. Atrás dele está sua companheira, Frida Kahlo

Nervoso, poluído e barulhento, o coração da Cidade do México pode não fazer o gênero idílico que se costuma associar à ideia de Centro Histórico — quem manda estar bem no meio da maior metrópole das Américas?

Mas ouso dizer que seu estado permanente de taquicardia urbana é um elemento essencial para se compreender o contexto do lugar.

Igreja de la Santa Veracruz no Centro Histórico da Cidade do México
O Mosteiro de Santa Veracruz, do Século 16, é um dos edifícios religiosos mais antigos da capital mexicana
casa dos Azulejos no Centro Histórico da Cidade do México
Conhecido como “Casa dos Azulejos”, o edifício barroco do Palácio dos Condes del Valle de Orizaba é do Século 18 e encanta os visitantes do Centro Histórico com sua fachada recoberta por azulejos coloniais Talavera, originários da região de Puebla
Praça da República na Cidade do México
O capitólio inacabado virou um mirante na Praça da República
Pátio de um casarão histórico na Cidade do México
Pátio de um casarão ocupado por cafés e galerias de arte

Afinal, 700 anos depois de os astecas terem plantado ali sua capital, Tenochtitlán, o Centro Histórico da Cidade do México continua vivo e intenso, avesso ao formol cenográfico que pode tonar um cenário mais fotogênico, mas vazio de vitalidade.

O Centro Histórico da Cidade do México é tudo ao mesmo tempo agora — e sempre em quantidades industriais.

Palácio Nacional de Bellas Artes da Cidade do México
Palácio Nacional de Bellas Artes da Cidade do México
Uma grande atração do Centro Histórico da Cidade do México é o Palácio Nacional de Belas Artes, com um deslumbrante interior art-déco. Não estranhe se ele não aparece neste texto. É que fiquei tão apaixonada e fiz tantas fotos que ele ganhou um post exclusivo
 
Do Templo Mayor da cidade asteca de Tenochtitlán às deliciosas linhas Art Déco que marcaram a arquitetura do México pós-Revolução, o Centro Histórico da capital traça um roteiro da história do México sem se preocupar muito com uma narrativa linear.

Templo Mayor Asteca na Cidade do México
Catedral da Cidade do México
A Catedral católica da Cidade do México, na Praça do Zócalo, é vizinha do Templo Mayor dos Astecas (no alto)

No Centro Histórico da Cidade do México, o colonial seiscentista é vizinho da Art-Nouveau e o eclético oitocentista conversa alegremente com vestígios astecas, enquanto o caminhante se esforça para atravessar a multidão, desviar dos tabuleiros dos ambulantes e torcer para não ser atropelada por um motorista apressadinho.

Reserve um dia inteiro para passear no Centro Histórico da Cidade do México, que você não vai se arrepender. Veja algumas atrações:

01 maio 2017

Museu Anahuacalli de Diego Rivera na Cidade do México

Museu Anahuacalli de Diego Rivera na Cidade do México
Inspirado nas construções de Teotihuacán, Anahuacalli é a materialização de um sonho de Frida Kahlo e Diego Rivera

O Museu Anahuacalli foi a minha maior surpresa na Cidade do México. Eu tinha vagas informações sobre sua existência e só fui até lá porque comprei o combo Fridabus para escapar da fila inclemente no Museu Frida Kahlo (o Fridabus é um passe que que dá acesso aos dois museus e ao ônibus que conecta as duas instituições).

Hoje eu tenho convicção de que iria me chicotear um bocado se tivesse perdido essa maravilha.

Museu Anahuacalli de Diego Rivera na Cidade do México
Diego Rivera reuniu um acervo impressionante de mais de 50 mil peças pré-hispânicas

Diego Rivera foi um grande artista, mas também um colecionador aplicado da arte dos povos ancestrais que formaram o México.

Ao longo da vida, Diego reuniu mais de 50 mil peças de arte pré-hispânica e seu sonho — assim como o de Frida Kahlo — é que suas obras e suas coleções pertencessem e ficassem acessíveis a todos os seus compatriotas. O Museu Anahuacalli é a materialização desse sonho.

Veja os detalhes:

30 abril 2017

A casa de Frida Kahlo na Cidade do México

Casa de Frida Kahlo na Cidade do México

Quando a gente pensa em México, Frida Kahlo é a primeira personagem que vem à cabeça. E a Casa de Frida Kahlo foi o primeiro lugar que visitei na cidade do México, pra ver as cores e o cotidiano dessa artista genial.

Frida foi sempre profundamente ligada às tradições populares de seu país. Uma feminista e socialista que deixou marcas profundas em seu tempo. Hoje, é um ícone pop cultuado em todos os cantos, mas isso não apaga sua essência de mulher engajada e artista fundamental no Século 20. 

Jardins da Casa de Frida Kahlo
O jardim de Frida na Casa Azul está cheio de memórias da artista e do marido, Diego Rivera, que colecionava arte pré-colombiana

Bairro de Coyoacán na Cidade do México
Bairro de Coyoacán na Cidade do México
Bairro de Coyoacán na Cidade do México
Bairro de Coyoacán na Cidade do México
O bairro de Coyoacán, onde fica a Casa de Frida, guarda um pouco das feições da aldeia que foi um dia e que a artista adorava

A Casa Azul, hoje convertida em Museu Casa de Frida Kahlo, é o lugar onde ela morou praticamente toda a vida e organizou como uma de suas obras de arte mais importantes. É uma visita extasiante.

Mas nem pense em passar pelo o bairro de Coyoacán, onde fica a célebre Casa Azul, apenas para ver o museu de Frida. A antiga aldeia hoje engolfada pela Cidade do México é tão cenário quanto personagem na vida da artista e é parte essencial dessa imersão no universo da artista.

Casa de Frida Kahlo na Cidade do México
No alto, o jardim de Frida. Acima, mais um toque brejeiro da paisagem de Coyoacán

Coyoacán rende um passeio mais comprido e muito gostoso por suas ruas margeadas por casas térreas coloridas e algumas atrações interessantíssimas. (Saia cedo para ir à Casa de Frida, portanto).

Um exemplo é o Mercado de Coyoacán, onde você vai provar a autêntica culinária local sem esquemas pega-turistas. Não perca, também, a visita à casa do revolucionário bolchevique Leon Trotski — amigo próximo de Frida Kahlo e Diego Rivera.

Retrato da Família de Frida Kahlo

Retrato da Família de Frida, exposto na Casa Azul. A artista trabalhou nesta obra, que ficou inacabada, desde os anos 1940 até sua morte, em 1954


Pra completar o passeio a Coyoacán, o ingresso do Museu Frida Kahlo dá direito a visitar o imperdível Museu Anahuacalli, idealizado pelo marido da pintora, o genial muralista Diego Rivera, para abrigar sua coleção de arte pré-hispânica.

As informações sobre o Mercado de Coyoacán, o Museu Casa de Leon Trótski e o Museu Anahuacalli de Diego Rivera estavam originalmente neste post, mas foram desmembradas em postagens independentes, porque esta aqui estava quilométrica. Siga os links, portanto. 

No extremo sul do bairro de Coyoacán fica o legendário Estádio Azteca, onde em 21 de junho do longínquo ano de 1970, um time mágico que tinha Pelé, Tostão, Jairzinho e Rivelino ganhou por 4x1 da Itália e conquistou o tricampeonato mundial de futebol.

Atrações do Bairro de Coyoacán na Cidade do México
Casa de León Trótski na Cidade do México
Quando for à Casa de Frida Kahlo, estique a visita à coleção pré-colombiana de Diego Rivera o Museu Anahuacalli, ao Mercado de Coyoacán e à Casa de Leon Trótski

Veja as dicas para visitar a casa de Frida Kahlo e outras atrações de Coyoacán: